.

23.1.07

Saddam Hussein, Tiradentes e Duque de Caxias

Por Betto Fernandes


Olá caros leitores!

Antes de qualquer outra coisa, gostaria de agradecer a todos que leram o texto anterior. Tive um retorno satisfatório não só nos comentários registrados, mas também no meu MSN e no meu perfil do Orkut.
Agradeço a todos que investiram seu valioso tempo lendo minha coluna. Sinceramente, muito obrigado!
Espero que o que escrevi tenha soado muito mais do que um texto bonitinho bem construído, espero que tenha tocado fundo o coração de cada um, para que reflexionasse sobre um tema, tão complexo e tão simples: “Estamos condicionados a amar a casca”, repensem.

Nesta nova coluna tratarei de um tema bem polêmico, entretanto, extremamente curioso. Deixando pra trás toda famigerada ilusão natalina e após passar com classe pelo amor, venho através deste texto debater a vida e a morte do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e fazer um paralelo com a vida e morte do Inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, lembrando também, rapidamente, a figura de Duque de Caxias. Por tratar de um tema bem polêmico e extremamente trabalhoso, informo-os que a coluna está um pouco maior do que o normal, mas essa extensão faz-se mais do que necessária para não haver mal entendidos. Compilei o máximo para deixa-la mais agradável e fluente. Esse é o motivo também da demora da publicação, somando-se a tudo isso, os problemas técnicos apresentados pelo meu computador. Mas enfim, aí está, podem se deleitar.

Antes de começar efetivamente, gostaria de deixar claro que a proposta deste texto não é julgar se foi certa ou errada a decisão de findar a vida de Saddam. Venho apenas expor um pouco da vida do estadista iraquiano, que é pouco conhecida, fazendo algumas plausíveis considerações e reflexões acerca do tema. Gostaria de informar também, que não sou partidário das idéias do iraquiano e de esclarecer que história é uma ciência humana e por isso é mutável.

O estudo da história depende do ponto de vista do autor. Recorri na minha biblioteca a vários autores; pesquisei em diversas fontes diferentes; “internetei” de montão. Portanto os fatos aqui descritos e expostos podem e devem ser questionados quanto à veracidade, afinal, isso é história. Essa é a mágica dessa magnífica ciência.

Após estes esclarecimentos iniciais, já que, ao meu ver são indispensáveis, deixemos de lero-lero e vamos logo com isso.


Saddam Hussein

Em 28 de abril de 1937, nascia Saddam Hussein Abd al-Majid al-Tikriti, numa paupérrima e violenta aldeia da cidade muçulmana sunita de Tikrit, situada a aproximadamente 150 quilômetros da capital, Bagdá.

Vindo de uma família de camponeses, o pequeno teve uma infância infernal, com o perdão da palavra. Desde pequeno, Saddam aprendeu como era eficaz a utilização da violência. O pai abandonou a família antes do seu nascimento e a mãe, que trabalhava como vidente, teve de arrumar outro companheiro para se sustentar.

O padrasto, que era vulgarmente conhecido como “Ibrahim o mentiroso”, não era o “substituto” ideal. Relatos documentados nos contam que Ibrahim chegava ao ponto de se divertir surrando o pequeno Saddam com um pedaço de madeira coberto com asfalto. O próprio Saddam já revelou que desde a primeira infância ele evitava o convívio social e para evitar “gozações” por não ter o pai biológico presente, sempre saía de casa armado com uma barra de ferro.

Um tio materno, militar, simpatizante de Adolf Hitler, foi a figura mais importante na formação da personalidade de Saddam, segundo o próprio. E foi graças a este tio, fervoroso nacionalista, que Saddam se mudou para Bagdá.

Aos 19 anos de idade, aderiu ao Partido Socialista Árabe Ba’ath, onde participou ativamente de vários golpes de Estado que fracassaram. Acusado de complô, aos 22 anos foi condenado à morte à revelia, sentença da qual conseguiu escapar fugindo vestido de mulher para o Egito, onde as autoridades locais o concederam asilo político. Já na cidade do Cairo, casou-se com sua prima de sangue, filha do tio que o adotou, terminou os estudos secundários e ingressou na Escola de Direito. Acabou sendo perdoado e voltando a Bagdá, assumindo em seguida, o comando da organização militar do Ba’ath.

Conhecido por admirar o ex-ditador soviético Josef Stalin, Saddam nunca foi um ideólogo, mas apelou muitas vezes ao nacionalismo árabe, ao Islã e ao patriotismo iraquiano para cimentar sua liderança. O ditador de Bagdá começou sua carreira como assassino profissional a soldo do Partido Ba'ath e chegou à chefia da polícia secreta iraquiana do serviço secreto: a terrível Mukhabarat.

No final de 1969, foi nomeado vice-presidente do Conselho do Comando Supremo da Revolução, tornando-se assim o "número dois" do regime, depois do presidente general Al-Bakr, que era seu parente. Em 1979, assumiu os títulos de chefe de Estado, presidente do Conselho do Comando Supremo da Revolução, primeiro-ministro, comandante das Forças Armadas e secretário-geral do partido Ba’ath. Quinze dias depois, uma conspiração surgida entre os membros do partido do recém-nomeado líder máximo do Iraque, terminou com a execução de 34 pessoas, entre elas, membros do Exército e alguns dos mais íntimos colaboradores de Saddam Hussein. Assim, podemos descrever a grosso modo, sua ascensão ao poder.

Há relatos de que o ditador tinha uma personalidade muito excêntrica, era um maníaco em higiene, apreciador de torneiras de ouro, tinha 23 palácios para uso pessoal, jamais dormia duas noites no mesmo local, jamais comia algo que não tivesse sido testado e provado por gente de sua confiança, era um grande colecionador de chapéus, especialista e exímio degustador de bebidas alcoólicas, amante da gastronomia e adorava lagostas e vinho português. Centenas de obras foram edificadas em sua homenagem e nas escolas as crianças entoavam músicas como: “Saddam, ó Saddam, você carrega a alvorada da nação em seus olhos”. E mesmo com toda essa excentricidade e com todo poder nas mãos, ele somente ganhou popularidade e os noticiários dos jornais de todo o mundo, quando alegou ser descendente direto dele mesmo. Parece estranho, mas ele se proclamou reencarnação literal de Nabucodonosor II, que foi um grande rei que viveu de 632 a.c. até 562 a.c. e governou durante 43 anos o império Neo-babilônico.

No poder, o ditador iraquiano que era fã de Stalin, adotou uma política de culto à personalidade, muito característica de países com políticas autoritaristas. Eram fotos e cartazes que estampavam seu rosto por todo o Iraque, elaborou a criação de uma imagem de islamita devoto e de bom pai, (embora fosse considerado cético do ponto de vista religioso e apreciasse bebidas alcoólicas, proibidas pelo Islã), eliminou todo tipo de oposição política e censurou a imprensa. Durante a primeira Guerra do Golfo, travou duras batalhas contra o Irã. Acredita-se que a luta era motivada pela expansão xiita que ocorria no Irã e ameaçava invadir o Iraque. A população xiita iraquiana, que era maioria, com seus ideais islâmicos ameaçava o poder e a disputa territorial serviu de pretexto para as hostilidades, que duraram oito anos. Mesmo tendo o apoio da extinta União Soviética, EUA, Kuwait, Arábia Saudita e outras nações árabes, a guerra chegou ao fim somando mais de um milhão de mortos e sem um vencedor declarado. Na segunda Guerra do Golfo, de 1990, as batalhas foram travadas contra um ex-aliado na primeira guerra, o Kuwait. Motivado por interesses políticos, que estavam relacionados à comercialização do petróleo e interessado no território do Kuwait, Saddam ordenou que as tropas iraquianas anexassem o país vizinho ao território iraquiano. Apenas um ano depois, uma coligação internacional liderada pelos EUA (então governados por George Bush, pai) obrigou o Iraque a retirar-se do Kuwait. Com o fim da guerra, Saddam “teve que engolir” o embargo econômico proposto pela ONU e além disso, reprimir revoltas por todo o Iraque. Entretanto, nem a debilitada situação econômica, nem o pós-guerra comprometeram a vitória da Saddam nas urnas. No primeiro plebiscito da história iraquiana, Saddam detinha 99,96% das opiniões de voto. Apesar dos pesares, apesar da suposta fraude no plebiscito, o apoio popular era surpreendente.

Na década de 90 a população iraquiana padeceu muito, sofrendo com as sanções econômicas impostas pela ONU. Mas somente em 2001, em resposta aos ataques de 11 de setembro, o Iraque sofreu retaliações mais eficazes e iniciou oficialmente a terceira Guerra do Golfo, a famosa Guerra do Iraque.

O presidente dos EUA, George Walter Bush, incluiu o Iraque no famoso “eixo do mal”, iniciando assim, a campanha militar contra o país. Bush acusou o Iraque de ter, ou desenvolver armas de destruição em massa e esse é o pretexto que ainda veicula.

Em 2003, Bush moveu contra Saddam uma guerra para tira-lo do poder. Saddam foi expulso do poder pelas tropas americanas e britânicas, numa guerra não autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU. Seu paradeiro era desconhecido até o final de 2003, quando Saddam foi encontrado dentro de um buraco armado com uma pistola e duas metralhadoras AK-47 e de porte de US$ 750,000,00. Entregou-se pacificamente após uma tentativa de suborno de seus captores: “sou Saddam Hussein, presidente do Iraque e quero negociar”, propôs em inglês.

Depois disso, foi julgado e condenado à pena de morte por enforcamento, acusado de cometer crimes contra a humanidade. O mais curioso, é que mesmo depois de os defensores de Saddam argumentarem que o julgamento carecia de neutralidade e propuserem um julgamento num tribunal internacional, com juizes de várias nacionalidades, quem interviu no julgamento de Saddam foi o povo ocidental, principalmente as altas forças dos EUA.

Mas a vida de Saddam não foi apenas feita de guerras. Ele também se dedicou à literatura, lançando alguns romances que viraram best-sellers. Podemos citar o primeiro romance, intitulado Zabibah e o Rei, que devido ao tamanho sucesso virou um musical no Iraque. Teve mais uma esposa além de sua prima e teve ainda dois filhos varões, Uday e Qusay, que eram considerados as forças mais influentes no regime de Saddam e foram assassinados em 2003 por disparos das forças americanas, após terem sido entregues em troca de uma quantia de US$ 15 milhões por cada um deles.

No dia 30 de dezembro, às 6 horas da manhã, horário do Iraque, aos 69 anos, Saddam Hussein foi enforcado. A televisão estatal iraquiana exibiu a sentença ao vivo e Saddam se recusou a usar capuz preto na hora da execução, preferindo morrer com o rosto à mostra. Com uma câmera de um celular, ilegalmente, uma das testemunhas filmou e divulgou na internet a execução do ex-ditador. O curioso é que a morte de Saddam ficou fora da famosa e sensacionalista retrospectiva que a Rede Bobo, quero dizer, Rede Globo de Televisão exibe todo ano, já que o programa foi ao ar antes do fato. Imprime-se uma pergunta, ano que vem eles exibirão a morte? Ou se perdeu para sempre este importante fato? Vamos esperar pra ver.

Resumidamente, posso expor desta forma a biografia do ex-ditador iraquiano. No entanto, como havia mencionado no início do texto, proporei algumas reflexões e farei um paralelo, mesmo que distante, com Tiradentes e com Duque de Caxias. Então, vamos lá!


Tiradentes

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, recebeu este apelido por ter aprendido o oficio com um tio que era cirurgião dentista. Além de dentista prático, foi tropeiro, mascate, herborista, minerador, comerciante, militar e ativista político.

Nascido na fazenda do Pombal, em Minas Gerais, ficou órfão de mãe aos nove anos e de pai aos onze. Não fez os estudos regulares. Atuou grande parte da vida como militar, alcançando o posto de alferes e fiscalizando a Estrada Real. Tiradentes se destaca por seu envolvimento com a Inconfidência Mineira. Um movimento que envolveu as altas camadas de influência da capitania, incluindo forças do clero e pessoas com grande projeção social e que dentre outras coisas, buscava a independência da capitania das Minas Gerais bem como a criação de uma república (nunca foi proposto pelos inconfidentes a independência do Brasil como um todo), a criação de uma universidade em Vila Rica, atual Ouro Preto, (na época, sede da capitania), criar indústrias e mudar a sede da capitania para São João Del-Rei. Além disso, a Inconfidência Mineira não visou a abolição da escravatura. Ligar os ideais franceses de liberdade, igualdade e fraternidade diretamente à Inconfidência Mineira pode ser fanatismo demais.

Tiradentes ajudava o movimento fazendo propaganda e pregando os ideais por onde passava.

Um dos inconfidentes, Joaquim Silvério dos Reis, delatou o movimento em troca do perdão de uma grande dívida que ele tinha com a Fazenda Real. Decretada a prisão dos participantes, Tiradentes fugiu para a casa de um amigo no Rio de Janeiro, entretanto, foi novamente delatado pelo mesmo Joaquim Silvério dos Reis, que pelas delações, dentre outras coisas, recebeu o título de fidalgo. Tiradentes foi condenado à forca por ter sido o único do movimento que assumiu responsabilidade pela Inconfidência, por ser o de menor posição social e por não ser casado. Aos demais a pena foi o degredo para a África. E assim, numa manhã de sábado de 21 de abril de 1792, no largo da Lampadossa no Rio de Janeiro, Tiradentes morreu de morte natural pela forca e para sempre. Seu corpo foi esquartejado, com seu sangue lavrou-se a certidão de que estava cumprida a sentença, seus bens foram confiscados, sua casa foi queimada e o terreno salgado, para que nada mais crescesse, seus descendentes e sua memória foram declarados infames, pedaços do seu corpo foram deixados pelo caminho onde ele pregava a Inconfidência e a cabeça foi espetada num pau na praça principal de Vila Rica.

Durante o império, a figura de Tiradentes ficou obscura, já que os imperadores eram descendentes diretos da Rainha Dona Maria I, que ordenou a sentença de Tiradentes. Anos mais tarde, com a proclamação da República, a biografia de Tiradentes foi mitificada. Era preciso criar heróis para a nação e ninguém melhor do que militares para ocupar estes cargos, já que quem proclamou a república foi o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca. Assim, a imagem de um Tiradentes cabeludo, barbudo, quase um cristo, que lutava pela libertação da pátria, foi cuidadosamente forjada.

Quando militar, o máximo que Tiradentes poderia usar era um tímido bigode, e os cabelos sempre curtos. Na prisão, para evitar problemas com piolho, os prisioneiros eram submetidos a terem as cabeças raspadas e as barbas feitas. Tiradentes morreu careca e com a barba feita. Tiradentes hoje é considerado Patrono Cívico do Brasil, sendo a data de sua morte, 21 de abril, feriado nacional.


Duque de Caxias

Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, nasceu em 1803 na fazendo São Paulo, no município fluminense de Porto da Estrela, hoje Duque de Caxias. Pouco se tem de registro documental da infância de Duque de Caxias, sabe-se que era filho de um marechal e que estudou no convento de São Joaquim. Com 15 anos matriculou-se na Academia Real Militar, com 18 anos foi promovido a Tenente e integrou a elite do Exército do Rei. Recebeu das mãos do próprio Dom Pedro I a bandeira recém criada do império. Com 21 anos, após sucesso numa represália contra um movimento de independência na Bahia, recebeu o título de Veterano da Independência. Aos 23 anos recebeu o título de Capitão e após sucesso na campanha Cisplatina, recebeu uma série de condecorações e o posto de Major. Com 30 anos de idade o Major Luis Alves de Lima e Silva se casa com uma senhorita de 16 anos de idade. Já com 34 anos foi promovido a Tenente-coronel e foi escolhido para “pacificar” o movimento da balaiada no Maranhão. Com 36 anos, por uma carta imperial, é nomeado Coronel e presidente da província do Maranhão e Comandante Geral das forças em operação. Aos 37 anos foi nomeado veador de suas altezas imperiais. Com 38 anos foi nomeado Barão de Caxias (Caxias, porque o município maranhense era a segunda maior importância na balaiada e ele conseguiu “pacificar” a região). Aos 39 anos, após reprimir com sucesso um levante em São Paulo, é nomeado Brigadeiro. Um mês depois é deslocado para Minas inibindo mais uma revolta. Pelos relevantes serviços prestados é promovido ao posto de Marechal-de-campo, com menos de 40 anos de idade.

No mesmo ano foi deslocado para “pacificar” a Guerra dos Farrapos que grassava no sul do império. Com o fim da Guerra dos Farrapos, é nomeado Marechal Barão de Caxias, Conselheiro da Paz e O pacificador do Brasil. Ainda recebeu os títulos de Marquês de Caxias e foi graduado a Marechal-do-exército. Caxias sempre foi um militar exemplar, muito considerado por seu alto amor à pátria Brasil e por conseguir “pacificar” regiões sem derramamento de sangue, era um verdadeiro gentleman. Muitas de suas investidas em território nacional merecem ser glorificadas, entretanto na Guerra do Paraguai, com a Tríplice Aliança entre Brasil, Uruguai e Argentina é que ele se mostrou um verdadeiro servo da xenofobia.

A citada guerra foi o maior e mais sangrento conflito armado internacional ocorrido no continente americano, somando mais de 60 mil mortos brasileiros, em que muitos homens foram obrigados a guerrear. Documentos nos indicam que cerca de 90% da população paraguaia do sexo masculino foi dizimada na guerra. Caxias não perdoou nem mulheres nem crianças.

O Paraguai atravessava uma fase fantástica na economia e a derrota marcou uma reviravolta na história do país. Se o Paraguai é hoje uma republiqueta miserável, muito deve-se à Guerra do Paraguai e ao Duque de Caxias. Caxias amava muito o nosso Brasil, isso é fato. Amava tanto, ao ponto de na Guerra do Paraguai não perdoar nem os civis paraguaios, nem mulheres e crianças.
Outro fator negativo, foram os empréstimos internacionais que o Brasil fez para guerrear, a famosa dívida externa. Depois da guerra, Caxias foi elevado a Duque, sendo o único Duque brasileiro. Duque de Caxias hoje é considerado o maior militar brasileiro, Patrono do Exército Brasileiro e herói nacional. Tem uma série de monumentos erguidos em seu nome e até na cédula brasileira seu rosto já foi estampado.


Reflexões

Ponho-me a refletir acerca de algumas questões. Saddam foi enforcado assim como Tiradentes. Será que um dia se tornará herói? Nós ainda temos a retrograda e preconceituosa cabeça do século XVIII? Quem pagará pelos crimes cometidos contra Saddam?

Não questiono a pena de morte, questiono o enforcamento. Será que uma injeção letal não seria mais adequada? Matando-o enforcado não estamos causando dor e sofrimento? Não foi por isso que Saddam foi condenado? Estamos nos divertindo com a desgraça alheia? A maioria que se diz cristão não se choca com a pena de morte? Foi isso que Jesus Cristo nos ensinou? É isso que ouvimos nas missas? Duque de Caxias não exterminou pessoas inocentes como Saddam?

Até que ponto temos o direito de exportar a nossa “democracia” para outras realidades como a do oriente médio, por exemplo? Alguém enviaria homens e colocaria tanques e aviões no meio da floresta amazônica se a tribo dos ianomâmis estivesse sob o domínio dum cacique ditador? Se não, seria porque a tribo ágrafa, perdida na floresta não interfere nos objetivos econômicos das potências capitalistas? São questões que me ponho a refletir e convido-os para pensar também.

Agradeço a todos a paciência ao ler esta longa coluna.

Sinceramente, obrigado a todos vocês que conseguiram finalizar esta leitura. Espero que tenham gostado e aproveitado. Fiquem à vontade para comentar o texto. Congratulem, reclamem, questionem, xinguem... O espaço é de vocês!

Obrigado e até a próxima. Força e honra a todos vocês!

Paz!




Revisão: Fabrício Machado / Bárbara Gonçalves

6.1.07

Apenas Mais Uma de Amor

Por Betto Fernandes

Refletindo sobre como os seres humanos, do sexo masculino, relacionam-se com o amor durante suas vidas, eu resolvi escrever este texto. Este é muito mais do que um texto, é um manifesto que dá início a um movimento que rodará o nosso Brasil varonil. Enviarei o link deste texto para todos os meus contatos, e peço que os que leiam assim também o faça. No final deste texto, na área de comentários, peço que deixem sua assinatura, para que, como num abaixo assinado a gente possa mobilizar-nos por um mundo mais humano. Mais amoroso em todos os aspectos. Um mundo mais feminino. Dou início aqui ao Movimento pelo Amor.

Este humilde, entretanto, emocionante texto eu dedico especialmente à minha amada Rosceli Vita, que muito me ensinou sobre este íntimo segredo que é amar e à Rose, nossa web designer, que amorosamente na edição passada do Jornal O Rebate, foi-me muito gentil, demonstrando-me como é ser realmente humano.


Apenas Mais Uma de Amor


Quando o dia nasce em nossas vidas, com o primeiro raio de sol, saímos do ventre de uma mulher lindíssima, que muito nos amou antes mesmo de nos conhecer, um amor incondicional, um amor real! Um amor frutífero, simplesmente amor. Amor puro. Amor este, muito típico das mulheres. E não pense você, abelha, que estou me referindo apenas ao amor materno, pois se fosses flor, entenderia que estou me referindo à grandiosa capacidade que as mulheres tem de amar! Amar com toda a pureza que o amor permite. Amar! Simplesmente, amar!
Nós homens, quando crianças, quando estão desabrochando os primeiros botões de flores na primavera de nossas vidas, esquecemos aquele amor platônico por nossa professora, e “amamos” aquela garota mais linda da nossa escola. Pensamos que ela é a mais linda entre todas as mulheres do mundo, só porque ela é a mais popular do colégio, mas sequer criamos coragem de deixar que nossas palavras cheguem aos ouvidos de nossa “mulher perfeita”, e afirmamos inocentemente, “eu amo aquela irmã do Pedro, aquela menina da 301, nunca amei ninguém desta forma”, e realmente nunca “amou” mesmo, nem pouco nem muito, realmente nunca “amou” ninguém. E sem sequer saber o nome e nunca ter falado uma palavra sequer, amamos aquela menina!


Quando pré-adolescentes, mal fomos desmamados, mas o verão nos anima e mais uma vez “amamos”. A vítima agora é aquela garota que não é bonita, mas que nossas idéias e convicções são as mesmas, se é que, atualmente, um garoto de 12 anos tem idéias e convicções. Por muitos motivos acreditamos que o amor é verdadeiro: ela não é a mais bonita, então a atração não é carnal; por sabermos não só o seu nome, mas o nome de seus pais, irmãos e parentes próximos, então a história não é por falta de conhecimento; por já conversarmos com ela e adorarmos seus papos, ela é fantástica; por ela morar na rua de cima de nossa casa, somos como o sol e a lua; afirmamos de boca cheia, “eu amo a Paulinha de verdade, ela é a garota que mais me entende”, e realmente ela é a garota que mais nos entende, afinal nunca conversamos com mais nenhuma garota, senão a Paulinha.

Quando adolescentes, é meio dia em nossas vidas, o sol está a pino e, vigorosamente, ”amamos” . Quem está na mira de nossos grossos calibres é aquela garota que é bonita, mas que a sua beleza não se compara ao seu corpo escultural, a guria é gostosíssima, um ano mais nova do que nós ela está no auge dos seus 15 anos, e além do mais não é como as outras garotas do colégio, ela tem um brilho diferente no olhar que nos enlouquece. Com esta garota temos a nossa primeira relação sexual, “que ela nunca saiba disso”, temos total certeza que ela é a mulher da nossa vida, ela é bonita, gostosa, inteligente, muito prestativa, educada... a nora que nossas mães pediram a Deus. Parece que será a última namorada que vamos ter, somos capazes de matar e morrer por elas, (pelo menos é o que dizemos). Até que o tempo vai se passando, o sol de meio dia vai nos queimando, o outono vem com sua maldade natural, derrubando as folhas e flores e a relação com os amigos e familiares, vai se tornando cada vez mais distante. É quando queremos ir a um show de rock com os amigos pra encher a cara, bater cabeça, e curtir sem mulher pra relembrar os velhos tempos, e a Renata quer ficar em casa vendo novela e namorando. Quando, definitivamente, o outono desponta, percebemos que não soubemos administrar o amor e que mantemos uma relação de escravidão, tudo cai por terra! A mulher ideal não passa de uma garota legal, mas que não pode dar certo ao nosso lado e aquela famosa frase aparece, “podemos ainda ser bons amigos”. Juramos a nós mesmos que mulher é só pra curtição a partir do fim do namoro com a Renata, nos prometemos que seremos livres de verdade e poderemos vadiar à vontade. “Porque mulher nenhuma presta, mesmo!”. “Mulher é mulher, cara! Entende isso!”. Nossa cabeça não pensa em confinamento nessa época. Somos borboletas em metamorfose! Ficamos bons dias sozinhos! Realmente vale a pena estar sozinho. A amizade fortalece e conhecemos os verdadeiros amigos nesta fase, vadiamos e corremos atrás de sexo como um cão que está no cio. Não queremos nem saber o que se passa nessa cabecinha de mulher.

Até que, naturalmente, o sol vai declinando e o pôr-do-sol se aproxima. Nos tornamos adultos e achamos que poderemos fazer coisas ainda melhores do que fazíamos, é aí que aparece uma famosa frase, “grandes poderes, trazem consigo, grandes responsabilidades”! Antes, na mocidade, escondíamos dos nossos pais os boletins, falsificávamos as assinaturas das ocorrências, e das provas com notas baixas, agora não temos mais estes problemas, hoje o herói agüenta o peso das contas do mês, passa muita raiva no telhado ajeitando antena da televisão, range os dentes agüentando diariamente a chateação do chefe, deseja a morte se espremendo na condução lotada, parada no engarrafamento, e engolimos todos os sapos, tão comuns na fase adulta e saudosamente nos lembramos de nossa infância ao ver os pequenos brincando, se sujando como uns doidos, recortando, colando e pintando os desenhos de para-casa. Desejamos, mais uma vez, a juventude. Olhamos com pesar e arrependimento para os anos que já foram. Não é fácil, mas continuamos.

Quando homens feitos, a boca da noite está prestes a nos engolir, estamos perto de chegar à foz do rio da vida e sabemos que não temos mais força para remar até a nascente, o inverno nos endurece, então, desesperadamente, “amamos”. Amamos aquela mulher que trabalha na mesma empresa que nós, cabeça feita, ela não é nenhum ícone de beleza, mas sabe se vestir bem, se portar em várias ocasiões, tem um papo agradável, entende de arte, é simpática com seus amigos e familiares. Será a mulher perfeita? O que falta a ela? A ela não sei, mas a nós, mais uma vez, falta-nos amor... E apesar de nossa grande experiência, algumas coisas atrapalham. Os valores não são os mesmos, a religião é diferente, ela não gosta de futebol, ela é desiludida com a política, ela gosta e entende de arte, mas não está querendo saber se fulano é um ícone, ou se cicrano é renomado, ela quer é curtir. Os valores pessoais não são iguais, as perspectivas de vida destoam um pouco, e com tantas diferenças, aquele relacionamento vai pro lixo e nosso descrédito com as mulheres aumenta consideravelmente. Acreditamos que ninguém é perfeito, e casamos-nos com a primeira mulher que diz que nos ama, e com ela constituímos uma família.

Depois de casados, completamente retesos, alquebrado, ao desmaiar do dia, refletimos que nossa atual esposa nos ensina, nos entende, nos dá tesão e nos ama bem menos do que nossa professora, do que aquela menina lindinha da 301 irmã do Pedro, do que a Paulinha que nos amava tanto e que combinava tanto com nossos gostos, do que a Renata que parava o trânsito e do que aquela nossa colega de trabalho tão atraente. Mas só percebemos isso depois de velhos, depois de fazer nossa mulher sofrer e chorar muito por nossa culpa, depois de faze-la de gato e sapato, depois de desagradar aquela que tanto nos ama e, somente por isso, ainda está conosco. Nós só percebemos isso depois de traí-la com qualquer rapariga. Só percebemos isso depois de nos curvarmos à máxima de que homem é tudo igual, infiel, machista, ninfomaníaco, sem nenhum romantismo... E é neste momento, que nos recordamos que nós vivemos a vida inteira na infelicidade procurando a mulher perfeita, que não existe. Não existem homens, nem mulheres, nem crianças, nem ninguém perfeito neste mundo. Se nós pensarmos assim, seremos muito felizes durante toda nossa vida, não viveremos procurando defeitos na outras pessoas e estaremos do lado de boas mulheres que com certeza nos amarão muito, pois elas têm esse dom de amar. Vamos herdar das mulheres, este magnífico dom de amar! Esse é o segredo da vida, amar a imperfeição.

Sabendo que não é perfeito, nunca se ache demais, porque tudo que é demais sobra, e tudo que sobra é resto, e tudo que é resto vai pro lixo. Nossa missão é muito simples, amar a imperfeição. Simplesmente, amar a imperfeição!

Faça a sua parte por um mundo melhor!

Belo Horizonte, 04 de janeiro de 2007.

Hartelijke Kerstroeten!

Por Betto Fernandes

Já que ainda estamos no ciclo natalino, que só se finda no dia 6 de janeiro, dia de Reis, cabem algumas reflexões e análises sobre este tradicional período.

Hartelijke Kerstroeten! Para os conhecedores do Holandês não preciso explicar estas palavras, para quem não entende tal idioma, traduzo: Feliz Natal!

Há muitos anos os cristãos repetem essa frase, em vários idiomas... Aqui no Brasil, essa data é difundida nacionalmente. As cidades se enfeitam com árvores de natal, para todo lado, imagens do bom velhinho, das renas, de velas e da estrela, dos presépios, podem ser vistas em todo lugar. As luzes aos montes iluminam as cidades. O hilário é que entramos em horário de verão, pra economizar energia. Todos se consumindo, tendo de acordar uma hora mais cedo e as pequenas lâmpadas ficam a noite toda numa piscadela infindável, viram a noite consumindo energia elétrica e logicamente é dinheiro do povo indo embora! Mas isso não tem importância, afinal é natal e é tempo de perdoar! Afinal isso movimenta tanto a nossa economia e as cidades ficam tão lindas! Eu não sei nem o porque de não aderir às luzes e ao horário de verão o ano todo! E o famigerado amigo oculto ou amigolate? É um do trabalho, outro da família, outro dos amigos, outro da pelada, outro da escola dos filhos... Este, por seu tradicional insucesso dispensa qualquer tipo de comentário!

O natal é um momento onde o consumismo atinge seu ápice. Afinal, são muitas as pessoas que temos de presentear. O pai, a mãe, o companheiro, os amigos, os filhos, o padrinho, a amante, a tia, a avó, o bisavô, o papagaio, o cachorro, a prima da vizinha, o tio do amigo do irmão... Datas como o dia das mães, dia dos pais, dia dos namorados, páscoa, entre outras, é muito mais seleta a lista dos presenteados, natal não! Até mesmo os antinatalinos dão um presentinho aqui, outro acolá, um cartãozinho pra mãe, outro pra namorada, penduram uma guirlanda na porta de casa, armam uma arvorezinha e um pequeno presépio, perdoam aquele tio chato e beberão, contam para os filhos a historinha do papai Noel e seus presentes... Logo depois do dia 25, mais uma vez, as lojas se enchem de pessoas que vão trocar os presentes mal escolhidos. É a cor da camisa que não agradou, ou o tamanho do vestido que não foi o ideal, ou o modelo da sandália que não satisfez...

Uma das mais coloridas celebrações da humanidade, o natal surge na distante idade média, onde a Santa Igreja Católica introduziu o natal no calendário cristão em substituição a uma antiga festa do império romano, a festa do deus Mitra, que em pleno inverno no hemisfério norte, celebrava a volta do Sol. A adoração a Mitra, divindade persa que se aliou ao sol para obter calor e luz em benefício das plantas, foi introduzida em Roma no último século antes de Cristo, tornando-se uma das religiões mais populares do Império.

A data conhecida pelos primeiros cristãos foi fixada pelo Papa Júlio 1º para o nascimento de Jesus Cristo, como uma forma de atrair o interesse da população. Pouco a pouco o sentido cristão modelou e reinterpretou o Natal na forma e intenção. Hoje temos o natal com uma roupagem e um simbolismo nada tropical e fortemente estadunidense. Neve, papai Noel vestido com roupas de lã e botas, trenós, renas...

Pouco ou nada do nosso Brasil encontramos nas comemorações natalinas, as simbologias natalinas têm significados popularmente desconhecidos. Desde a sua origem, o Natal é carregado de magia. O drama religioso medieval ganha modificações no decorrer dos séculos. Na evolução da história está a compreensão de todos os símbolos de Natal:

Árvore de natal - Representa a vida renovada, o nascimento de Jesus. O pinheiro foi escolhido por suas folhas sempre verdes, cheias de vida. Essa tradição surgiu na Alemanha, no século XVI. As famílias germânicas enfeitavam suas árvores com papel colorido, frutas e doces. Somente no século XIX, com a vinda dos imigrantes à América, é que o costume espalhou-se pelo mundo.

Presentes - Simbolizam as ofertas dos três reis magos. Hábito anterior ao nascimento de Cristo. Os romanos celebravam a Saturnália em 17 de dezembro com troca de presentes. O Ano Novo romano tinha distribuição de mimos para crianças pobres.

Velas - Representam a boa vontade. No passado europeu, apareciam nas janelas, indicando que os moradores estavam receptivos.

Estrela - No topo do pinheiro, representa a esperança dos reis-magos em encontrar o filho de Deus. A estrela guia os orientou até o estábulo onde nasceu Jesus.

Cartões - Surgiram na Inglaterra em 1843, criados por John C. Horsley que o deu a Henry Cole, amigo que sugeriu fazer cartas rápidas para felicitar conjuntamente os familiares.

Comidas típicas - O simbolismo que o alimento tem na mesa vem das sociedades antigas que passavam fome e encontravam na carne, o mais importante prato, uma forma de reverenciar a Deus.

Presépio - Reproduz o nascimento de Jesus. O primeiro a armar um presépio foi São Francisco do Assis, em 1223. As ordens religiosas se incumbiram de divulgar o presépio, a aristocracia investiu em montagens grandiosas e o povo assumiu a tarefa de continuar com o ritual .

Assim, o natal atravessa os séculos e cada vez mais, encrava-se no coração dos cristãos, e continua anualmente sendo esperado pelas crianças de todo o mundo! Festejo que reúne a família e alimenta a esperança dos homens por um mundo melhor! Uma época de grande lucro para o comércio, entra ano e sai ano é sempre a mesma história!

Você deve estar se perguntando: “qual a simbologia do papai Noel?”, “Porque eu desejei-lhes feliz natal em holandês?”. Pois é aí que surge a história do bom velhinho:

A figura do Pai Natal tem origem na história de São Nicolau, um santo especialmente querido pelos cristãos ortodoxos e, em particular, pelos russos. São Nicolau, quando jovem, viajava muito. Por onde passava ficava na memória das pessoas devido a sua bondade e o costume de dar presentes às crianças necessitadas. Conta-se que o primeiro presente que o Papai Noel deu foram moedas de ouro, entregues a três meninas pobres. Assim, a devoção por S. Nicolau estendeu-se para todas as regiões da Europa. Entretanto a Reforma Protestante fez com que o culto a São Nicolau praticamente desaparecesse da Europa, com exceção da Holanda, onde sua figura persistiu como Sinterklaas, adaptação do nome São Nicolau. Colonizadores holandeses levaram a tradição consigo até New Amsterdan (a atual cidade de Nova Iorque) nas colônias norte-americanas do séc. XVII. Sinterklaas foi adotado pelo povo americano falante do Inglês, que passou a chamá-lo de Santa Claus - em português, Pai Natal. A imagem do Papai Noel como conhecemos hoje, foi criada em 1931 por um sueco beberrão chamado Haddon Sundblon, numa tentativa extremamente bem sucedida da Coca-Cola em conquistar o público infantil. Pensavam agarrar rapidamente a próxima geração de consumidores, assim a Companhia investiu na publicidade dirigida a menores de 12 anos. Esse aspecto acabou por reformular a cultura popular americana. Antes das ilustrações de Sundblon, o santo do Natal foi variadamente vestido de azul, amarelo, verde ou vermelho. Na arte européia ele era em geral alto e magro, ao passo que papai Noel já foi descrito até como um elfo.

No meu Brasil, as agências dos correios receberam milhões de cartinhas de crianças pobres que pediam presentes para Papai Noel. Quem teve vontade pôde ser o papai Noel destas criancinhas. Eu também fiz a minha parte, e tinha cada pedido inacreditável, um mais humilde que o outro. Tinha criança que pedia um panetone de natal, tinha outra que pedia uma blusa de frio para a avó, e outra pedia material escolar para estudar em 2007! Esse é o Brasil que nós vivemos...

Lembro-me de uma piada que ouvi numa roda de amigos há alguns dias e faço questão de compartilhar... Essa piada que me levou a escrever esta coluna!
"Papai Noel chega no sertão nordestino no dia de natal. Chegou com aquela cara de cansaço, pois teria de presentear todas as criancinhas do mundo. Logo ao chegar com suas renas e seu trenó lotado de presentes, as esquálidas crianças, com suas barrigas cheias de lombriga e os narizes escorrendo meleca, o recebem felizes e saltitantes:
- Paínho Noel! Paínho Noel! O que você trouxe pra gente, Paínho Noel? Trouxe comida ou água, Paínho Noel?
Sorridente o velho gordo responde:
- Hô, hô, hô, meus filhinhos! Trouxe sim, trouxe comida!
- Êêêêêêêê! – gritaram felizes, as criancinhas. – O que você trouxe, Paínho Noel?
O olhar dos pequenos era incrível, a felicidade brilhava em seus olhos à medida que suas bocas já salivavam esperando a comida. Papai Noel olhou-os bem e respondeu:
- Papai Noel trouxe leite em pó!
Fez-se um silêncio mórbido por alguns segundo que só foi quebrado pela risada sacana do velho gordo!
- Foi apenas uma piada para alegrar um pouco o natal de vocês, meus filhinhos, pois este ano não trouxe presentes para vocês!
A crianças desesperadas, aos prantos, questionaram porque não seriam presenteadas. Imediatamente, com uma voz professoral o bom velhinho responde:- Criança que não come direitinho durante o ano, não merece presente de natal!"

Feliz Natal! Hartelijke Kerstroeten! Belo Horizonte, 29 de dezembro de 2006.