Enfim, a praia na capital dos mineiros!
No último dia 22, completou um ano um protesto de raizes populares especialmente inusitado, a Praia da Estação, que trouxe novos ares para os fins de semana da conservadora Belo Horizonte.
A praça que é conhecida popularmente como Praça da Estação, por estar localizada em frente ao prédio da antiga estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, hoje Museu de Artes e Ofícios, é um simbolo na história da capital mineira. Era alí que, no final do século XIX, desembarcavam os materiais, bem como os trabalhadores que ergueriam uma cidade encravada nas montanhas do interior brasileiro, com os ares de modernidade que a recém proclamada república trazia!
A praça que tradicionalmente é um espaço livre para manifestações populares de todas camadas sociais e que há poucos anos sofreu significativa requalificação urbana, num projeto que, dentre outras coisas, deu a este espaço a capacidade de sediar eventos de grande porte, viu sua vida cultural ameaçada, graças ao decreto nº 13.798, de 9 de dezembro de 2009, do prefeito Márcio Lacerda (PSB), que proibe a realização de concentrações populares e artísticas na Praça Rui Barbosa.
Num movimento lúdico, político e performático, não partidário e a favor de uma cultura local e gratúita a população belorizontina, num ato de desobediência civil, passou a fazer da praça a praia que nunca tivemos. Durante as ensolaradas tardes de sábado jovens, adultos e crianças se reuniam na praça, rigorosamente trajados com suas roupas de banho para tomar sol, jogar peteca e frescobol, tocar e ouvir música, cantar, fazer um pique-nique, dançar e tomar banho de caminhão pipa.
A idéia foi espalhada pelas redes sociais e assim aconteceu por mais de 8 semanas, até que no dia 24 de março de 2010 foi realizada uma audiência pública na Câmara Municipal de BH, convocada pelo vereador Arnaldo Godoy para discutir com a população o decreto municipal. Apesar da ausência de altos membros do poder local os manifestantes puderam articular suas preocupações em relação aos usos dados a espaços públicos, e a prefeitura assegurou que a situação seria temporária.
Somente no dia 4 de maio de 2010 o decreto foi revogado, mas com uma pequena alteração, foi colocada uma taxa mínima de R$ 9.000.00 para a realização de eventos na praça, o que só permitirá a realização de eventos financiados pelo setor privado. Uma medida grotesca e arbitrária que se apresenta como uma ação de aspécto fundamentalmente classista que cria um veirdadeiro estado de exceção para os pobres, e que pretende dar a uma praça pública o mesmo tratamento de um "salão de festas"!
Apesar da pressão popular, não houveram avanços significativos nas negociações e os protestos continuam, como não poderia ser diferente, ganhando cada vez mais a atenção da mídia e do restante da população da cidade. Convido todos os belorizontinos e aos turistas que estiverem de passagem por esta cidade a participarem desta manifestação pacífica e bem humorada! Traga sua roupa de banho e venha se divertir com sua família, exigindo o que é seu de direito!
Não se esqueça de usar o filtro solar!
Para maiores informações conheça o Movimento Praça Livre
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| Foto: Barbara Magri |
A praça que é conhecida popularmente como Praça da Estação, por estar localizada em frente ao prédio da antiga estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, hoje Museu de Artes e Ofícios, é um simbolo na história da capital mineira. Era alí que, no final do século XIX, desembarcavam os materiais, bem como os trabalhadores que ergueriam uma cidade encravada nas montanhas do interior brasileiro, com os ares de modernidade que a recém proclamada república trazia!
A praça que tradicionalmente é um espaço livre para manifestações populares de todas camadas sociais e que há poucos anos sofreu significativa requalificação urbana, num projeto que, dentre outras coisas, deu a este espaço a capacidade de sediar eventos de grande porte, viu sua vida cultural ameaçada, graças ao decreto nº 13.798, de 9 de dezembro de 2009, do prefeito Márcio Lacerda (PSB), que proibe a realização de concentrações populares e artísticas na Praça Rui Barbosa.
Num movimento lúdico, político e performático, não partidário e a favor de uma cultura local e gratúita a população belorizontina, num ato de desobediência civil, passou a fazer da praça a praia que nunca tivemos. Durante as ensolaradas tardes de sábado jovens, adultos e crianças se reuniam na praça, rigorosamente trajados com suas roupas de banho para tomar sol, jogar peteca e frescobol, tocar e ouvir música, cantar, fazer um pique-nique, dançar e tomar banho de caminhão pipa.
A idéia foi espalhada pelas redes sociais e assim aconteceu por mais de 8 semanas, até que no dia 24 de março de 2010 foi realizada uma audiência pública na Câmara Municipal de BH, convocada pelo vereador Arnaldo Godoy para discutir com a população o decreto municipal. Apesar da ausência de altos membros do poder local os manifestantes puderam articular suas preocupações em relação aos usos dados a espaços públicos, e a prefeitura assegurou que a situação seria temporária.
Somente no dia 4 de maio de 2010 o decreto foi revogado, mas com uma pequena alteração, foi colocada uma taxa mínima de R$ 9.000.00 para a realização de eventos na praça, o que só permitirá a realização de eventos financiados pelo setor privado. Uma medida grotesca e arbitrária que se apresenta como uma ação de aspécto fundamentalmente classista que cria um veirdadeiro estado de exceção para os pobres, e que pretende dar a uma praça pública o mesmo tratamento de um "salão de festas"!
Apesar da pressão popular, não houveram avanços significativos nas negociações e os protestos continuam, como não poderia ser diferente, ganhando cada vez mais a atenção da mídia e do restante da população da cidade. Convido todos os belorizontinos e aos turistas que estiverem de passagem por esta cidade a participarem desta manifestação pacífica e bem humorada! Traga sua roupa de banho e venha se divertir com sua família, exigindo o que é seu de direito!
Não se esqueça de usar o filtro solar!
Para maiores informações conheça o Movimento Praça Livre
Belo Horizonte, 14 de fevereiro de 2011
Betto Fernandes


7 Comentários:
Sintam-se à vontade para registrar suas sinceras opiniões. Critiquem, congratulem, concordem ou não, o espaço também é de vocês. Caso queiram receber um boletim anunciando a atualização da minha coluna no Jornal O Rebate, deixe um comentário com seu endereço eletrônico.
Um forte abraço e muita luz a todos!
Om Shanti!
Por
Betto Fernandes, Ã s 14/02/11 04:25
Apoiado. Vou protestar assim que passar por BH!
Por
Bruno, Ã s 14/02/11 14:47
Acho um grande absurdo esses decretos contra eventos na praça. Praia na Praça é uma manifestação criativa e divertida onde lutamos pelo direito à cultura, já fui e adorei. Muito bom ter falado sobre isso, beijos Betto!
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Amanda, Ã s 14/02/11 22:51
Afirmo e firmo embaixo ^^
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Taninha, Ã s 14/02/11 23:36
Bettooo, tah ai uma ótima sugestão para reunir o pessoal da Faculdade =)
Por
Isabela, Ã s 15/02/11 13:26
Causa absolutamente apoiada! O espaço é definitivamente público e não cabem discussões. Sem negociações com o Sr. Prefeito. Bora tomar um sol!
PS: mas alguém tá sabendo alguma coisa sobre eles cortarem a água da praça nesses eventos? Como tá rolando isso?
Por
Felipe Augusto, Ã s 15/02/11 19:51
Então, às 11h e às 17h em ponto ligam-se as fontes que ficam no chão, mas em dia de praia, sabe-se lá por que razão, as fontes não funcionam, aí a galera aluga o caminhão pipa!
Por
Betto Fernandes, Ã s 15/02/11 22:00
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