Césio-137, 20 anos após o maior acidente radioativo do Brasil
Por Betto Fernandes
Caros leitores, depois de mais uma longa temporada ausente, retorno ao glorioso ofício jornalístico e espero poder manter uma regularidade. Mesmo sem escrever novos textos, vez ou outra chegavam até mim, mensagens sobre as colunas já publicadas, grande parte delas, elogiando os textos. Agradeço a todos que investiram seu precioso tempo em prestigiar meu singelo trabalho. Apesar da enorme autocrítica que tenho com minhas produções, me sinto feliz, de certa forma, com estas manifestações de carinho e admiração. Obrigado mais uma vez! Muita luz a todos vocês!
Para os que me questionaram o motivo do meu afastamento do jornal O Rebate, a razão é nobre. Como sabem, tenho apenas 20 anos de idade, e, como a maioria dos jovens da minha idade, estou me preparando para prestar vestibular. O curso escolhido é o de licenciatura em história, na Universidade Federal de Minas Gerais. Soma-se a isto, o meu trabalho, muitas vezes estafante, apesar de prazeroso e igualmente nobre. O pouco tempo que me resta uso para realizar as minhas funções vitais e fisiológicas. Contudo, esta semana tive uma folga no trabalho e estou usando este tempo para escrever para vocês.
Escrevo aqui, motivado pelo aniversário de 20 anos do acidente radioativo acontecido em Goiânia, no dia 13 de setembro de 1987, por uma cápsula do radioisótopo de cloreto de césio, de número atômico 137. Não poderia deixar este fato passar em branco, já que este é o maior acidente radioativo do Brasil e o maior radiológico do planeta. Soma-se a isto a discussão da implantação ou não da Usina Nuclear Angra 3.
Ofereço este ao meu grande amigo e Editor Geral do Jornal O Rebate, o senhor José Milbs, que sempre apoiou e prestigiou o meu trabalho e meu deu todo respaldo necessário. Obrigado, Milbs!
O acidente Césio-137
Pois bem, a cápsula de cloreto de Césio (CsCl), produzida nos Estados Unidos, era utilizada como fonte de radiação para a máquina de radioterapia da Santa Casa de Misericórdia. Durante anos, o equipamento hospitalar fora utilizado para irradiação de tumores ou materiais sanguíneos. Em 1985 o equipamento foi desativado e abandonado numa edificação do Instituto Goiano de Radioterapia.

Dois catadores de sucata invadiram o prédio abandonado e observaram um volume muito pesado, constatando ser chumbo. Venderam o material para o dono de um pequeno ferro-velho que, vendo a luminosidade estranha e bonita da pedra, fez um anel para a sua esposa. Devido à alta intensidade de raios gama, teve seu braço amputado no dia seguinte. Para o reaproveitamento do chumbo, o dono do ferro-velho rompeu a cápsula e expôs ao ambiente 19,26g de cloreto de césio, um sal muito parecido com sal de cozinha, mas que emite uma luminosidade azulada na ausência de luz. Admirado com a beleza do material, distribuiu para parentes amigos. Algumas horas depois da exposição ao material altamente radioativo, as pessoas começaram a apresentar sintomas como náuseas, seguidas de tonturas, com vômitos e diarréia.
Houve uma grande demora na detecção do problema. Os profissionais de saúde, vendo os sintomas, pensaram tratar-se de algum tipo de doença contagiosa desconhecida, medicando os doentes sintomaticamente. A esposa do dono do ferro-velho, desconfiada que o problema estava relacionado ao pó que emitia um brilho azulado, levou o material à vigilância sanitária. O material permaneceu jogado, por dois dias numa cadeira. Na entrevista com médicos, a esposa do dono do ferro-velho, relatou que os sintomas se iniciaram após seu marido desmontar aquele estranho aparelho. Só então, 16 dias depois do vazamento, foi dado o alerta de contaminação por material radioativo de milhares de pessoas. Menos de um mês depois do alerta, a esposa do dono do ferro-velho, morreu graças a complicações relativas à contaminação pelo Césio. Foi a primeira, de tantas outras vítimas fatais do Césio. A sobrinha do dono do ferro-velho, de apenas 6 anos de idade, maravilhada com o pó azul, ingeriu, involuntariamente, enquanto brincava com o material, pequenas quantidades de Césio e morreu. Foi a vítima com maior dose de radiação do acidente e constatada ser a maior fonte de radiação do mundo. Teve de ser enterrada em um caixão de chumbo, blindado, erguido por guindaste, devido as altas taxas de radiação. A menina passou a ser símbolo da tragédia.
O governo da época tentou minimizar o acidente, escondendo dados da população. Os governantes diziam que era apenas um vazamento de gás, mascarando a tragédia. Fato este que levou à contaminação muitos militares e membros dos bombeiros, que inocentemente, entraram em contato com o material radioativo.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), mandou examinar toda a população da região, e constatou-se que das 112.800 pessoas monitoradas, centenas haviam sido contaminadas pelo Césio. Muitas dessas pessoas já faleceram devido às complicações causadas pela radiação. Contudo, as que ainda sobrevivem, desenvolvem enfermidades relativas ao acidente e reclamam do descaso do estado. Muitas destas pessoas não recebem os medicamentos necessários, que de acordo com a legislação vigente é de responsabilidade do governo. Reclamam também da postura de grande parte da mídia brasileira que trata o caso como um verdadeiro espetáculo. Há algumas semanas atrás, a Rede Bobo de Televisão exibiu o programa Linha Direta, sobre o assunto. A ótica realmente foi, como de costume, escrota! Já é sabido pela grande maioria que esta emissora de televisão não faz jornalismo, faz é teatro!
Todo e qualquer tipo de material que entrou em contato com o Césio, ou sua radiação, foi considerado lixo atômico. A limpeza foi um serviço demasiadamente caro e complexo. Limpadores a vácuo recolheram tudo. Fotografias, cartas, dinheiro, utensílios domésticos, tudo foi considerado material de rejeito. As vítimas reclamam até hoje terem perdido objetos que tinham um alto valor afetivo e espiritual. Esta limpeza produziu 13,4 toneladas de lixo atômico, que foi acondicionado em 14 contêineres lacrados hermeticamente. Este material radioativo permanecerá nocivo ao meio ambiente durante 180 anos. O lixo foi armazenado num parque, dentro de uma montanha artificial, há 30 metros de profundidade, rigorosamente isolado por uma parede de chumbo e concreto.
Os imóveis localizados nas proximidades de onde ocorreu o acidente tiveram seus valores reduzidos a preços insignificantes. Grande parte das lojas que existiam na região foram abandonadas. A região era vista com pavor pela população. Além da assustadora desvalorização imobiliária, a população local sofreu grande descriminação, devido ao medo de transmitirem a radiação para outras pessoas. A descriminação foi tão grande que algumas pessoas foram privadas a terem acesso a serviços básicos, dificultando o acesso à educação, saúde, dentre tantos outros.

A lista de contaminados e mortos não pára de subir. E, provavelmente, nunca será concluída. Não existe um controle exato de pessoas expostas à radiação. No mais recente levantamento feito por autoridades estaduais e federais, 743 cidadãos são apontados, oficialmente, como vítimas diretas da tragédia. Dentre estes, 61 crianças nascidas após o acidente.
Hoje, o que notamos é uma situação ainda muito triste. O sofrimento das vítimas continua. Lutam contra doenças causadas pela contaminação, e pelejam para receber, em dia, os remédios necessários. Enquanto a Rede Bobo de Televisão se apropria da catástrofe para ganhar dinheiro, numa abordagem pra lá de sensacionalista e neoliberal, nota-se muito sofrimento e, infelizmente, 20 anos de descaso do Estado brasileiro.
Angra 3

Neste atual momento está em discussão em Brasília a criação ou não da Usina Nuclear Angra 3. O Governo Lula quer investir mais de R$ 7 bilhões de reais para a construção da usina. A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, produziu em 2006 um relatório intitulado “Fiscalização e Segurança Nuclear”, que detalha falhas estruturais na CNEN. Apoiados por grupos ativistas como o Greenpeace, acreditam que a expansão do Programa Nuclear Brasileiro só tende a agravar os problemas de insegurança nuclear do país. O fato é que, energeticamente, o nosso país ainda tem muito o que melhorar, seja através da energia nuclear, eólica, solar, hidroelétrica, ou qualquer outra. Este problema não é exclusivo do nosso país. Toda humanidade enfrenta um problema, que talvez seja o maior de sua curta história no planeta Terra. O meio ambiente pede socorro e as nações de primeiro mundo não têm como ignorar mais este problema. Ações positivas estão sendo tomadas todos os dias e pesquisas indo cada vez mais de encontro à idéia de desenvolvimento sustentável. Ainda sobre a energia nuclear, descartando a possibilidade de acidentes e repensando a questão do lixo nuclear, é sem dúvida a geração de energia com a melhor relação entre ‘custo x benefício’. Num país como o nosso onde não há incidência de terremotos, maremotos, furacões, tufões, tempestades tropicais, vulcões, e não somos alvo de atentados terroristas, no meu humilde ponto de vista, deve-se construir Angra 3.
[Novo] Vídeos Relacionados [Novo]
Aproveitando este magnífico recurso que um jornal on-line oferece, estou disponibilizando vídeos relacionados à retomada do Programa Nuclear Brasileiro. O assunto é demasiado polêmico e complexo e me senti no dever de instruí-los um pouco melhor. Modestamente, tomar algum partido na situação, informando-se pelo que escrevi na minha coluna não é o melhor a se fazer. Disponibilizo aqui 4 vídeos sobre o assunto que podem muito ajudar com que cada um tome uma posição sobre o assunto, ou pelo menos esteja por dentro, já que é um fator crucial para nós, brasileiros e terráqueos, se é que me entendem. Apesar de 3 dos 4 vídeos serem de autoria do maldito Grupo Globo, acho que é importante se informar e refletir sobre estes aspectos. Façam um esforço para assistir aos vídeos, mesmo a fonte não sendo das melhores, pois este assunto requer muita penitência. Comecemos desde já!
1. Globo News - Espaço Aberto - 11/5/2007 [22 min 48 sec]
Alexandre Garcia recebe Odair Dias Gonçalves (presidente da CNEN) e Frank Guggenheim (diretor do Greenpeace). Eles debatem a retomada de obras em Angra III e os acordos de cooperação na área.
2. TV Câmara - Expressão Nacional - 3/7/2007 [52 min 53 sec]
A retomada do programa nuclear brasileiro foi decidida no último dia 25 de junho [de 2007], durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Participaram da reunião representantes dos ministérios de Minas e Energia, Casa Civil, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento, Planejamento, Fazenda, Integração e Agricultura, além de representantes dos estados e distrito federal, das universidades e da sociedade civil. A Eletronuclear estima em R$ 7,2 bilhões o montante que falta para a usina nuclear Angra III ser concluída e prevê prazo de seis anos para terminar a obra. O Expressão Nacional debate a retomada da energia nuclear no Brasil. Confirmaram presença o ministro Nelson Hubner (Minas e Energia); os deputados Fernando Ferro (PT-PE), titular da Comissão de Minas e Energia, e Albano Franco (PSDB-SE); e Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace.
3. Globo News - Espaço Aberto - 5/7/2007 [21 min 32 sec]
O Conselho Nacional de Política Energética anunciou que o Brasil vai fazer a obra, tão adiada, da famosa usina nuclear de Angra III. Em tempos de aquecimento global, a energia nuclear é uma boa opção? Miriam Leitão recebe Sergio Rezende (ministro da Ciência e Tecnologia) e David Zylbersztajn (especialista em energia / PUC-RJ).
4. Globo News - Bioenergia - 20/03/2006 [24 min 29 sec]
O físico estadunidense Ashok Gupta mostra que empresas e laboratórios já estão pesquisando novas fontes de energia, visto que só há petróleo no mundo para mais três décadas. Uma esperança para o meio ambiente. Apesar da ótica ser bastante imperialista, já que o cientista entrevistado é americano, vale a pena assistir.
Espero que este assunto seja tratado com a seriedade e atenção que merece. Nós, cidadãos brasileiros, não podemos mais seguir os conselhos musicais de Zeca Pagodinho e simplesmente deixar a vida nos levar. Temos de ser senhores dos nosso futuro.
Caros leitores, depois de mais uma longa temporada ausente, retorno ao glorioso ofício jornalístico e espero poder manter uma regularidade. Mesmo sem escrever novos textos, vez ou outra chegavam até mim, mensagens sobre as colunas já publicadas, grande parte delas, elogiando os textos. Agradeço a todos que investiram seu precioso tempo em prestigiar meu singelo trabalho. Apesar da enorme autocrítica que tenho com minhas produções, me sinto feliz, de certa forma, com estas manifestações de carinho e admiração. Obrigado mais uma vez! Muita luz a todos vocês!
Para os que me questionaram o motivo do meu afastamento do jornal O Rebate, a razão é nobre. Como sabem, tenho apenas 20 anos de idade, e, como a maioria dos jovens da minha idade, estou me preparando para prestar vestibular. O curso escolhido é o de licenciatura em história, na Universidade Federal de Minas Gerais. Soma-se a isto, o meu trabalho, muitas vezes estafante, apesar de prazeroso e igualmente nobre. O pouco tempo que me resta uso para realizar as minhas funções vitais e fisiológicas. Contudo, esta semana tive uma folga no trabalho e estou usando este tempo para escrever para vocês.
Escrevo aqui, motivado pelo aniversário de 20 anos do acidente radioativo acontecido em Goiânia, no dia 13 de setembro de 1987, por uma cápsula do radioisótopo de cloreto de césio, de número atômico 137. Não poderia deixar este fato passar em branco, já que este é o maior acidente radioativo do Brasil e o maior radiológico do planeta. Soma-se a isto a discussão da implantação ou não da Usina Nuclear Angra 3.
Ofereço este ao meu grande amigo e Editor Geral do Jornal O Rebate, o senhor José Milbs, que sempre apoiou e prestigiou o meu trabalho e meu deu todo respaldo necessário. Obrigado, Milbs!
O acidente Césio-137
Pois bem, a cápsula de cloreto de Césio (CsCl), produzida nos Estados Unidos, era utilizada como fonte de radiação para a máquina de radioterapia da Santa Casa de Misericórdia. Durante anos, o equipamento hospitalar fora utilizado para irradiação de tumores ou materiais sanguíneos. Em 1985 o equipamento foi desativado e abandonado numa edificação do Instituto Goiano de Radioterapia.

Dois catadores de sucata invadiram o prédio abandonado e observaram um volume muito pesado, constatando ser chumbo. Venderam o material para o dono de um pequeno ferro-velho que, vendo a luminosidade estranha e bonita da pedra, fez um anel para a sua esposa. Devido à alta intensidade de raios gama, teve seu braço amputado no dia seguinte. Para o reaproveitamento do chumbo, o dono do ferro-velho rompeu a cápsula e expôs ao ambiente 19,26g de cloreto de césio, um sal muito parecido com sal de cozinha, mas que emite uma luminosidade azulada na ausência de luz. Admirado com a beleza do material, distribuiu para parentes amigos. Algumas horas depois da exposição ao material altamente radioativo, as pessoas começaram a apresentar sintomas como náuseas, seguidas de tonturas, com vômitos e diarréia.
Houve uma grande demora na detecção do problema. Os profissionais de saúde, vendo os sintomas, pensaram tratar-se de algum tipo de doença contagiosa desconhecida, medicando os doentes sintomaticamente. A esposa do dono do ferro-velho, desconfiada que o problema estava relacionado ao pó que emitia um brilho azulado, levou o material à vigilância sanitária. O material permaneceu jogado, por dois dias numa cadeira. Na entrevista com médicos, a esposa do dono do ferro-velho, relatou que os sintomas se iniciaram após seu marido desmontar aquele estranho aparelho. Só então, 16 dias depois do vazamento, foi dado o alerta de contaminação por material radioativo de milhares de pessoas. Menos de um mês depois do alerta, a esposa do dono do ferro-velho, morreu graças a complicações relativas à contaminação pelo Césio. Foi a primeira, de tantas outras vítimas fatais do Césio. A sobrinha do dono do ferro-velho, de apenas 6 anos de idade, maravilhada com o pó azul, ingeriu, involuntariamente, enquanto brincava com o material, pequenas quantidades de Césio e morreu. Foi a vítima com maior dose de radiação do acidente e constatada ser a maior fonte de radiação do mundo. Teve de ser enterrada em um caixão de chumbo, blindado, erguido por guindaste, devido as altas taxas de radiação. A menina passou a ser símbolo da tragédia.
O governo da época tentou minimizar o acidente, escondendo dados da população. Os governantes diziam que era apenas um vazamento de gás, mascarando a tragédia. Fato este que levou à contaminação muitos militares e membros dos bombeiros, que inocentemente, entraram em contato com o material radioativo.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), mandou examinar toda a população da região, e constatou-se que das 112.800 pessoas monitoradas, centenas haviam sido contaminadas pelo Césio. Muitas dessas pessoas já faleceram devido às complicações causadas pela radiação. Contudo, as que ainda sobrevivem, desenvolvem enfermidades relativas ao acidente e reclamam do descaso do estado. Muitas destas pessoas não recebem os medicamentos necessários, que de acordo com a legislação vigente é de responsabilidade do governo. Reclamam também da postura de grande parte da mídia brasileira que trata o caso como um verdadeiro espetáculo. Há algumas semanas atrás, a Rede Bobo de Televisão exibiu o programa Linha Direta, sobre o assunto. A ótica realmente foi, como de costume, escrota! Já é sabido pela grande maioria que esta emissora de televisão não faz jornalismo, faz é teatro!
Todo e qualquer tipo de material que entrou em contato com o Césio, ou sua radiação, foi considerado lixo atômico. A limpeza foi um serviço demasiadamente caro e complexo. Limpadores a vácuo recolheram tudo. Fotografias, cartas, dinheiro, utensílios domésticos, tudo foi considerado material de rejeito. As vítimas reclamam até hoje terem perdido objetos que tinham um alto valor afetivo e espiritual. Esta limpeza produziu 13,4 toneladas de lixo atômico, que foi acondicionado em 14 contêineres lacrados hermeticamente. Este material radioativo permanecerá nocivo ao meio ambiente durante 180 anos. O lixo foi armazenado num parque, dentro de uma montanha artificial, há 30 metros de profundidade, rigorosamente isolado por uma parede de chumbo e concreto.
Os imóveis localizados nas proximidades de onde ocorreu o acidente tiveram seus valores reduzidos a preços insignificantes. Grande parte das lojas que existiam na região foram abandonadas. A região era vista com pavor pela população. Além da assustadora desvalorização imobiliária, a população local sofreu grande descriminação, devido ao medo de transmitirem a radiação para outras pessoas. A descriminação foi tão grande que algumas pessoas foram privadas a terem acesso a serviços básicos, dificultando o acesso à educação, saúde, dentre tantos outros.

A lista de contaminados e mortos não pára de subir. E, provavelmente, nunca será concluída. Não existe um controle exato de pessoas expostas à radiação. No mais recente levantamento feito por autoridades estaduais e federais, 743 cidadãos são apontados, oficialmente, como vítimas diretas da tragédia. Dentre estes, 61 crianças nascidas após o acidente.
Hoje, o que notamos é uma situação ainda muito triste. O sofrimento das vítimas continua. Lutam contra doenças causadas pela contaminação, e pelejam para receber, em dia, os remédios necessários. Enquanto a Rede Bobo de Televisão se apropria da catástrofe para ganhar dinheiro, numa abordagem pra lá de sensacionalista e neoliberal, nota-se muito sofrimento e, infelizmente, 20 anos de descaso do Estado brasileiro.
Angra 3

Neste atual momento está em discussão em Brasília a criação ou não da Usina Nuclear Angra 3. O Governo Lula quer investir mais de R$ 7 bilhões de reais para a construção da usina. A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, produziu em 2006 um relatório intitulado “Fiscalização e Segurança Nuclear”, que detalha falhas estruturais na CNEN. Apoiados por grupos ativistas como o Greenpeace, acreditam que a expansão do Programa Nuclear Brasileiro só tende a agravar os problemas de insegurança nuclear do país. O fato é que, energeticamente, o nosso país ainda tem muito o que melhorar, seja através da energia nuclear, eólica, solar, hidroelétrica, ou qualquer outra. Este problema não é exclusivo do nosso país. Toda humanidade enfrenta um problema, que talvez seja o maior de sua curta história no planeta Terra. O meio ambiente pede socorro e as nações de primeiro mundo não têm como ignorar mais este problema. Ações positivas estão sendo tomadas todos os dias e pesquisas indo cada vez mais de encontro à idéia de desenvolvimento sustentável. Ainda sobre a energia nuclear, descartando a possibilidade de acidentes e repensando a questão do lixo nuclear, é sem dúvida a geração de energia com a melhor relação entre ‘custo x benefício’. Num país como o nosso onde não há incidência de terremotos, maremotos, furacões, tufões, tempestades tropicais, vulcões, e não somos alvo de atentados terroristas, no meu humilde ponto de vista, deve-se construir Angra 3.
[Novo] Vídeos Relacionados [Novo]
Aproveitando este magnífico recurso que um jornal on-line oferece, estou disponibilizando vídeos relacionados à retomada do Programa Nuclear Brasileiro. O assunto é demasiado polêmico e complexo e me senti no dever de instruí-los um pouco melhor. Modestamente, tomar algum partido na situação, informando-se pelo que escrevi na minha coluna não é o melhor a se fazer. Disponibilizo aqui 4 vídeos sobre o assunto que podem muito ajudar com que cada um tome uma posição sobre o assunto, ou pelo menos esteja por dentro, já que é um fator crucial para nós, brasileiros e terráqueos, se é que me entendem. Apesar de 3 dos 4 vídeos serem de autoria do maldito Grupo Globo, acho que é importante se informar e refletir sobre estes aspectos. Façam um esforço para assistir aos vídeos, mesmo a fonte não sendo das melhores, pois este assunto requer muita penitência. Comecemos desde já!
1. Globo News - Espaço Aberto - 11/5/2007 [22 min 48 sec]
Alexandre Garcia recebe Odair Dias Gonçalves (presidente da CNEN) e Frank Guggenheim (diretor do Greenpeace). Eles debatem a retomada de obras em Angra III e os acordos de cooperação na área.
2. TV Câmara - Expressão Nacional - 3/7/2007 [52 min 53 sec]
A retomada do programa nuclear brasileiro foi decidida no último dia 25 de junho [de 2007], durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Participaram da reunião representantes dos ministérios de Minas e Energia, Casa Civil, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento, Planejamento, Fazenda, Integração e Agricultura, além de representantes dos estados e distrito federal, das universidades e da sociedade civil. A Eletronuclear estima em R$ 7,2 bilhões o montante que falta para a usina nuclear Angra III ser concluída e prevê prazo de seis anos para terminar a obra. O Expressão Nacional debate a retomada da energia nuclear no Brasil. Confirmaram presença o ministro Nelson Hubner (Minas e Energia); os deputados Fernando Ferro (PT-PE), titular da Comissão de Minas e Energia, e Albano Franco (PSDB-SE); e Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace.
3. Globo News - Espaço Aberto - 5/7/2007 [21 min 32 sec]
O Conselho Nacional de Política Energética anunciou que o Brasil vai fazer a obra, tão adiada, da famosa usina nuclear de Angra III. Em tempos de aquecimento global, a energia nuclear é uma boa opção? Miriam Leitão recebe Sergio Rezende (ministro da Ciência e Tecnologia) e David Zylbersztajn (especialista em energia / PUC-RJ).
4. Globo News - Bioenergia - 20/03/2006 [24 min 29 sec]
O físico estadunidense Ashok Gupta mostra que empresas e laboratórios já estão pesquisando novas fontes de energia, visto que só há petróleo no mundo para mais três décadas. Uma esperança para o meio ambiente. Apesar da ótica ser bastante imperialista, já que o cientista entrevistado é americano, vale a pena assistir.
Espero que este assunto seja tratado com a seriedade e atenção que merece. Nós, cidadãos brasileiros, não podemos mais seguir os conselhos musicais de Zeca Pagodinho e simplesmente deixar a vida nos levar. Temos de ser senhores dos nosso futuro.
Belo Horizonte, 26 de setembro de 2007

8 Comentários:
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Para maiores informações, dúvidas, ou mais poesias, entrem em contato.
msn: bettofernandes@hotmail.com
orkut: Betto Fernandes
email: bettofernandes@gmail.com
Grato.
Betto Fernandes
Por
Betto Fernandes, Ã s 12:21 PM
Fala betto, depois de um tempo passar por aqui volto, e continuo vendo que seus textos estão otimos.
Grande tema a se tratar com essa terrivel tragedia...
esta de parabens
Por
Edu, Ã s 7:51 PM
Texto Mto bom Rapido e rasteiro como disse o Betto sem Delongas,
esse caso do Cesio apesar de ter sido um "acidente" ja q foi abandonado equipamento usado em quimioterapia q continha elementos radiotaivos e uma Vergonha, Vergonha para o governo de Goias e da admistraçao Pifia do Hospital. mta gente sofreu e sofre ate hj vitimas de preconceito e tudo mais, infelizmente com a naçao envlolvida em tantos escandalos nao resta tempo aos porcos "politicos" olhar para pessoas realmente necessitadas.
Quanto a Angra 3, Acredito q sim deve ser construido, o Brasil atualmente se nao me engano tem uma das maiores reservas de Uranio do Mundo, e nossos cientistas sao o "bicho" mto competentes, assim como o Biocombustivel e algo da nossa Patria acredito q coisas relacionadas a Energia Nuclear tbm serao Descobertas.
Quanto ao Texto Betto nao poderia estar melhor, se tratando de uma Pessoa Etica e lucido como tu. Parabens a Ti
Por
Paulo Emmanuel, Ã s 4:40 AM
fala Egbertinho!!!
Assunto polêmico, e muito pertinente.... não se esgota o assunto sobre algo muito serio como esse acidente.
→ a incopetência da política brasileira parece sem fim! (pensando nisso quero me candidatar a vereador... visando a presidência um dia!!!!!)
→ a grana nunca vai poder pagar valores humanos... não so de vida, mas valores e objetos sentimentais.
→ Nós precisamos de energia cada vez mais e mais, agora é necessário refletir sobre a competência política (não diria técnica) para se produzir uma energia de algo risco como a núclear, pois apesar dos "índices" de pouco poluidora e tal, sem dúvida é a mais devastadora das energias que o homem diz "dominar"...
bom... já chega... ficaria aqui falando horas e horas...
Egbertinho meu caro... parabéns pelos seus escritos...
continue produzindo como uma vaca leiteira!
Por
douglao_bh, Ã s 3:13 PM
Como sempre o egberto nos traz um texto agradável ,bem como educativo
para nos informar sobre assuntos que já estavam por cair no esquecimento ( o césio no caso );
espero que nunca nos deixe de expressar sua valiosa opinião.
Abraços do seu amigo Yves .
Por
Yves, Ã s 2:25 AM
Sempre é bom ver o trabalho do Betto aqui no O REBATE. Fico feliz em ser seu editor, nao suma abs Milbs
Por
José Milbs, Ã s 12:44 PM
Artigo de excelente qualidade!!!
Eu tinha uma visão muito superficial sobre o ocorrido em Goias.
Vou acompanhar assiduamente o Rebate apartir de agora.
Parabéns pelo trabalho, Monge!
Paz!
Por
Renan Nunes, Ã s 12:06 AM
Beto aqui faço os mesmo agradecimentos e informo ao amigo que este ano ja faz 22...
informo ainda que fui ex motorista desta sra CNEN...e sou um Sr Brasileiro... estou aposentado desde 1992 apois este episodio que o tempo faz abafar... deria existir sim muito respeito por parte de nossas autoridades só nós refén deste poder poderemos virar vitima das vitimas. o que sera deste no barsil e de nossos filhos?
mais informaçao precisando aqui estou para passar varios detalhes [acidente! ou SABOTAGEM? isto a cnen nunca explicará. abraços e que DEUS o ilumine e que seja voce um otimo jornalista. fique com DEUS!!!
Por
jorge de moraes rego ribeiro, Ã s 2:38 PM
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