Carta de Suicídio - Rafael Silveira Jandaia
Por Betto Fernandes
Olá, caros leitores! Sentiram saudade dos meus textos?
Pois bem, retorno ao O rebate, destruindo os valores da família brasileira e tratando de temas polêmicos e picantes, mais uma vez, vindos diretamente do meu livro, ‘Todo Mundo No Brasil Faz Caixa 2’. Desta vez, não venho tratar de política, abordo, basicamente, filosofia. Mas não é uma filosofia científica, profunda, é uma filosofia branda, rasa, vinda de um recém formado filósofo, uma filosofia que questiona aspectos comuns à maioria e com uma construção ideológica acessível a todos nós, meros mortais. Esta vai homenagenado meu grande amigo Rafael Piu, que me inspirou para tal feito, desde os tempos de escola, em que só de sacanagem e zombaria escrevia inúmeras cartas de suicídios de diversos pontos de vista diferentes. Vai também para um grandioso amigo que fiz nos tempos de colégio, o filósofo Douglas Bigorna. É sempre complicado contextualizar algo, este fragmento está no meio do livro e me vali de mais de 100 páginas antes de chegar a esta carta, contudo tentarei resumir em poucas palavras algo tão forte e complexo.
CONTEXTUALIZANDO:
Este fragmento é uma carta de suicídio escrita por Rafael Silveira Jandaia, um filósofo recém formado na Universidade Federal de Minas Gerais, que é ainda estudante de teatro, balé clássico e dança contemporânea, e é músico violonista. Rafael, ou Piu, como é chamado pelos amigos, viveu desde a primeira infância uma vida dura. Filho de psicólogos, sofreu desde pequeno uma enorme pressão vinda do Pai para enveredar nos caminhos da ciência, contudo foi forte e persistiu nos caminhos artísticos, onde rendia grandes frutos. Este mesmo pai duro tinha várias amantes, dentre as quais, uma das empregadas. Rafael, quando criança, presenciou umas destas cenas que o marcou para o resto de sua vida. O pai machista tinha vergonha do filho dançar e ser apaixonado por maquilagem e ter gostos femininos, e a convivência foi sempre tempestuosa. Ainda criança perdeu seu melhor amiguinho para o câncer. Na adolescência viu o seu grande amor e seu melhor amigo se unirem e se casarem. Crítico e sincero demais teve de carregar o peso da morte do pai quando entrou para o curso de filosofia. No dia que saiu o resultado o pai morreu vítima de um infarto, que de acordo com a mãe e alguns parentes foi por desgosto, já que Rafael há tempos não fazia os caprichos do pai. Neste mesmo ano, viu seu mestre de Kung Fu ir para China, para nunca mais voltar. No momento que escrevia esta carta, Rafael estava trancado em seu quarto, completamente nu e ouvia o disco ‘In the Court of the Crimson’s King’ da banda King Crimson. E assim inscreveu-se na história para todo sempre:
Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, ontem, domingo, 18 de março de 2007.
Pessoas, entes queridos, amigos e irmãos...
É com lágrimas nos olhos que venho através desta carta despedir-me dessa vida cruel. A vida já me cansou, as pessoas já me cansaram, a beleza já me cansou, Deus já me cansou, a esperança já me cansou, o amor já me cansou, a filosofia já me cansou, Platão já me cansou, Aristóteles já me cansou, Sartre já me cansou, Descartes já me cansou, a ciência já me cansou, Einstein já me cansou, Newton já me cansou, Kepler já me cansou, a religião já me cansou, Jesus já me cansou, os padres já me cansaram, os pastores já me cansaram, os Budas já me cansaram, Lao Tse já me cansou, Confúcio já me cansou, Alá já me cansou, a arte já me cansou, Bach já me cansou, Da Vinci já me cansou, Shakespeare já me cansou, Michelangelo já me cansou, portanto, busco o eterno descanso pois tudo que há de bom e de ruim neste mundo já me cansou e estou realmente cansado de viver e não há mais nada que me prenda aqui, não agüento mais nem um dia neste mundo podre, contaminado de egoísmo, cheio de dor e lamúrias marcado por guerras que nunca têm fim. A máxima deste mundo é a seguinte, cada um por si e Deus contra todos, e infelizmente eu não penso desta forma, e prefiro a morte que uma vida desta maneira. Vida não, sobrevivência! Há muito, a vida se foi e agora dá lugar ao ciclo cruel da sobrevivência.

A morte me chama e às vezes até grita! Grita com tanta fúria que me enlouquece, me faz sair de mim mesmo e vagar a mundos distantes, me faz ter pesadelos terríveis e , já bem cedo, acordar mal, chorando, e a cada dia me convenço que pior do que este mundo está não há nada igual em lugar algum, pior do que estou não ficarei. Sei que está na hora de partir, pois não tenho mais motivos para viver, e viver apenas para não os entristecer é muita desgraça pra uma pobre vida como a minha. Deixarei pra trás tudo aquilo que fiz e que não fiz, sei que nunca mais verei nenhum de vocês, e as pessoas que contariam comigo no futuro, mudem seus planos, a mulher que viveria feliz para sempre e envelheceria feliz com nossa prole ao meu lado, mude seus planos, os filhos que teriam-me como pai zeloso e dedicado, mudem seus planos, os colegas filósofos que pensariam comigo, mudem seus planos, os leitores que leriam meus livros e os achariam pura bobagem, mudem seus planos, os músicos que tocariam comigo, os bailarinos que dançariam comigo, os atores que encenariam comigo, mudem seus planos. Qualquer um que fosse precisar de mim de amanhã em diante, mude seus planos, pois mudei os meus planos graças a vocês, dou fim à minha vida hoje, por culpa de vocês. Quando os culpo, não falo de um círculo de amigos, não culpo apenas as pessoas que convivi, culpo todos os seres humanos que já pisaram neste globo, todos os que convivi e mesmo os que eu não convivi, todos os que ouvi ou não, todos os que li ou não, culpo todos, culpo os estadunidenses por seu regime vampiro, culpo os brasileiros por seu eterno conformismo, culpo os europeus por seu preconceito infantil.

Quero falar que fiz isso não por falta de força de vontade, mas sim por desespero. Procurei a ajuda de cada um de vocês, liguei pra cada um de vocês, mandei e-mail a cada um de vocês, chorei no ombro de cada um de vocês, confessei meus segredos pra cada um de vocês. E o que recebi? Meus amigos, uma boa parte deles não tiveram tempo pra mim, mas disseram que podia contar com cada um quando precisasse, outra parte me disse que eu precisava procurar uma companheira, que eu precisava era de uma mulher ao meu lado. Meus parentes , malditos, não me deram a menor atenção, simplesmente, ignoraram meu sofrimento e desprezaram todo este conflito que travo contra mim mesmo, nada fizeram, senão, chamar-me de louco, e dizer que eu estava exagerando. Meus familiares, coitados, sofreram junto comigo, e disseram-me que eu precisava da ajuda Deus.
À minha família quero dizer que procurei igrejas mil. Católicas, protestantes, ortodoxas, centros espíritas, centros de umbanda, templos budistas, refúgios taoístas. Escutei padres e pastores aos montes. Busquei o Deus todo poderoso de todas formas em quase todas as filosofias e crenças, com mais fé que qualquer outro homem jamais ousou. E é justamente com este Deus, que apesar de mudar o nome e o corte de cabelo, no final das contas é o mesmo em qualquer religião, é justamente com este Deus que estou mais decepcionado, pra ser mais sincero, furioso. Afinal se o senhor é realmente o super-herói todo poderoso, se o senhor pode fazer tudo e sabe de tudo que aconteceu e que ainda vai acontecer, porque me separou este trágico fim? Porque que me deixou neste sombrio estado? Porque me deixou suicidar e causar tanta dor às pessoas que estimam-me? Destino? Livre arbítrio? Muito cômodo! Deste jeito até eu quero ser Deus. Crio tudo, e então, chega de trabalho, sento no meu imponente trono, todo adornado em ouro, logo abro um bom vinho português e me delicio ao som de As quatro estações de Vivaldi, e comicamente assisto ao fim de tudo aquilo que criei, principalmente o maldito homem, que tanto já me enfureceu. Ah! Vale lembrar da expulsão de Lúcifer do paraíso, ele queria o poder, aquele mero bardo queria o poder, e o que fiz com ele e com seus partidários? Expulsei-os do paraíso e perpetuamente os joguei no último degrau da indulgência espiritual. Eu sou o cara! Senhor Deus dos Desgraçados, hoje depois de conhecer você por várias filosofias e crenças, imagino-o assim, um ditador incompetente. Deste jeito até eu quero ser Deus. Desisto da vida, afinal com um Deus incompetente e retardado como você é melhor que a terra nos engula. Mas finalmente nunca mais verei o senhor, nunca mais ouvirei falar sobre o senhor, nunca mais terei notícia do senhor. Pois acabarei agora com minha vida e irei direto para o inferno sem escalas, afinal se me mandasse para o paraíso lhe faria enlouquecer com menos de um dia.Chegando ao inferno terei reverência a Lúcifer e sua legião de anjos caídos, Deus você terá mais um forte inimigo.
Aos meus amigos que não tiveram tempo pra mim, que no momento tinham coisas mais importantes do que eu, mas disseram-me que poderia contar com vocês pro que precisasse, eu precisei de vocês sempre, ainda preciso. Alguém em especial me machucou muito, alguém que amei por toda vida, com toda força de meu ser, mas nunca me deu um beijo sequer, a este alguém digo, eu amo você e este amor foi um dos principais motivos do meu suicídio. Aos que me recomendaram uma companheira, quero lhes dizer que a minha namorada está grávida e o pai dela quer me matar. Não a amo, nunca a amei, um grande descuido causou isso tudo. Sempre amei a mesma garota, desde que me entendo por gente. Não estou tentando fugir dos meus problemas, mas se eu viver o pai dela morre. Não tenho nada a perder, perigoso é aquele que, como eu, não tem nada a perder. Poderia destruir muita coisa antes de dar fim à minha vida, poderia matar aquela maldita professora, aquele infiel amigo, aquele professor debochado, aquele falso budista, aquele visinho intrometido, aquele padre pedófilo, aquele pastor ladrão, aquele político corrupto, aquele sogro ditador, mas não, não quero ser um assassino cruel que mata e depois dorme tranqüilamente. Não suportaria ser tão cruel quanto o Senhor Deus dos Desgraçados consegue ser. Não quero causar mais dor a este tão doente mundo. Deixo a culpa de toda dor e lamúrias deste mundo nas mãos do Senhor Deus dos desgraçados.
Aos parentes e companheiros que solicitei ajuda e nada fizeram por meu bem, obrigado. Vocês nunca fizeram a menor diferença em minha vida, vocês são banais, e ridículos como galinhas doidas. Diria que vocês são como bosta n’água, que pra onde a onda empurra ela vai sem hesitar. Espero que mudem, se é que vocês ainda têm força para tal.
Não tenho como fugir de tudo isso mas... Acho que o suicídio é a melhor saída pra mim. Chega de pensar nos outros! Vocês ficarão tristes, é claro, mas o tempo levará para bem longe minha imagem e bem logo vocês já esquecerão deste louco, deste homem sem Deus no coração, deste homem carente de mulher, e não sofrerão mais.
Mamãe, fique com este Deus que a senhora tanto acredita, e não se preocupe comigo, eu vou ficar bem, sei me cuidar direitinho e por mais que as pessoas falem mal, talvez o inferno não seja tão ruim assim. Cuide do meu filho, sei que estou deixando-o em boas mãos. Papai, desculpe-me por eu não ter honrado-te. Desculpe-me por eu ter sido esse artista bichinha e maconheiro e não ter sido o filho que o senhor sempre quis ter. Aliás... Foda-se! O senhor nunca foi o pai que eu sempre quis ter. Foda-se! Aos meus irmãos Pedro e Ana Clara, pouco tenho a dizer, vocês foram um dos poucos que sempre me orgulhei. Um beijo na testa de cada um de vocês. Bruna, me desculpe por tudo e obrigado por tentar me amar, o problema está todo comigo, beijos carinhosos!
Não darei mais tempo a isso. Não há pouco tempo, nem muito pra mim, agora não há pressa, pois tenho muito tempo, tenho todo o tempo do mundo.
O conhecimento acabou com a minha vida, e se eu viver vai acabar com a de todos vocês. Os ignorantes são mais felizes, quanto mais procurava saber das coisas mais eu sofria, mais eu me angustiava com os erros dos filhos deste mundo. Não sou um gênio, não sou o senhor perfeitinho, não sou melhor que ninguém, mas este mundo não foi feito pra mim. Como eu seria feliz se eu fosse feliz, e essa segunda felicidade resume-se em ter uma bela, fiel e dedicada esposa, ter obedientes filhos, que nos orgulham, ter uma vida tranqüila financeiramente, com uma sobra de grana, ter fieis amigos, ver seu time campeão. Ah, como eu seria feliz se minha vida fosse como num comercial de margarina! Um mero burguês padrão. Se eu fosse mais um ignorante eu sofreria menos.
Nunca mais voltarei a este mundo. Não acredito em reencarnação, pois, se retornasse a este mundo, certamente não voltaria em paz. Ninguém volta de bom grado a um lugar onde foi maltratado, e os que foram maltratados e têm convicção de que foram maltratados, como eu, são terríveis, pois estão sempre em busca de sua oportunidade de vingança. Certamente nunca mais colocarei meus pés nesta bola de merda, acredito que não, mas caso isso aconteça... Aguardem-me! A vingança é um prato que se come frio! A morte zomba e blasfema de um ser, mas, sinceramente, morrer não é humilhante, humilhante é viver como todos nós vivemos. Oh, morte, tu que és tão forte, que matas o gato, o rato e homem, vista-se com a sua mais bela roupa e venha me buscar, e venha já, pois não esperarei por sua chegada nem por mais um minuto. Mamãe, não se preocupe comigo e tente me esquecer o mais breve possível, papai, acho que agora
no inferno nos veremos depois de tanto tempo, Pedrão, Aninha, um beijo do Rafa. Vivam em paz, se é que neste mundo isso é possível, e que assim seja! O conhecimento acabou com a minha vida, e se eu viver vai acabar com a de vocês.
“15 Então o SENHOR Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultiva-lo. 16 E o SENHOR Deus ordenou ao homem: coma livremente de qualquer árvore do jardim, 17 mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá” Gênesis, capítulo 2, versículos 15-16-17.
Não havendo mais nada a tratar, com muito carinho, pela última vez, Rafael Silveira Jandaia.
Espero que tenham gostado. Mais palavras vindas da minha esdrúxula pessoa tornam-se desnecessárias no meu ponto de vista, portando, deixo a palavra final ainda com Piu em seu último poema auto-intitulado.


Olá, caros leitores! Sentiram saudade dos meus textos?
Pois bem, retorno ao O rebate, destruindo os valores da família brasileira e tratando de temas polêmicos e picantes, mais uma vez, vindos diretamente do meu livro, ‘Todo Mundo No Brasil Faz Caixa 2’. Desta vez, não venho tratar de política, abordo, basicamente, filosofia. Mas não é uma filosofia científica, profunda, é uma filosofia branda, rasa, vinda de um recém formado filósofo, uma filosofia que questiona aspectos comuns à maioria e com uma construção ideológica acessível a todos nós, meros mortais. Esta vai homenagenado meu grande amigo Rafael Piu, que me inspirou para tal feito, desde os tempos de escola, em que só de sacanagem e zombaria escrevia inúmeras cartas de suicídios de diversos pontos de vista diferentes. Vai também para um grandioso amigo que fiz nos tempos de colégio, o filósofo Douglas Bigorna. É sempre complicado contextualizar algo, este fragmento está no meio do livro e me vali de mais de 100 páginas antes de chegar a esta carta, contudo tentarei resumir em poucas palavras algo tão forte e complexo.
CONTEXTUALIZANDO:
Este fragmento é uma carta de suicídio escrita por Rafael Silveira Jandaia, um filósofo recém formado na Universidade Federal de Minas Gerais, que é ainda estudante de teatro, balé clássico e dança contemporânea, e é músico violonista. Rafael, ou Piu, como é chamado pelos amigos, viveu desde a primeira infância uma vida dura. Filho de psicólogos, sofreu desde pequeno uma enorme pressão vinda do Pai para enveredar nos caminhos da ciência, contudo foi forte e persistiu nos caminhos artísticos, onde rendia grandes frutos. Este mesmo pai duro tinha várias amantes, dentre as quais, uma das empregadas. Rafael, quando criança, presenciou umas destas cenas que o marcou para o resto de sua vida. O pai machista tinha vergonha do filho dançar e ser apaixonado por maquilagem e ter gostos femininos, e a convivência foi sempre tempestuosa. Ainda criança perdeu seu melhor amiguinho para o câncer. Na adolescência viu o seu grande amor e seu melhor amigo se unirem e se casarem. Crítico e sincero demais teve de carregar o peso da morte do pai quando entrou para o curso de filosofia. No dia que saiu o resultado o pai morreu vítima de um infarto, que de acordo com a mãe e alguns parentes foi por desgosto, já que Rafael há tempos não fazia os caprichos do pai. Neste mesmo ano, viu seu mestre de Kung Fu ir para China, para nunca mais voltar. No momento que escrevia esta carta, Rafael estava trancado em seu quarto, completamente nu e ouvia o disco ‘In the Court of the Crimson’s King’ da banda King Crimson. E assim inscreveu-se na história para todo sempre:
Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, ontem, domingo, 18 de março de 2007.
Pessoas, entes queridos, amigos e irmãos...
É com lágrimas nos olhos que venho através desta carta despedir-me dessa vida cruel. A vida já me cansou, as pessoas já me cansaram, a beleza já me cansou, Deus já me cansou, a esperança já me cansou, o amor já me cansou, a filosofia já me cansou, Platão já me cansou, Aristóteles já me cansou, Sartre já me cansou, Descartes já me cansou, a ciência já me cansou, Einstein já me cansou, Newton já me cansou, Kepler já me cansou, a religião já me cansou, Jesus já me cansou, os padres já me cansaram, os pastores já me cansaram, os Budas já me cansaram, Lao Tse já me cansou, Confúcio já me cansou, Alá já me cansou, a arte já me cansou, Bach já me cansou, Da Vinci já me cansou, Shakespeare já me cansou, Michelangelo já me cansou, portanto, busco o eterno descanso pois tudo que há de bom e de ruim neste mundo já me cansou e estou realmente cansado de viver e não há mais nada que me prenda aqui, não agüento mais nem um dia neste mundo podre, contaminado de egoísmo, cheio de dor e lamúrias marcado por guerras que nunca têm fim. A máxima deste mundo é a seguinte, cada um por si e Deus contra todos, e infelizmente eu não penso desta forma, e prefiro a morte que uma vida desta maneira. Vida não, sobrevivência! Há muito, a vida se foi e agora dá lugar ao ciclo cruel da sobrevivência.
A morte me chama e às vezes até grita! Grita com tanta fúria que me enlouquece, me faz sair de mim mesmo e vagar a mundos distantes, me faz ter pesadelos terríveis e , já bem cedo, acordar mal, chorando, e a cada dia me convenço que pior do que este mundo está não há nada igual em lugar algum, pior do que estou não ficarei. Sei que está na hora de partir, pois não tenho mais motivos para viver, e viver apenas para não os entristecer é muita desgraça pra uma pobre vida como a minha. Deixarei pra trás tudo aquilo que fiz e que não fiz, sei que nunca mais verei nenhum de vocês, e as pessoas que contariam comigo no futuro, mudem seus planos, a mulher que viveria feliz para sempre e envelheceria feliz com nossa prole ao meu lado, mude seus planos, os filhos que teriam-me como pai zeloso e dedicado, mudem seus planos, os colegas filósofos que pensariam comigo, mudem seus planos, os leitores que leriam meus livros e os achariam pura bobagem, mudem seus planos, os músicos que tocariam comigo, os bailarinos que dançariam comigo, os atores que encenariam comigo, mudem seus planos. Qualquer um que fosse precisar de mim de amanhã em diante, mude seus planos, pois mudei os meus planos graças a vocês, dou fim à minha vida hoje, por culpa de vocês. Quando os culpo, não falo de um círculo de amigos, não culpo apenas as pessoas que convivi, culpo todos os seres humanos que já pisaram neste globo, todos os que convivi e mesmo os que eu não convivi, todos os que ouvi ou não, todos os que li ou não, culpo todos, culpo os estadunidenses por seu regime vampiro, culpo os brasileiros por seu eterno conformismo, culpo os europeus por seu preconceito infantil.

Quero falar que fiz isso não por falta de força de vontade, mas sim por desespero. Procurei a ajuda de cada um de vocês, liguei pra cada um de vocês, mandei e-mail a cada um de vocês, chorei no ombro de cada um de vocês, confessei meus segredos pra cada um de vocês. E o que recebi? Meus amigos, uma boa parte deles não tiveram tempo pra mim, mas disseram que podia contar com cada um quando precisasse, outra parte me disse que eu precisava procurar uma companheira, que eu precisava era de uma mulher ao meu lado. Meus parentes , malditos, não me deram a menor atenção, simplesmente, ignoraram meu sofrimento e desprezaram todo este conflito que travo contra mim mesmo, nada fizeram, senão, chamar-me de louco, e dizer que eu estava exagerando. Meus familiares, coitados, sofreram junto comigo, e disseram-me que eu precisava da ajuda Deus.
À minha família quero dizer que procurei igrejas mil. Católicas, protestantes, ortodoxas, centros espíritas, centros de umbanda, templos budistas, refúgios taoístas. Escutei padres e pastores aos montes. Busquei o Deus todo poderoso de todas formas em quase todas as filosofias e crenças, com mais fé que qualquer outro homem jamais ousou. E é justamente com este Deus, que apesar de mudar o nome e o corte de cabelo, no final das contas é o mesmo em qualquer religião, é justamente com este Deus que estou mais decepcionado, pra ser mais sincero, furioso. Afinal se o senhor é realmente o super-herói todo poderoso, se o senhor pode fazer tudo e sabe de tudo que aconteceu e que ainda vai acontecer, porque me separou este trágico fim? Porque que me deixou neste sombrio estado? Porque me deixou suicidar e causar tanta dor às pessoas que estimam-me? Destino? Livre arbítrio? Muito cômodo! Deste jeito até eu quero ser Deus. Crio tudo, e então, chega de trabalho, sento no meu imponente trono, todo adornado em ouro, logo abro um bom vinho português e me delicio ao som de As quatro estações de Vivaldi, e comicamente assisto ao fim de tudo aquilo que criei, principalmente o maldito homem, que tanto já me enfureceu. Ah! Vale lembrar da expulsão de Lúcifer do paraíso, ele queria o poder, aquele mero bardo queria o poder, e o que fiz com ele e com seus partidários? Expulsei-os do paraíso e perpetuamente os joguei no último degrau da indulgência espiritual. Eu sou o cara! Senhor Deus dos Desgraçados, hoje depois de conhecer você por várias filosofias e crenças, imagino-o assim, um ditador incompetente. Deste jeito até eu quero ser Deus. Desisto da vida, afinal com um Deus incompetente e retardado como você é melhor que a terra nos engula. Mas finalmente nunca mais verei o senhor, nunca mais ouvirei falar sobre o senhor, nunca mais terei notícia do senhor. Pois acabarei agora com minha vida e irei direto para o inferno sem escalas, afinal se me mandasse para o paraíso lhe faria enlouquecer com menos de um dia.Chegando ao inferno terei reverência a Lúcifer e sua legião de anjos caídos, Deus você terá mais um forte inimigo.
Aos meus amigos que não tiveram tempo pra mim, que no momento tinham coisas mais importantes do que eu, mas disseram-me que poderia contar com vocês pro que precisasse, eu precisei de vocês sempre, ainda preciso. Alguém em especial me machucou muito, alguém que amei por toda vida, com toda força de meu ser, mas nunca me deu um beijo sequer, a este alguém digo, eu amo você e este amor foi um dos principais motivos do meu suicídio. Aos que me recomendaram uma companheira, quero lhes dizer que a minha namorada está grávida e o pai dela quer me matar. Não a amo, nunca a amei, um grande descuido causou isso tudo. Sempre amei a mesma garota, desde que me entendo por gente. Não estou tentando fugir dos meus problemas, mas se eu viver o pai dela morre. Não tenho nada a perder, perigoso é aquele que, como eu, não tem nada a perder. Poderia destruir muita coisa antes de dar fim à minha vida, poderia matar aquela maldita professora, aquele infiel amigo, aquele professor debochado, aquele falso budista, aquele visinho intrometido, aquele padre pedófilo, aquele pastor ladrão, aquele político corrupto, aquele sogro ditador, mas não, não quero ser um assassino cruel que mata e depois dorme tranqüilamente. Não suportaria ser tão cruel quanto o Senhor Deus dos Desgraçados consegue ser. Não quero causar mais dor a este tão doente mundo. Deixo a culpa de toda dor e lamúrias deste mundo nas mãos do Senhor Deus dos desgraçados.
Aos parentes e companheiros que solicitei ajuda e nada fizeram por meu bem, obrigado. Vocês nunca fizeram a menor diferença em minha vida, vocês são banais, e ridículos como galinhas doidas. Diria que vocês são como bosta n’água, que pra onde a onda empurra ela vai sem hesitar. Espero que mudem, se é que vocês ainda têm força para tal.Não tenho como fugir de tudo isso mas... Acho que o suicídio é a melhor saída pra mim. Chega de pensar nos outros! Vocês ficarão tristes, é claro, mas o tempo levará para bem longe minha imagem e bem logo vocês já esquecerão deste louco, deste homem sem Deus no coração, deste homem carente de mulher, e não sofrerão mais.
Mamãe, fique com este Deus que a senhora tanto acredita, e não se preocupe comigo, eu vou ficar bem, sei me cuidar direitinho e por mais que as pessoas falem mal, talvez o inferno não seja tão ruim assim. Cuide do meu filho, sei que estou deixando-o em boas mãos. Papai, desculpe-me por eu não ter honrado-te. Desculpe-me por eu ter sido esse artista bichinha e maconheiro e não ter sido o filho que o senhor sempre quis ter. Aliás... Foda-se! O senhor nunca foi o pai que eu sempre quis ter. Foda-se! Aos meus irmãos Pedro e Ana Clara, pouco tenho a dizer, vocês foram um dos poucos que sempre me orgulhei. Um beijo na testa de cada um de vocês. Bruna, me desculpe por tudo e obrigado por tentar me amar, o problema está todo comigo, beijos carinhosos!
Não darei mais tempo a isso. Não há pouco tempo, nem muito pra mim, agora não há pressa, pois tenho muito tempo, tenho todo o tempo do mundo.
O conhecimento acabou com a minha vida, e se eu viver vai acabar com a de todos vocês. Os ignorantes são mais felizes, quanto mais procurava saber das coisas mais eu sofria, mais eu me angustiava com os erros dos filhos deste mundo. Não sou um gênio, não sou o senhor perfeitinho, não sou melhor que ninguém, mas este mundo não foi feito pra mim. Como eu seria feliz se eu fosse feliz, e essa segunda felicidade resume-se em ter uma bela, fiel e dedicada esposa, ter obedientes filhos, que nos orgulham, ter uma vida tranqüila financeiramente, com uma sobra de grana, ter fieis amigos, ver seu time campeão. Ah, como eu seria feliz se minha vida fosse como num comercial de margarina! Um mero burguês padrão. Se eu fosse mais um ignorante eu sofreria menos.
Nunca mais voltarei a este mundo. Não acredito em reencarnação, pois, se retornasse a este mundo, certamente não voltaria em paz. Ninguém volta de bom grado a um lugar onde foi maltratado, e os que foram maltratados e têm convicção de que foram maltratados, como eu, são terríveis, pois estão sempre em busca de sua oportunidade de vingança. Certamente nunca mais colocarei meus pés nesta bola de merda, acredito que não, mas caso isso aconteça... Aguardem-me! A vingança é um prato que se come frio! A morte zomba e blasfema de um ser, mas, sinceramente, morrer não é humilhante, humilhante é viver como todos nós vivemos. Oh, morte, tu que és tão forte, que matas o gato, o rato e homem, vista-se com a sua mais bela roupa e venha me buscar, e venha já, pois não esperarei por sua chegada nem por mais um minuto. Mamãe, não se preocupe comigo e tente me esquecer o mais breve possível, papai, acho que agora
no inferno nos veremos depois de tanto tempo, Pedrão, Aninha, um beijo do Rafa. Vivam em paz, se é que neste mundo isso é possível, e que assim seja! O conhecimento acabou com a minha vida, e se eu viver vai acabar com a de vocês.“15 Então o SENHOR Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultiva-lo. 16 E o SENHOR Deus ordenou ao homem: coma livremente de qualquer árvore do jardim, 17 mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá” Gênesis, capítulo 2, versículos 15-16-17.
Não havendo mais nada a tratar, com muito carinho, pela última vez, Rafael Silveira Jandaia.
Espero que tenham gostado. Mais palavras vindas da minha esdrúxula pessoa tornam-se desnecessárias no meu ponto de vista, portando, deixo a palavra final ainda com Piu em seu último poema auto-intitulado.

Piu
Solidão... Não foi um dia... Melancolia.
Dia... O gato mia, o pinto pia.. Pia? Piu!
Dia? Que dia? Não foi um dia.
Nem parte da minha vida... Se é que posso chamar esta louca sobrevivência de vida!
Coloco em cheque toda minha existência por... Um dia.
Dia? Não foi um dia. Que dia?
Dia... O gato mia, o pinto pia.. Pia? Piu!
Névoas... Será? Fumaça, não era névoa nada, bagaça de fumaça, carcaça.
Melancólica melancolia, que pobreza repetir radicais numa poesia.
Azar... Uma sombra se abate sobre mim, sombra de nostalgia.
Nostalgia... Só pra rimar com melancolia, o pinto pia... Poesia.
Tristeza... Lembra da sombra? Toma conta de meus pensamentos...
Pensamentos? Que pensamentos? Ah... A poesia, mas poesia rima com nostalgia.
Com melancolia... E com o pinto pia! O pinto pia em cima da pia, o gato mia no ouvido da tia que sorria e lia filosofia!
A tia se chamava Sofia, o pinto não tinha nome e sofria e o gato era o tal do Lestat!
Dia? Não foi um dia. Que dia?
Dia... O gato mia, o pinto pia.. Pia? Piu!
Nem pensar sou capaz, mas falei que era! Escrevo poesia! Sou capaz de pensar!
Não foi um dia, que chatice essa rima de ia, ia, ia... Vai pro inferno, poesia.
Inferno, inverno... Primavera, e daí? Outono, hum... Eu adoro o outono!
Inverno, primavera, outono... Onde está o verão? Não importa, eu falava sobre o inferno.
Não, nunca, nem pensar, de forma alguma, sem possibilidade, fora de cogitação...
Não, isso não é o inferno. O inferno é bem melhor que este dia.
E este é só um dia... Só mais um dia!
Dia? Que dia?
Dia? Não foi um dia. Que dia?
Dia... O gato mia, o pinto pia.. Pia? Piu!
Solidão... Não foi um dia... Melancolia.
Dia... O gato mia, o pinto pia.. Pia? Piu!
Dia? Que dia? Não foi um dia.
Nem parte da minha vida... Se é que posso chamar esta louca sobrevivência de vida!
Coloco em cheque toda minha existência por... Um dia.
Dia? Não foi um dia. Que dia?
Dia... O gato mia, o pinto pia.. Pia? Piu!
Névoas... Será? Fumaça, não era névoa nada, bagaça de fumaça, carcaça.
Melancólica melancolia, que pobreza repetir radicais numa poesia.
Azar... Uma sombra se abate sobre mim, sombra de nostalgia.
Nostalgia... Só pra rimar com melancolia, o pinto pia... Poesia.
Tristeza... Lembra da sombra? Toma conta de meus pensamentos...
Pensamentos? Que pensamentos? Ah... A poesia, mas poesia rima com nostalgia.
Com melancolia... E com o pinto pia! O pinto pia em cima da pia, o gato mia no ouvido da tia que sorria e lia filosofia!
A tia se chamava Sofia, o pinto não tinha nome e sofria e o gato era o tal do Lestat!
Dia? Não foi um dia. Que dia?
Dia... O gato mia, o pinto pia.. Pia? Piu!
Nem pensar sou capaz, mas falei que era! Escrevo poesia! Sou capaz de pensar!
Não foi um dia, que chatice essa rima de ia, ia, ia... Vai pro inferno, poesia.
Inferno, inverno... Primavera, e daí? Outono, hum... Eu adoro o outono!
Inverno, primavera, outono... Onde está o verão? Não importa, eu falava sobre o inferno.
Não, nunca, nem pensar, de forma alguma, sem possibilidade, fora de cogitação...
Não, isso não é o inferno. O inferno é bem melhor que este dia.
E este é só um dia... Só mais um dia!
Dia? Que dia?
Dia? Não foi um dia. Que dia?
Dia... O gato mia, o pinto pia.. Pia? Piu!
Após tanta depressão, em palavras e imagens tocantes, quero dar uma alegrada na coluna com uma charge muito interessante sobre o tema. Homenageando a Bahia, a minha terra natal, já que meus pais estão lá e acabaram de me ligar da Praça Castro Alves, vai a imagem, intitulada: Suicídio baianês.

Espero que tenham gostado. Até a próxima coluna e muita paz para vocês!
Belo Horizonte, quarta-feira, 11 de abril de 2007

34 Comentários:
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Betto Fernandes
Por
Betto Fernandes, Ã s 2:23 PM
=O Uma bela crítica a nossa sociedade afinal "Deus ? Que Deus ?"
Por
Lord Graham, Ã s 3:02 PM
A vida com ela é...
Ótimo artigo Betto. Continua abalano e tocando!!!!
abraço
Por
pedro, Ã s 3:21 PM
NOVAMENTE desencantando com seus magníficos textos, vai em frente cara... tudo de bom e que seus objetivos sejam alcançados... vlw!!!
Por
Celso, Ã s 3:45 PM
Historia triste, comovente, porém muito envolvente.
Nos faz pensar e refletir sobre nossa propria vida e pensar no que realmente é o certo.
Parabens! Texto e historia fantasticos!!
Continue nos trazendo boas novas historias!!!
Por
Rubens, Ã s 6:54 PM
mais uma vez naum tenhu duvida vc faz a diferença
parabens por mais este trabalho
adorei
Por
michele, Ã s 7:55 PM
Muito bom o seu artigo betto. Muito bom mesmo, parabéns.
O texto e a historia são otimos.
Por
Rafael Tudela, Ã s 8:45 PM
Como diz Mark Rein Hagen:
"Os milagres da tecnologia eliminaram muitos dos terrores básicos da existência,mas não podem fazer nada contra os nossos demônios internos."
Parabéns pelo texto Betto!!
Por
Lu, Ã s 8:54 PM
Nossa, mto bom, parabéns pelo texto Betto!!! História mto envolvente, vc é extremamente talentoso =) Bjos!!!
Por
Vívian Karine, Ã s 9:36 PM
ow my god...
apesar da história deprimente... gostei muito... vc tem a manhã pra escrever hein... aiaiai q saudade de vc e do piuzinho... muito sucesso pra vc!!!!!!!!!!
Nathy Patrícia
Por
Nathalia, Ã s 9:45 PM
Nossaa!!!
Sem coments..
Betto seu artigu tah muito bom...
Muito crítico...
Adorei..
Continue escrevendu vc tem muito talento..
Bju
Fike com Deus..
Que Deus???
xD
Por
Bruna, Ã s 10:16 PM
cara bacana a carta d pensamentos profundos e duvidas fortes d contextação
espero q continue montando esse jornal c bons temas como esse
parabens
Por
another_metal_god, Ã s 10:36 PM
adorei betto... chocante, faz pensar, é impossivel parar de ler no meio hehehe
otima coluna esta de parabens continue assim mae ...
ósculos
Por
raiza, Ã s 12:01 AM
Nooooossa, muito, muito muitooo bom mesmo... adorei!!!
Por
Bárbara S, Ã s 3:37 AM
Betto, meu cunhadinho!
Parábens, você me fez sentir a raiva e o desgosto que o personagem sentia. Porém, eu preciso dizer que não gostei muito das difamações e dos comentário sarcásticos. E, o cara dizendo que teve mais fé q qualquer um. Deve ter sido por isso q ele se matou... hauahuhauh
Mas, opiniões diferentes, pessoas diferentes, esperiências diferentes. No mais, parabéns msmo!
Abraços.
Por
Larissa Vita, Ã s 9:55 AM
Olhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
O cara morreu !!!! Chocante.hehehehehehehe
Muito doido a carta, depois quero o livro pra tirar Xerox. hehehehehehehehehehe (To zuando)
Qdo sai o livro ?
Abraço
Por
Sanderson, Ã s 5:49 PM
muito boa sua coluna... trechos interessantes... este me fez lembrar Cazuza... acompanharei seus textos.Abraços!
Por
Fsan, Ã s 10:47 PM
Mto loka a colunaaa
amei d+
Parabens!!!
Por
jessica_serian, Ã s 3:48 PM
Betto sempre surpreende a editoria do O REBATE com seus textos belamente elaborados e atuais. Betto é um dos melhores colunistas que já editei. E olhe que tenho estrada nisso. Abs de seu editor e admirador. José Milbs
Por
José Milbs, Ã s 3:50 PM
Muito interessante.
Em alguns momentos me via no próprio Rafael. O questionamento sobre a existência divina me fez mudar há tempos atrás.
É, sem sombra de dúvidas, uma carta comum àqueles que, como eu, se desiludiram com a esperança de uma vida melhor ao gosto de Deus.
Entretanto não sou tão extremista quanto Rafael.
O texto torna-se real e muito convinceste a cada parágrafo. A história faz-se como filme na imaginação a cada nova indagação.
Realmente meu amigo "Betto", teu texto reflete uma mente contemporânia, conflitante e comum há muitas pessoas que conheço, tambem como as que desconheço (incluo-me neste time).
Parabéns e muita sorte neste seu caminho!
Por
Will, Ã s 4:01 PM
Nunca li uma carta de suicídio real, mas creio que essa representou bem o desgosto pela vida e a repetição do anúncio.
Parabéns pela escrita.
Por
Yuri, Ã s 5:03 PM
ParabensBetto fico otimo o texto
gostei demais vou querer o livro para ler depois que for publicado ok??
abração cara te mais
sucesso ai
Por
slaycky, Ã s 5:06 PM
Betto Fernandes, quero parabenizá-lo pelo seu texto, que mais uma vez está na primeira página e que foi muito bem construído. A contextualização ficou muito boa - não ficou grande e contém as informações necessárias.
Foi uma ótima idéia ter colocado um trecho de seu livro - que na minha singela opinião está ficando muito bom - e em especial essa carta, cujo conteúdo me faz lembrar tanto as velhas cartas que eu escrevia quando era nem mais nova e desiludida com o mundo, embora muitos dos meus pensamentos não condizem com o do Rafael Jandaia.
Sucesso pra você Betto, que você possa desenvolver cada vez mais essa sua habilidade de escritor.
um abraço
Por
Rosceli Vita, Ã s 8:24 PM
Trecho no qual se destaca o bom trabalho que você fez na interpretação do personagem Rafel (quem já leu outras passagens do teu livro ou já ouviu muitas descrições sobre ele pode perceber), porém na minha modesta opinião, a idéia trabalhada não fugiu aos padrões.
Observação: passagem das mais chatas que conheço do livro :P
Por
Lawsann, Ã s 12:35 PM
Eu tenho motivos especiais pra descordar do Laws... pra mim é umas das passagens mais angustiantes do livro...
A carta deixa claro o que Piu sentia e pensava...
Dá até uma certa culpa ler essa carta... mas um alívio também... hauiahiuahiuahaiuha e vc sabe porque!!!! XD Assim como o poema me traz lembranças boas!!
Parabéns pela coluna... pleos temas e principalmente pelos textos...
Abraços...
Por
barbarella, Ã s 10:39 PM
mto bom artigo,Betto
continue assim nos encantando com suas belas histórias e palavras
elas sempre nos fazem repensar nossa vida e nossos caminhos
abraço de seu admirador
Por
Rob, Ã s 2:03 AM
muito bom seu texto...vc escreve muito bem...gostei mesmo....falow Fernanda
Por
Fernanda, Ã s 1:47 PM
Betto realmente quanto mais se sabe da vida,mais se estuda mais se sofre,ha duvidas no nosso mundinho.O texto eh tocante e imprecionante.Devemos dar valor as pessoas e deligar mais desse mundo material.Parabens....
Por
Fernanda, Ã s 2:23 AM
Sim, a ignorancia trás felicidade. Quisera eu ter a escolha entre tudo conhecer ou nada saber.
Isso é injusto.
Ninguém nos deu a opção.
Mas se tivessemos a escolha entre o "se" e o "talvez",
não seria a mesma coisa que não te-la?
O circulo angustiante entre o ser ou não ser,
se repetiria da mesma maneira.
Quanto mais a gente sabe, mais a gente sabe que de nada sabe, e mais a gente de nada queria saber.
Gostei do texto, e a poesia completa o sentimento de odio e apatia do eu lirico. Nem sabia dessa sua coluna Betto, vou ler os textos antigos tb. Gostei. xD
Por
rdecaio, Ã s 7:49 PM
nossa, no começo até chorei, acho q eu li pensando mais nos sentimentos dele, mto triste...
parabens pelo texto Betto..
um abraço
Por
Aline, Ã s 9:06 PM
Muito bom Egberto o artigo que tu escrevestes, está de parabéns! Faço votos que continue escrevendo algo que preste para as pessoas que não prestam lerem. Bom, agradeço-lhe por ter introduzido o meu nome, e sobrenome (Bigorna forever) em seu artigo, embora não me considero digno de tal honra. A carta do estudante de filosofia, como eu, levanta diversos questionamentos importantes e relevantes para uma discussão, mas sobretudo o tema da felicidade X conhecimento fica latente e impossível de não ser refletido. De fato concordo com a opinião do Rafael, quanto mais se sabe, mais se busca, mais se estuda, mais conhece, mais tenta adquirir algum saber, mais também fica distante a felicidade. Mais se precisa para ser feliz.
Sucesso para você meu caro Egberto, continue produzindo como uma vaca leiteira... e seja feliz
Saudades
Douglas Barbosa Veloso
Por
Anônimo, Ã s 8:28 PM
Olá Betto!
Parabéns por sempre explorar temas polêmicos e reais. A depressão e o suicídio estão entre as maiores causas de morte no Brasil, índice maior do que homicídios...É impressionante. Infelizmente muitas pessoas são vítimas do que chamam de "destino" e não conseguem se livrar do que acreditam ter sido criado por Deus. Temos o livre arbítrio, escolhemos nossos caminhos.Somos fruto de nossas escolhas. A experiência que o autor teve com Deus não foi boa, talvez porque buscou respostas em homens, em religião e não em JESUS CRISTO, que morreu em nosso lugar pra que tivessemos vida e vida eterna em abundância! Posso falar da minha experiência com ELE: a paz que sinto, não há dinheiro que compre. Encontrei a razão de viver, ainda que pessoas me maltratem, não me amem, sei q Ele me ama e está sempre ao meu lado.Quem se diz cristão, deve amar uns aos outros.Ele também não teve uma boa experiência com pessoas. Mas conheço várias que são honestas, amigas e estariam dispostas a ajudá-lo, se ele tivesse pedido ajuda. Não pode generalizar que todas as pessoas são ruins.Ele me parece melancólico e analítico, se fazendo de vítima da situação, em vez de AUTOR DA PRÓPRIA HISTÓRIA! Abraços
Por
Lilian Renna, Ã s 1:15 AM
Caro amigo Betto
fiquei de certa forma impressionado com essa "carta".Em pensar que tudo começou de uma brincadeira de adolescente, se é que podemos chamar de brincadeira mesmo. Tenho grande carinho por Você, e grande estima, Você marcou a minha vida, e por isso quero deixar alguns pensamentos para reflexão. O que vou escrever agora se refere ao que vivo e sinto atualmente. Todos nos temos o livre arbitrio, disso todos nos sabemos, a grande questao é:
será q o exercemos? Quando um homem resolve trair a sua esposa com uma prostitua e depois se embriagar de arrependimento, ele está usando o seu livre arbitrio?
Quando uma pessoa fuma durante 30 anos e aos 50 com uma familia formada e com filhos, descobre que está com seus dias contados devido a um cancer, isso e livre arbitrio?
Algumas coisas que voce disse infelizmente sao verdades, verdades que nos machucam, porém sao verdades que nos fazem crescer, nao acho ético da sua parte por a culpa em Deus. Todo ser humando tem responsabilidade sobre a sua vida, nos escolhemos o que achamos o que é melhor para nos, de acordo com o padrão que nos foi ensinado. Vemos isso claramente com os homens bomba.
Voce sabe sobre o meu ponto de vista sobre isso, fico feliz pela sua vida, e pelo seu talento, mais acho que isso devia ser repensado.
Quero te dizer que tudo o escrevi naquela carta, a sua fonte de inspiração, de maneira alguma retrata o que penso. Mesmo assim voce sabe que isso nao interfere em nada em relaçao ao que sinto por voce. Quero terminar deixando uma frase: "O homem que a dor nao educou, será sempre uma criança."
Abraços
Do seu AMIGO Rafael de Oliveira
Por
Rafael Piu, Ã s 2:52 AM
Betto,
Texto forte e dentro da realidade.
Quem conheceu o Piu compreende mais ainda (até com um certo humor).
Vc está sempre se superado.
Abraços,
Lívia
Por
Lívia França, Ã s 12:23 PM
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