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13.5.09

A Carta da Terra, um novo recomeço.

Belo Horizonte, 13 de maio de 2009

[ontem, passei a
tarde ouvindo Led Zeppelin, minha banda preferida]


Namastê, meus irmãos!

Anuncio-vos, que a 13 de maio de 2009, às 01:31h da madrugada veio até mim uma energia tão forte que fez-me retornar ao antigo e gostoso lar aqui do Jornal O Rebate. Meu regresso é despretensioso e natural, já que estive ausente por quase dois anos e desde já agradeço a todos que pediram a minha volta e todos que manifestaram carinho por mim e interesse pelo meu trabalho.

Acho honesto eu lhes explicar as razões deste sumiço. Nestes últimos dois anos, vivi experiências extraordinariamente intensas, e me foquei tanto em tentar cuidar de mim mesmo, buscar me entender um pouco melhor, tentar crescer nas adversidades (que foram muitas, diga-se de passagem) que acabei mesmo centrando as atenções em mim e me fechando para os outros. Adquiri novos hábitos (dentre eles a evolução para uma dieta vegetariana), terminei um relacionamento amoroso (iniciei outro) e abandonei vários projetos (dentre eles O Rebate), pois achei que era hora de me calar. Para alguém com tanta vontade de ser ouvido, com tanto desejo em se manifestar, confesso que foi difícil, mas eu sentia que era mesmo a hora de escutar o que só podia ser ouvido naquele momento. Hoje vejo que isso acabou sendo determinante para que eu me afastasse de uma série de pessoas e coisas que
amo, mas também foi crucial pra que eu crescesse como ser humano, então, retorno com o coração leve, pois tenho certeza que passei de forma iluminada pelo momento existencial mais difícil da minha vida, mais um dos tantos ciclos nessa longa caminhada cósmica!

Retorno, sobretudo, pois acredito que eu posso transmitir algumas mensagens que eu sinto que precisam ser passadas. Nosso planeta está em dificuldades, e me enxergo como catalisador (mesmo que pequeno) de uma sociedade global mais justa, sustentável e pacífica. Crei
o estar vivendo um momento importante na história de nossa civilização e decidi me posicionar junto àqueles que se enxergam no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, e compreende que somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. E é assim, como um embaixador da paz, que anuncio a minha volta aos ofícios jornalísticos.



Por enquanto, não apresento nenhum texto, já que sinto se fazer necessária uma pequena reformulação neste espaço, mas gostaria, neste primeiro momento, de dividir com vocês um vídeo (de aproximadamente 21 minutos de duração) em que o teólogo brasileiro Leonardo Boff apresenta A Carta da Terra. A Carta da Terra, que tem sido uma espécie de bíblia pra mim, é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de um mundo que reconhece que os objetivos de proteção ecológica, erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico equitativo, respeito aos direitos humanos, democracia e paz são interdependentes e indivisíveis.

A Carta da Terra - Parte. I [7:08 minutos]

A Carta da Terra - Parte. II [6:26 minutos]

A Carta da Terra - Parte. III [7:16 minutos]

No dia 22 de abril deste ano A Carta da Terra lançou a sua primeira campanha de comunicação no Brasil. Ancorada numa animação de 60 segundos, produzida a partir de desenhos feitos por crianças da Casa do Zezinho, entidade social que visa promover a cultura e educação entre crianças carentes na cidade de São Paulo, a campanha tem como objetivo motivar as pessoas a conhecer a declaração de princípios éticos A Carta da Terra, compreender os seus conceitos e aplicá-los com uma orientação para as suas atividades diárias. Disponibilizo no link abaixo a animação.


A Carta da Terra - Animação [60 segundos]

Espero ter transmitido ao menos uma idéia de qual será a nova cara deste espaço e conclamo àqueles que ainda têm a esperança como sua concepção de futuro, que examinem sem preconceitos o conteúdo da A Carta da Terra. Convido vocês, pra que juntos, façamos deste canal um local de debates respeitosos e evolução coletiva.

- Considerações finais e agradecimentos – [abolição]

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Ontem passei a tarde ouvindo Led Zeppelin, minha banda preferida, e isso me fez um bem que só quem ama o rock and roll, saberia entender. Dedico então aos meus companheiros de banda Séphora. No começo de maio nós fizemos um belo show num grande festival [Camping & Rock] e isso foi meio que um rito de passagem pra nós e já fechamos um outro grande show em Viçosa, no dia 06 de Junho, e estamos pra confirmar outras datas, então a energia é ótima. A banda que de forma independente, se apresentou nas principais casas de Belo Horizonte, arrancando elogios e reconhecimento do público, produtores e músicos da cidade está prestes a gravar algumas de suas composições. Obrigado, meus caros! Séphora é rock and roll, uai!

Hoje comemoro um ano de namoro e gostaria de dedicar esta coluna à Tânia Valias. Só posso lhe agradecer por toda luz e paz, Tanica! Uma menina tão iluminada que posso carinhosamente chamar de meu pequeno raio de sol!

Hoje faz 121 anos que aquela tal princesa assinou a lei da abolição da escravatura no Brasil. Uma data que, em verdade, nada deve-se comemorar, tendo em vista a forma como aconteceu. Espremida por uma tremenda pressão interna, exercida pela sociedade brasileira que já clamava pela abolição, e sob uma pressão ainda maior, exercida pela Inglaterra, que visando aumentar seu mercado consumidor, ameaçava desembarcar seus navios e acabar na força, com a escravidão, ela assinou uma lei que condenou estes ex-escravos a um triste destino. Izabel deveria ter concedido a estes homens, junto com sua liberdade, terras para eles cultivarem e muito principalmente EDUCAÇÃO, pra que pudessem competir em situação de igualdade. Mas não, ela os atirou no último degrau da indigência social, de onde a maioria ainda não saiu. " (...) Repetidas avaliações dos indicadores sociais demonstram que pretos e pardos — as categorias que o censo identifica como afro-descendentes — estão defasados em relação aos brancos nos índices de distribuição de renda, emprego, educação e saúde.”.

Graças ao renascimento dos movimentos negros a partir da década de 70, o centenário da abolição em 1988 representou um momento de reflexão crítica, e não mais uma celebração ufanista. “Eles [os movimentos negros a partir da década de 70] conseguiram emplacar como a data maior da negritude brasileira, não a data da Lei Áurea, mas a da morte de Zumbi, o líder do quilombo dos Palmares. O 20 de Novembro ressignificou o calendário nacional, ganhando adeptos além das hostes negras. Por outro lado, no curso de uma geração, pode-se perceber um importante movimento de descolonização das mentes dos negros, que hoje assumem com mais orgulho sua cor e suas origens”.

* Estas citações foram extraídas do livro Brasil: 500 anos de povoamento / IBGE, 4º capítulo "A presença negra: encontros e conflitos" de João José Reis *

Hoje pra nós, afro-descendentes, é dia de tristeza e revolta. Não podemos apagar de nossa história esta mancha de sangue, suor e lágrimas de pessoas absolutamente inocentes, e não há nada a ser celebrado neste data fúnebre. Celebremos o 20 de Novembro, dia nacional da consciência negra.

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Desejo a todos vocês uma overdose de energias positivas, muita luz, paz e alegrias! Espero que gostem desta nova era, tanto ou mais do que a anterior. Sintam-se à vontade para registrar suas sinceras opiniões. Critiquem, congratulem, concordem ou não, o espaço também é de vocês.

Hasta...

Caso queiram receber um boletim anunciando a atualização da minha coluna no Jornal O Rebate, envie uma mensagem para o seguinte endereço eletrônico: bettofernandes@gmail.com, com o seguinte assunto: Boletim O Rebate.