Saddam Hussein, Tiradentes e Duque de Caxias
Por Betto Fernandes
Olá caros leitores!

Antes de qualquer outra coisa, gostaria de agradecer a todos que leram o texto anterior. Tive um retorno satisfatório não só nos comentários registrados, mas também no meu MSN e no meu perfil do Orkut.
Agradeço a todos que investiram seu valioso tempo lendo minha coluna. Sinceramente, muito obrigado!
Espero que o que escrevi tenha soado muito mais do que um texto bonitinho bem construído, espero que tenha tocado fundo o coração de cada um, para que reflexionasse sobre um tema, tão complexo e tão simples: “Estamos condicionados a amar a casca”, repensem.
Nesta nova coluna tratarei de um tema bem polêmico, entretanto, extremamente curioso. Deixando pra trás toda famigerada ilusão natalina e após passar com classe pelo amor, venho através deste texto debater a vida e a morte do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e fazer um paralelo com a vida e morte do Inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, lembrando também, rapidamente, a figura de Duque de Caxias. Por tratar de um tema bem polêmico e extremamente trabalhoso, informo-os que a coluna está um pouco maior do que o normal, mas essa extensão faz-se mais do que necessária para não haver mal entendidos. Compilei o máximo para deixa-la mais agradável e fluente. Esse é o motivo também da demora da publicação, somando-se a tudo isso, os problemas técnicos apresentados pelo meu computador. Mas enfim, aí está, podem se deleitar.
Antes de começar efetivamente, gostaria de deixar claro que a proposta deste texto não é julgar se foi certa ou errada a decisão de findar a vida de Saddam. Venho apenas expor um pouco da vida do estadista iraquiano, que é pouco conhecida, fazendo algumas plausíveis considerações e reflexões acerca do tema. Gostaria de informar também, que não sou partidário das idéias do iraquiano e de esclarecer que história é uma ciência humana e por isso é mutável.
O estudo da história depende do ponto de vista do autor. Recorri na minha biblioteca a vários autores; pesquisei em diversas fontes diferentes; “internetei” de montão. Portanto os fatos aqui descritos e expostos podem e devem ser questionados quanto à veracidade, afinal, isso é história. Essa é a mágica dessa magnífica ciência.
Após estes esclarecimentos iniciais, já que, ao meu ver são indispensáveis, deixemos de lero-lero e vamos logo com isso.
Saddam Hussein

Em 28 de abril de 1937, nascia Saddam Hussein Abd al-Majid al-Tikriti, numa paupérrima e violenta aldeia da cidade muçulmana sunita de Tikrit, situada a aproximadamente 150 quilômetros da capital, Bagdá.
Vindo de uma família de camponeses, o pequeno teve uma infância infernal, com o perdão da palavra. Desde pequeno, Saddam aprendeu como era eficaz a utilização da violência. O pai abandonou a família antes do seu nascimento e a mãe, que trabalhava como vidente, teve de arrumar outro companheiro para se sustentar.
O padrasto, que era vulgarmente conhecido como “Ibrahim o mentiroso”, não era o “substituto” ideal. Relatos documentados nos contam que Ibrahim chegava ao ponto de se divertir surrando o pequeno Saddam com um pedaço de madeira coberto com asfalto. O próprio Saddam já revelou que desde a primeira infância ele evitava o convívio social e para evitar “gozações” por não ter o pai biológico presente, sempre saía de casa armado com uma barra de ferro.
Um tio materno, militar, simpatizante de Adolf Hitler, foi a figura mais importante na formação da personalidade de Saddam, segundo o próprio. E foi graças a este tio, fervoroso nacionalista, que Saddam se mudou para Bagdá.
Aos 19 anos de idade, aderiu ao Partido Socialista Árabe Ba’ath, onde participou ativamente de vários golpes de Estado que fracassaram. Acusado de complô, aos 22 anos foi condenado à morte à revelia, sentença da qual conseguiu escapar fugindo vestido de mulher para o Egito, onde as autoridades locais o concederam asilo político. Já na cidade do Cairo, casou-se com sua prima de sangue, filha do tio que o adotou, terminou os estudos secundários e ingressou na Escola de Direito. Acabou sendo perdoado e voltando a Bagdá, assumindo em seguida, o comando da organização militar do Ba’ath.

Conhecido por admirar o ex-ditador soviético Josef Stalin, Saddam nunca foi um ideólogo, mas apelou muitas vezes ao nacionalismo árabe, ao Islã e ao patriotismo iraquiano para cimentar sua liderança. O ditador de Bagdá começou sua carreira como assassino profissional a soldo do Partido Ba'ath e chegou à chefia da polícia secreta iraquiana do serviço secreto: a terrível Mukhabarat.
No final de 1969, foi nomeado vice-presidente do Conselho do Comando Supremo da Revolução, tornando-se assim o "número dois" do regime, depois do presidente general Al-Bakr, que era seu parente. Em 1979, assumiu os títulos de chefe de Estado, presidente do Conselho do Comando Supremo da Revolução, primeiro-ministro, comandante das Forças Armadas e secretário-geral do partido Ba’ath. Quinze dias depois, uma conspiração surgida entre os membros do partido do recém-nomeado líder máximo do Iraque, terminou com a execução de 34 pessoas, entre elas, membros do Exército e alguns dos mais íntimos colaboradores de Saddam Hussein. Assim, podemos descrever a grosso modo, sua ascensão ao poder.
Há relatos de que o ditador tinha uma personalidade muito excêntrica, era um maníaco em higiene, apreciador de torneiras de ouro, tinha 23 palácios para uso pessoal, jamais dormia duas noites no mesmo local, jamais comia algo que não tivesse sido testado e provado por gente de sua confiança, era um grande colecionador de chapéus, especialista e exímio degustador de bebidas alcoólicas, amante da gastronomia e adorava lagostas e vinho português. Centenas de obras foram edificadas em sua homenagem e nas escolas as crianças entoavam músicas como: “Saddam, ó Saddam, você carrega a alvorada da nação em seus olhos”. E mesmo com toda essa excentricidade e com todo poder nas mãos, ele somente ganhou popularidade e os noticiários dos jornais de todo o mundo, quando alegou ser descendente direto dele mesmo. Parece estranho, mas ele se proclamou reencarnação literal de Nabucodonosor II, que foi um grande rei que viveu de 632 a.c. até 562 a.c. e governou durante 43 anos o império Neo-babilônico.

No poder, o ditador iraquiano que era fã de Stalin, adotou uma política de culto à personalidade, muito característica de países com políticas autoritaristas. Eram fotos e cartazes que estampavam seu rosto por todo o Iraque, elaborou a criação de uma imagem de islamita devoto e de bom pai, (embora fosse considerado cético do ponto de vista religioso e apreciasse bebidas alcoólicas, proibidas pelo Islã), eliminou todo tipo de oposição política e censurou a imprensa. Durante a primeira Guerra do Golfo, travou duras batalhas contra o Irã. Acredita-se que a luta era motivada pela expansão xiita que ocorria no Irã e ameaçava invadir o Iraque. A população xiita iraquiana, que era maioria, com seus ideais islâmicos ameaçava o poder e a disputa territorial serviu de pretexto para as hostilidades, que duraram oito anos. Mesmo tendo o apoio da extinta União Soviética, EUA, Kuwait, Arábia Saudita e outras nações árabes, a guerra chegou ao fim somando mais de um milhão de mortos e sem um vencedor declarado. Na segunda Guerra do Golfo, de 1990, as batalhas foram travadas contra um ex-aliado na primeira guerra, o Kuwait. Motivado por interesses políticos, que estavam relacionados à comercialização do petróleo e interessado no território do Kuwait, Saddam ordenou que as tropas iraquianas anexassem o país vizinho ao território iraquiano. Apenas um ano depois, uma coligação internacional liderada pelos EUA (então governados por George Bush, pai) obrigou o Iraque a retirar-se do Kuwait. Com o fim da guerra, Saddam “teve que engolir” o embargo econômico proposto pela ONU e além disso, reprimir revoltas por todo o Iraque. Entretanto, nem a debilitada situação econômica, nem o pós-guerra comprometeram a vitória da Saddam nas urnas. No primeiro plebiscito da história iraquiana, Saddam detinha 99,96% das opiniões de voto. Apesar dos pesares, apesar da suposta fraude no plebiscito, o apoio popular era surpreendente.
Na década de 90 a população iraquiana padeceu muito, sofrendo com as sanções econômicas impostas pela ONU. Mas somente em 2001, em resposta aos ataques de 11 de setembro, o Iraque sofreu retaliações mais eficazes e iniciou oficialmente a terceira Guerra do Golfo, a famosa Guerra do Iraque.
O presidente dos EUA, George Walter Bush, incluiu o Iraque no famoso “eixo do mal”, iniciando assim, a campanha militar contra o país. Bush acusou o Iraque de ter, ou desenvolver armas de destruição em massa e esse é o pretexto que ainda veicula.

Em 2003, Bush moveu contra Saddam uma guerra para tira-lo do poder. Saddam foi expulso do poder pelas tropas americanas e britânicas, numa guerra não autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU. Seu paradeiro era desconhecido até o final de 2003, quando Saddam foi encontrado dentro de um buraco armado com uma pistola e duas metralhadoras AK-47 e de porte de US$ 750,000,00. Entregou-se pacificamente após uma tentativa de suborno de seus captores: “sou Saddam Hussein, presidente do Iraque e quero negociar”, propôs em inglês.
Depois disso, foi julgado e condenado à pena de morte por enforcamento, acusado de cometer crimes contra a humanidade. O mais curioso, é que mesmo depois de os defensores de Saddam argumentarem que o julgamento carecia de neutralidade e propuserem um julgamento num tribunal internacional, com juizes de várias nacionalidades, quem interviu no julgamento de Saddam foi o povo ocidental, principalmente as altas forças dos EUA.
Mas a vida de Saddam não foi apenas feita de guerras. Ele também se dedicou à literatura, lançando alguns romances que viraram best-sellers. Podemos citar o primeiro romance, intitulado Zabibah e o Rei, que devido ao tamanho sucesso virou um musical no Iraque. Teve mais uma esposa além de sua prima e teve ainda dois filhos varões, Uday e Qusay, que eram considerados as forças mais influentes no regime de Saddam e foram assassinados em 2003 por disparos das forças americanas, após terem sido entregues em troca de uma quantia de US$ 15 milhões por cada um deles.
No dia
30 de dezembro, às 6 horas da manhã, horário do Iraque, aos 69 anos, Saddam Hussein foi enforcado. A televisão estatal iraquiana exibiu a sentença ao vivo e Saddam se recusou a usar capuz preto na hora da execução, preferindo morrer com o rosto à mostra. Com uma câmera de um celular, ilegalmente, uma das testemunhas filmou e divulgou na internet a execução do ex-ditador. O curioso é que a morte de Saddam ficou fora da famosa e sensacionalista retrospectiva que a Rede Bobo, quero dizer, Rede Globo de Televisão exibe todo ano, já que o programa foi ao ar antes do fato. Imprime-se uma pergunta, ano que vem eles exibirão a morte? Ou se perdeu para sempre este importante fato? Vamos esperar pra ver.
Resumidamente, posso expor desta forma a biografia do ex-ditador iraquiano. No entanto, como havia mencionado no início do texto, proporei algumas reflexões e farei um paralelo, mesmo que distante, com Tiradentes e com Duque de Caxias. Então, vamos lá!
Tiradentes

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, recebeu este apelido por ter aprendido o oficio com um tio que era cirurgião dentista. Além de dentista prático, foi tropeiro, mascate, herborista, minerador, comerciante, militar e ativista político.
Nascido na fazenda do Pombal, em Minas Gerais, ficou órfão de mãe aos nove anos e de pai aos onze. Não fez os estudos regulares. Atuou grande parte da vida como militar, alcançando o posto de alferes e fiscalizando a Estrada Real. Tiradentes se destaca por seu envolvimento com a Inconfidência Mineira. Um movimento que envolveu as altas camadas de influência da capitania, incluindo forças do clero e pessoas com grande projeção social e que dentre outras coisas, buscava a independência da capitania das Minas Gerais bem como a criação de uma república (nunca foi proposto pelos inconfidentes a independência do Brasil como um todo), a criação de uma universidade em Vila Rica, atual Ouro Preto, (na época, sede da capitania), criar indústrias e mudar a sede da capitania para São João Del-Rei. Além disso, a Inconfidência Mineira não visou a abolição da escravatura. Ligar os ideais franceses de liberdade, igualdade e fraternidade diretamente à Inconfidência Mineira pode ser fanatismo demais.
Tiradentes ajudava o movimento fazendo propaganda e pregando os ideais por onde passava.
Um dos inconfidentes, Joaquim Silvério dos Reis, delatou o movimento em troca do perdão de uma grande dívida que ele tinha com a Fazenda Real. Decretada a prisão dos participantes, Tiradentes fugiu para a casa de um amigo no Rio de Janeiro, entretanto, foi novamente delatado pelo mesmo Joaquim Silvério dos Reis, que pelas delações, dentre outras coisas, recebeu o título de fidalgo. Tiradentes foi condenado à forca por ter sido o único do movimento que assumiu responsabilidade pela Inconfidência, por ser o de menor posição social e por não ser casado. Aos demais a pena foi o degredo para a África. E assim, numa manhã de sábado de 21 de abril de 1792, no largo da Lampadossa no Rio de Janeiro, Tiradentes morreu de morte natural pela forca e para sempre. Seu corpo foi esquartejado, com seu sangue lavrou-se a certidão de que estava cumprida a sentença, seus bens foram confiscados, sua casa foi queimada e o terreno salgado, para que nada mais crescesse, seus descendentes e sua memória foram declarados infames, pedaços do seu corpo foram deixados pelo caminho onde ele pregava a Inconfidência e a cabeça foi espetada num pau na praça principal de Vila Rica.

Durante o império, a figura de Tiradentes ficou obscura, já que os imperadores eram descendentes diretos da Rainha Dona Maria I, que ordenou a sentença de Tiradentes. Anos mais tarde, com a proclamação da República, a biografia de Tiradentes foi mitificada. Era preciso criar heróis para a nação e ninguém melhor do que militares para ocupar estes cargos, já que quem proclamou a república foi o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca. Assim, a imagem de um Tiradentes cabeludo, barbudo, quase um cristo, que lutava pela libertação da pátria, foi cuidadosamente forjada.
Quando militar, o máximo que Tiradentes poderia usar era um tímido bigode, e os cabelos sempre curtos. Na prisão, para evitar problemas com piolho, os prisioneiros eram submetidos a terem as cabeças raspadas e as barbas feitas. Tiradentes morreu careca e com a barba feita. Tiradentes hoje é considerado Patrono Cívico do Brasil, sendo a data de sua morte, 21 de abril, feriado nacional.
Duque de Caxias

Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, nasceu em 1803 na fazendo São Paulo, no município fluminense de Porto da Estrela, hoje Duque de Caxias. Pouco se tem de registro documental da infância de Duque de Caxias, sabe-se que era filho de um marechal e que estudou no convento de São Joaquim. Com 15 anos matriculou-se na Academia Real Militar, com 18 anos foi promovido a Tenente e integrou a elite do Exército do Rei. Recebeu das mãos do próprio Dom Pedro I a bandeira recém criada do império. Com 21 anos, após sucesso numa represália contra um movimento de independência na Bahia, recebeu o título de Veterano da Independência. Aos 23 anos recebeu o título de Capitão e após sucesso na campanha Cisplatina, recebeu uma série de condecorações e o posto de Major. Com 30 anos de idade o Major Luis Alves de Lima e Silva se casa com uma senhorita de 16 anos de idade. Já com 34 anos foi promovido a Tenente-coronel e foi escolhido para “pacificar” o movimento da balaiada no Maranhão. Com 36 anos, por uma carta imperial, é nomeado Coronel e presidente da província do Maranhão e Comandante Geral das forças em operação. Aos 37 anos foi nomeado veador de suas altezas imperiais. Com 38 anos foi nomeado Barão de Caxias (Caxias, porque o município maranhense era a segunda maior importância na balaiada e ele conseguiu “pacificar” a região). Aos 39 anos, após reprimir com sucesso um levante em São Paulo, é nomeado Brigadeiro. Um mês depois é deslocado para Minas inibindo mais uma revolta. Pelos relevantes serviços prestados é promovido ao posto de Marechal-de-campo, com menos de 40 anos de idade.
No mesmo ano foi deslocado para “pacificar” a Guerra dos Farrapos que grassava no sul do império. Com o fim da Guerra dos Farrapos, é nomeado Marechal Barão de Caxias, Conselheiro da Paz e O pacificador do Brasil. Ainda recebeu os títulos de Marquês de Caxias e foi graduado a Marechal-do-exército. Caxias sempre foi um militar exemplar, muito considerado por seu alto amor à pátria Brasil e por conseguir “pacificar” regiões sem derramamento de sangue, era um verdadeiro gentleman. Muitas de suas investidas em território nacional merecem ser glorificadas, entretanto na Guerra do Paraguai, com a Tríplice Aliança entre Brasil, Uruguai e Argentina é que ele se mostrou um verdadeiro servo da xenofobia.
A citada guerra foi o maior e mais sangrento conflito armado internacional ocorrido no continente americano, somando mais de 60 mil mortos brasileiros, em que muitos homens foram obrigados a guerrear. Documentos nos indicam que cerca de 90% da população paraguaia do sexo masculino foi dizimada na guerra. Caxias não perdoou nem mulheres nem crianças.
O Paraguai atravessava uma fase fantástica na economia e a derrota marcou uma reviravolta na história do país. Se o Paraguai é hoje uma republiqueta miserável, muito deve-se à Guerra do Paraguai e ao Duque de Caxias. Caxias amava muito o nosso Brasil, isso é fato. Amava tanto, ao ponto de na Guerra do Paraguai não perdoar nem os civis paraguaios, nem mulheres e crianças.
Outro fator negativo, foram os empréstimos internacionais que o Brasil fez para guerrear, a famosa dívida externa. Depois da guerra, Caxias foi elevado a Duque, sendo o único Duque brasileiro. Duque de Caxias hoje é considerado o maior militar brasileiro, Patrono do Exército Brasileiro e herói nacional. Tem uma série de monumentos erguidos em seu nome e até na cédula brasileira seu rosto já foi estampado.
Reflexões

Ponho-me a refletir acerca de algumas questões. Saddam foi enforcado assim como Tiradentes. Será que um dia se tornará herói? Nós ainda temos a retrograda e preconceituosa cabeça do século XVIII? Quem pagará pelos crimes cometidos contra Saddam?
Não questiono a pena de morte, questiono o enforcamento. Será que uma injeção letal não seria mais adequada? Matando-o enforcado não estamos causando dor e sofrimento? Não foi por isso que Saddam foi condenado? Estamos nos divertindo com a desgraça alheia? A maioria que se diz cristão não se choca com a pena de morte? Foi isso que Jesus Cristo nos ensinou? É isso que ouvimos nas missas? Duque de Caxias não exterminou pessoas inocentes como Saddam?
Até que ponto temos o direito de exportar a nossa “democracia” para outras realidades como a do oriente médio, por exemplo? Alguém enviaria homens e colocaria tanques e aviões no meio da floresta amazônica se a tribo dos ianomâmis estivesse sob o domínio dum cacique ditador? Se não, seria porque a tribo ágrafa, perdida na floresta não interfere nos objetivos econômicos das potências capitalistas? São questões que me ponho a refletir e convido-os para pensar também.
Agradeço a todos a paciência ao ler esta longa coluna.
Sinceramente, obrigado a todos vocês que conseguiram finalizar esta leitura. Espero que tenham gostado e aproveitado. Fiquem à vontade para comentar o texto. Congratulem, reclamem, questionem, xinguem... O espaço é de vocês!
Obrigado e até a próxima. Força e honra a todos vocês!
Paz!
Olá caros leitores!

Antes de qualquer outra coisa, gostaria de agradecer a todos que leram o texto anterior. Tive um retorno satisfatório não só nos comentários registrados, mas também no meu MSN e no meu perfil do Orkut.
Agradeço a todos que investiram seu valioso tempo lendo minha coluna. Sinceramente, muito obrigado!
Espero que o que escrevi tenha soado muito mais do que um texto bonitinho bem construído, espero que tenha tocado fundo o coração de cada um, para que reflexionasse sobre um tema, tão complexo e tão simples: “Estamos condicionados a amar a casca”, repensem.
Nesta nova coluna tratarei de um tema bem polêmico, entretanto, extremamente curioso. Deixando pra trás toda famigerada ilusão natalina e após passar com classe pelo amor, venho através deste texto debater a vida e a morte do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e fazer um paralelo com a vida e morte do Inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, lembrando também, rapidamente, a figura de Duque de Caxias. Por tratar de um tema bem polêmico e extremamente trabalhoso, informo-os que a coluna está um pouco maior do que o normal, mas essa extensão faz-se mais do que necessária para não haver mal entendidos. Compilei o máximo para deixa-la mais agradável e fluente. Esse é o motivo também da demora da publicação, somando-se a tudo isso, os problemas técnicos apresentados pelo meu computador. Mas enfim, aí está, podem se deleitar.
Antes de começar efetivamente, gostaria de deixar claro que a proposta deste texto não é julgar se foi certa ou errada a decisão de findar a vida de Saddam. Venho apenas expor um pouco da vida do estadista iraquiano, que é pouco conhecida, fazendo algumas plausíveis considerações e reflexões acerca do tema. Gostaria de informar também, que não sou partidário das idéias do iraquiano e de esclarecer que história é uma ciência humana e por isso é mutável.
O estudo da história depende do ponto de vista do autor. Recorri na minha biblioteca a vários autores; pesquisei em diversas fontes diferentes; “internetei” de montão. Portanto os fatos aqui descritos e expostos podem e devem ser questionados quanto à veracidade, afinal, isso é história. Essa é a mágica dessa magnífica ciência.
Após estes esclarecimentos iniciais, já que, ao meu ver são indispensáveis, deixemos de lero-lero e vamos logo com isso.
Saddam Hussein

Em 28 de abril de 1937, nascia Saddam Hussein Abd al-Majid al-Tikriti, numa paupérrima e violenta aldeia da cidade muçulmana sunita de Tikrit, situada a aproximadamente 150 quilômetros da capital, Bagdá.
Vindo de uma família de camponeses, o pequeno teve uma infância infernal, com o perdão da palavra. Desde pequeno, Saddam aprendeu como era eficaz a utilização da violência. O pai abandonou a família antes do seu nascimento e a mãe, que trabalhava como vidente, teve de arrumar outro companheiro para se sustentar.
O padrasto, que era vulgarmente conhecido como “Ibrahim o mentiroso”, não era o “substituto” ideal. Relatos documentados nos contam que Ibrahim chegava ao ponto de se divertir surrando o pequeno Saddam com um pedaço de madeira coberto com asfalto. O próprio Saddam já revelou que desde a primeira infância ele evitava o convívio social e para evitar “gozações” por não ter o pai biológico presente, sempre saía de casa armado com uma barra de ferro.
Um tio materno, militar, simpatizante de Adolf Hitler, foi a figura mais importante na formação da personalidade de Saddam, segundo o próprio. E foi graças a este tio, fervoroso nacionalista, que Saddam se mudou para Bagdá.
Aos 19 anos de idade, aderiu ao Partido Socialista Árabe Ba’ath, onde participou ativamente de vários golpes de Estado que fracassaram. Acusado de complô, aos 22 anos foi condenado à morte à revelia, sentença da qual conseguiu escapar fugindo vestido de mulher para o Egito, onde as autoridades locais o concederam asilo político. Já na cidade do Cairo, casou-se com sua prima de sangue, filha do tio que o adotou, terminou os estudos secundários e ingressou na Escola de Direito. Acabou sendo perdoado e voltando a Bagdá, assumindo em seguida, o comando da organização militar do Ba’ath.

Conhecido por admirar o ex-ditador soviético Josef Stalin, Saddam nunca foi um ideólogo, mas apelou muitas vezes ao nacionalismo árabe, ao Islã e ao patriotismo iraquiano para cimentar sua liderança. O ditador de Bagdá começou sua carreira como assassino profissional a soldo do Partido Ba'ath e chegou à chefia da polícia secreta iraquiana do serviço secreto: a terrível Mukhabarat.
No final de 1969, foi nomeado vice-presidente do Conselho do Comando Supremo da Revolução, tornando-se assim o "número dois" do regime, depois do presidente general Al-Bakr, que era seu parente. Em 1979, assumiu os títulos de chefe de Estado, presidente do Conselho do Comando Supremo da Revolução, primeiro-ministro, comandante das Forças Armadas e secretário-geral do partido Ba’ath. Quinze dias depois, uma conspiração surgida entre os membros do partido do recém-nomeado líder máximo do Iraque, terminou com a execução de 34 pessoas, entre elas, membros do Exército e alguns dos mais íntimos colaboradores de Saddam Hussein. Assim, podemos descrever a grosso modo, sua ascensão ao poder.
Há relatos de que o ditador tinha uma personalidade muito excêntrica, era um maníaco em higiene, apreciador de torneiras de ouro, tinha 23 palácios para uso pessoal, jamais dormia duas noites no mesmo local, jamais comia algo que não tivesse sido testado e provado por gente de sua confiança, era um grande colecionador de chapéus, especialista e exímio degustador de bebidas alcoólicas, amante da gastronomia e adorava lagostas e vinho português. Centenas de obras foram edificadas em sua homenagem e nas escolas as crianças entoavam músicas como: “Saddam, ó Saddam, você carrega a alvorada da nação em seus olhos”. E mesmo com toda essa excentricidade e com todo poder nas mãos, ele somente ganhou popularidade e os noticiários dos jornais de todo o mundo, quando alegou ser descendente direto dele mesmo. Parece estranho, mas ele se proclamou reencarnação literal de Nabucodonosor II, que foi um grande rei que viveu de 632 a.c. até 562 a.c. e governou durante 43 anos o império Neo-babilônico.

No poder, o ditador iraquiano que era fã de Stalin, adotou uma política de culto à personalidade, muito característica de países com políticas autoritaristas. Eram fotos e cartazes que estampavam seu rosto por todo o Iraque, elaborou a criação de uma imagem de islamita devoto e de bom pai, (embora fosse considerado cético do ponto de vista religioso e apreciasse bebidas alcoólicas, proibidas pelo Islã), eliminou todo tipo de oposição política e censurou a imprensa. Durante a primeira Guerra do Golfo, travou duras batalhas contra o Irã. Acredita-se que a luta era motivada pela expansão xiita que ocorria no Irã e ameaçava invadir o Iraque. A população xiita iraquiana, que era maioria, com seus ideais islâmicos ameaçava o poder e a disputa territorial serviu de pretexto para as hostilidades, que duraram oito anos. Mesmo tendo o apoio da extinta União Soviética, EUA, Kuwait, Arábia Saudita e outras nações árabes, a guerra chegou ao fim somando mais de um milhão de mortos e sem um vencedor declarado. Na segunda Guerra do Golfo, de 1990, as batalhas foram travadas contra um ex-aliado na primeira guerra, o Kuwait. Motivado por interesses políticos, que estavam relacionados à comercialização do petróleo e interessado no território do Kuwait, Saddam ordenou que as tropas iraquianas anexassem o país vizinho ao território iraquiano. Apenas um ano depois, uma coligação internacional liderada pelos EUA (então governados por George Bush, pai) obrigou o Iraque a retirar-se do Kuwait. Com o fim da guerra, Saddam “teve que engolir” o embargo econômico proposto pela ONU e além disso, reprimir revoltas por todo o Iraque. Entretanto, nem a debilitada situação econômica, nem o pós-guerra comprometeram a vitória da Saddam nas urnas. No primeiro plebiscito da história iraquiana, Saddam detinha 99,96% das opiniões de voto. Apesar dos pesares, apesar da suposta fraude no plebiscito, o apoio popular era surpreendente.
Na década de 90 a população iraquiana padeceu muito, sofrendo com as sanções econômicas impostas pela ONU. Mas somente em 2001, em resposta aos ataques de 11 de setembro, o Iraque sofreu retaliações mais eficazes e iniciou oficialmente a terceira Guerra do Golfo, a famosa Guerra do Iraque.
O presidente dos EUA, George Walter Bush, incluiu o Iraque no famoso “eixo do mal”, iniciando assim, a campanha militar contra o país. Bush acusou o Iraque de ter, ou desenvolver armas de destruição em massa e esse é o pretexto que ainda veicula.

Em 2003, Bush moveu contra Saddam uma guerra para tira-lo do poder. Saddam foi expulso do poder pelas tropas americanas e britânicas, numa guerra não autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU. Seu paradeiro era desconhecido até o final de 2003, quando Saddam foi encontrado dentro de um buraco armado com uma pistola e duas metralhadoras AK-47 e de porte de US$ 750,000,00. Entregou-se pacificamente após uma tentativa de suborno de seus captores: “sou Saddam Hussein, presidente do Iraque e quero negociar”, propôs em inglês.
Depois disso, foi julgado e condenado à pena de morte por enforcamento, acusado de cometer crimes contra a humanidade. O mais curioso, é que mesmo depois de os defensores de Saddam argumentarem que o julgamento carecia de neutralidade e propuserem um julgamento num tribunal internacional, com juizes de várias nacionalidades, quem interviu no julgamento de Saddam foi o povo ocidental, principalmente as altas forças dos EUA.
Mas a vida de Saddam não foi apenas feita de guerras. Ele também se dedicou à literatura, lançando alguns romances que viraram best-sellers. Podemos citar o primeiro romance, intitulado Zabibah e o Rei, que devido ao tamanho sucesso virou um musical no Iraque. Teve mais uma esposa além de sua prima e teve ainda dois filhos varões, Uday e Qusay, que eram considerados as forças mais influentes no regime de Saddam e foram assassinados em 2003 por disparos das forças americanas, após terem sido entregues em troca de uma quantia de US$ 15 milhões por cada um deles.
No dia
30 de dezembro, às 6 horas da manhã, horário do Iraque, aos 69 anos, Saddam Hussein foi enforcado. A televisão estatal iraquiana exibiu a sentença ao vivo e Saddam se recusou a usar capuz preto na hora da execução, preferindo morrer com o rosto à mostra. Com uma câmera de um celular, ilegalmente, uma das testemunhas filmou e divulgou na internet a execução do ex-ditador. O curioso é que a morte de Saddam ficou fora da famosa e sensacionalista retrospectiva que a Rede Bobo, quero dizer, Rede Globo de Televisão exibe todo ano, já que o programa foi ao ar antes do fato. Imprime-se uma pergunta, ano que vem eles exibirão a morte? Ou se perdeu para sempre este importante fato? Vamos esperar pra ver.Resumidamente, posso expor desta forma a biografia do ex-ditador iraquiano. No entanto, como havia mencionado no início do texto, proporei algumas reflexões e farei um paralelo, mesmo que distante, com Tiradentes e com Duque de Caxias. Então, vamos lá!
Tiradentes

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, recebeu este apelido por ter aprendido o oficio com um tio que era cirurgião dentista. Além de dentista prático, foi tropeiro, mascate, herborista, minerador, comerciante, militar e ativista político.
Nascido na fazenda do Pombal, em Minas Gerais, ficou órfão de mãe aos nove anos e de pai aos onze. Não fez os estudos regulares. Atuou grande parte da vida como militar, alcançando o posto de alferes e fiscalizando a Estrada Real. Tiradentes se destaca por seu envolvimento com a Inconfidência Mineira. Um movimento que envolveu as altas camadas de influência da capitania, incluindo forças do clero e pessoas com grande projeção social e que dentre outras coisas, buscava a independência da capitania das Minas Gerais bem como a criação de uma república (nunca foi proposto pelos inconfidentes a independência do Brasil como um todo), a criação de uma universidade em Vila Rica, atual Ouro Preto, (na época, sede da capitania), criar indústrias e mudar a sede da capitania para São João Del-Rei. Além disso, a Inconfidência Mineira não visou a abolição da escravatura. Ligar os ideais franceses de liberdade, igualdade e fraternidade diretamente à Inconfidência Mineira pode ser fanatismo demais.
Tiradentes ajudava o movimento fazendo propaganda e pregando os ideais por onde passava.
Um dos inconfidentes, Joaquim Silvério dos Reis, delatou o movimento em troca do perdão de uma grande dívida que ele tinha com a Fazenda Real. Decretada a prisão dos participantes, Tiradentes fugiu para a casa de um amigo no Rio de Janeiro, entretanto, foi novamente delatado pelo mesmo Joaquim Silvério dos Reis, que pelas delações, dentre outras coisas, recebeu o título de fidalgo. Tiradentes foi condenado à forca por ter sido o único do movimento que assumiu responsabilidade pela Inconfidência, por ser o de menor posição social e por não ser casado. Aos demais a pena foi o degredo para a África. E assim, numa manhã de sábado de 21 de abril de 1792, no largo da Lampadossa no Rio de Janeiro, Tiradentes morreu de morte natural pela forca e para sempre. Seu corpo foi esquartejado, com seu sangue lavrou-se a certidão de que estava cumprida a sentença, seus bens foram confiscados, sua casa foi queimada e o terreno salgado, para que nada mais crescesse, seus descendentes e sua memória foram declarados infames, pedaços do seu corpo foram deixados pelo caminho onde ele pregava a Inconfidência e a cabeça foi espetada num pau na praça principal de Vila Rica.

Durante o império, a figura de Tiradentes ficou obscura, já que os imperadores eram descendentes diretos da Rainha Dona Maria I, que ordenou a sentença de Tiradentes. Anos mais tarde, com a proclamação da República, a biografia de Tiradentes foi mitificada. Era preciso criar heróis para a nação e ninguém melhor do que militares para ocupar estes cargos, já que quem proclamou a república foi o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca. Assim, a imagem de um Tiradentes cabeludo, barbudo, quase um cristo, que lutava pela libertação da pátria, foi cuidadosamente forjada.
Quando militar, o máximo que Tiradentes poderia usar era um tímido bigode, e os cabelos sempre curtos. Na prisão, para evitar problemas com piolho, os prisioneiros eram submetidos a terem as cabeças raspadas e as barbas feitas. Tiradentes morreu careca e com a barba feita. Tiradentes hoje é considerado Patrono Cívico do Brasil, sendo a data de sua morte, 21 de abril, feriado nacional.
Duque de Caxias

Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, nasceu em 1803 na fazendo São Paulo, no município fluminense de Porto da Estrela, hoje Duque de Caxias. Pouco se tem de registro documental da infância de Duque de Caxias, sabe-se que era filho de um marechal e que estudou no convento de São Joaquim. Com 15 anos matriculou-se na Academia Real Militar, com 18 anos foi promovido a Tenente e integrou a elite do Exército do Rei. Recebeu das mãos do próprio Dom Pedro I a bandeira recém criada do império. Com 21 anos, após sucesso numa represália contra um movimento de independência na Bahia, recebeu o título de Veterano da Independência. Aos 23 anos recebeu o título de Capitão e após sucesso na campanha Cisplatina, recebeu uma série de condecorações e o posto de Major. Com 30 anos de idade o Major Luis Alves de Lima e Silva se casa com uma senhorita de 16 anos de idade. Já com 34 anos foi promovido a Tenente-coronel e foi escolhido para “pacificar” o movimento da balaiada no Maranhão. Com 36 anos, por uma carta imperial, é nomeado Coronel e presidente da província do Maranhão e Comandante Geral das forças em operação. Aos 37 anos foi nomeado veador de suas altezas imperiais. Com 38 anos foi nomeado Barão de Caxias (Caxias, porque o município maranhense era a segunda maior importância na balaiada e ele conseguiu “pacificar” a região). Aos 39 anos, após reprimir com sucesso um levante em São Paulo, é nomeado Brigadeiro. Um mês depois é deslocado para Minas inibindo mais uma revolta. Pelos relevantes serviços prestados é promovido ao posto de Marechal-de-campo, com menos de 40 anos de idade.
No mesmo ano foi deslocado para “pacificar” a Guerra dos Farrapos que grassava no sul do império. Com o fim da Guerra dos Farrapos, é nomeado Marechal Barão de Caxias, Conselheiro da Paz e O pacificador do Brasil. Ainda recebeu os títulos de Marquês de Caxias e foi graduado a Marechal-do-exército. Caxias sempre foi um militar exemplar, muito considerado por seu alto amor à pátria Brasil e por conseguir “pacificar” regiões sem derramamento de sangue, era um verdadeiro gentleman. Muitas de suas investidas em território nacional merecem ser glorificadas, entretanto na Guerra do Paraguai, com a Tríplice Aliança entre Brasil, Uruguai e Argentina é que ele se mostrou um verdadeiro servo da xenofobia.
A citada guerra foi o maior e mais sangrento conflito armado internacional ocorrido no continente americano, somando mais de 60 mil mortos brasileiros, em que muitos homens foram obrigados a guerrear. Documentos nos indicam que cerca de 90% da população paraguaia do sexo masculino foi dizimada na guerra. Caxias não perdoou nem mulheres nem crianças.
O Paraguai atravessava uma fase fantástica na economia e a derrota marcou uma reviravolta na história do país. Se o Paraguai é hoje uma republiqueta miserável, muito deve-se à Guerra do Paraguai e ao Duque de Caxias. Caxias amava muito o nosso Brasil, isso é fato. Amava tanto, ao ponto de na Guerra do Paraguai não perdoar nem os civis paraguaios, nem mulheres e crianças.
Outro fator negativo, foram os empréstimos internacionais que o Brasil fez para guerrear, a famosa dívida externa. Depois da guerra, Caxias foi elevado a Duque, sendo o único Duque brasileiro. Duque de Caxias hoje é considerado o maior militar brasileiro, Patrono do Exército Brasileiro e herói nacional. Tem uma série de monumentos erguidos em seu nome e até na cédula brasileira seu rosto já foi estampado.
Reflexões

Ponho-me a refletir acerca de algumas questões. Saddam foi enforcado assim como Tiradentes. Será que um dia se tornará herói? Nós ainda temos a retrograda e preconceituosa cabeça do século XVIII? Quem pagará pelos crimes cometidos contra Saddam?
Não questiono a pena de morte, questiono o enforcamento. Será que uma injeção letal não seria mais adequada? Matando-o enforcado não estamos causando dor e sofrimento? Não foi por isso que Saddam foi condenado? Estamos nos divertindo com a desgraça alheia? A maioria que se diz cristão não se choca com a pena de morte? Foi isso que Jesus Cristo nos ensinou? É isso que ouvimos nas missas? Duque de Caxias não exterminou pessoas inocentes como Saddam?
Até que ponto temos o direito de exportar a nossa “democracia” para outras realidades como a do oriente médio, por exemplo? Alguém enviaria homens e colocaria tanques e aviões no meio da floresta amazônica se a tribo dos ianomâmis estivesse sob o domínio dum cacique ditador? Se não, seria porque a tribo ágrafa, perdida na floresta não interfere nos objetivos econômicos das potências capitalistas? São questões que me ponho a refletir e convido-os para pensar também.
Agradeço a todos a paciência ao ler esta longa coluna.
Sinceramente, obrigado a todos vocês que conseguiram finalizar esta leitura. Espero que tenham gostado e aproveitado. Fiquem à vontade para comentar o texto. Congratulem, reclamem, questionem, xinguem... O espaço é de vocês!
Obrigado e até a próxima. Força e honra a todos vocês!
Paz!
Revisão: Fabrício Machado / Bárbara Gonçalves

14 Comentários:
Galera, espero que gostem. Quem quiser contactar comigo, aí estão formas:
MSN: bettofernandes@hotmail.com
Orkut: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=10953659352573619793
Por
Betto Fernandes, Ã s 1:22 PM
Mais um texto bem redigido e polémico, que assim como os outros é de bom gosto e nos prende a leitura.
Por
Lord Graham, Ã s 1:52 PM
Apesar de ter ficado meia hora lendo aki.. hauhauhuah
gostei do texto! Parabéns Betto!
Por
Larissa Vita, Ã s 2:23 PM
A economia é o único Deus da modernidade, isso é fato, e não adianta nenhum crente vir achar ruim pq ele é fruto de uma questão econômica.
Nessa pós modernidade não seria diferente. Se a economia mudou até Deus, o que ela não faria com uma reles História ou Geografia (não me xinguem, sou geógrafo).
Por isso, a única coisa que é certa é a mudança, quem sabe em 2050 Saddam não ganha um feriado.
Por
Valério Tuk, Ã s 2:42 PM
Bom um tema , mto polemico e dificil. Muitas pessoas naõ vaum ter o mesmo ponto de vista. Mas você soube trabalhar bem o te ma betto, mais um texto bom cara, continue assim, meus parabens hien.
Por
Edu, Ã s 5:11 PM
Bettan, bacana o texto e a idéia de fazer o paralelo entre os três. Acredito que a questão econômica que você colocou ao fim do texto é o reflexo das mudanças mundiais que a cada dia ocorrem.
A gana pelo dinheiro cria argumentos inimagináveis para estas últimas guerras acontecidas. E não dúvido que um dia se o mundo não acordar, o Brasil será palco de grandes guerras pela disputa da biodiversidade encontrada em nossa terra.
Vamos acordar mundo. Comprem despertadores do paraguai que fazem pipipipipipipipi para ver se seu vizinho ai acorda para a vida.
Por
Gãozinho, Ã s 7:19 PM
Texto realmente Excelente, Falando Sobre Alguns Lideres mundiais, Gostei bastante Apesar do texto ser Enorme hehe
Parabens Betto cada vez mais consolidando como Colunista e Aperfeiçoando mais Os Seus Textos Q realmente sao Excelentes
Por
Paulo Fairking, Ã s 8:05 PM
excelente texto.
sou obrigado a agradecer o fato de ter postado este texto, pois ele de uma forma sutil e imparcial, mostra os verdadeiros motivos da morte de tal pessoa, nao sou a favor do estilo adotado de governo, mais assim como ele, mtus outros foram iguais. Assim como a propria ditadura militar no Brasil matou e torturou mtus cidadao e artistas de nosso pais, ditadura que foi apoiada por "potencias" mundiais.
é de extrema importancia refletimos sobre os acontecimentos que nos cerca, e criarmos um conceito proprio sobre o que é bom ou nao para o "mundo", para que outros nao faça isso por nos.
Parabens Betto
Por
Batousai, Ã s 8:18 PM
Achei o texto meio longo. Mas bastante interssante, muito bem redigido e com uma porção de informaões que eu desconhecia e creio que a maioria das pessoas (se não todas) que leram também. Além disso, é um texto bem reflexivo que faz pensar na questão de ser certo ou não a atitude tomada e executada no dia 30/12, embora eu creia que não cabe a ninguém o direito de dizer o que é certo ou errado. E não só nesta questão, mas em muitas outras que dizem respeito as atitudes dos seres humanos.
Por
Rosceli Vita, Ã s 9:09 PM
Bom, eu me senti muito orgulhosa de ter sido escolhida para a revisão de um texto tão bom!
O tema foi muito bem escolhido e perfeito para quem gosta de atualidades, história e ler apenas... independente do assunto.
É polêmico e complexo mas como foi bem redigido, facilitou bastante a leitura e o entendimento.
E quanto as reflexões... me fizeram sentir... como poderia dizer... um pouco mais normal!!!
Me agradou muito saber que eu não era a única ficava refletindo, comparando e questionando tais assuntos.
Parabéns pela coluna Betto!
E obrigada pela confiança e como leitora principalmente.
Por
barbarella, Ã s 10:51 PM
Texto otimo... Parabéns betto...
Por
Anônimo, Ã s 11:24 PM
Texto muito bem escrito, iformativo, questionativo e esclarecedor.
É triste pensar, que infelizmente convivemos com a intolerancia, igorancia e demagogia dos homens.
Até a proxima.
Por
Livia, Ã s 11:42 AM
Parabéns pelo trabalho de pesquisa Betto...
Na minha opinião, a morte estúpida do Saddam incomodará o ocidente, muito mais do que se vivo ele estivesse. Por aquelas bandas, a morte como mártir é tida como um exemplo a ser seguido...podemos esperar o pior!!
Por
Luciane de Paiva Brasil, Ã s 12:40 PM
Betto, parabéns pela matéria. Acredito que sua missão é a de informar e isso você faz muito bem!Refletir e não simplesmente ouvir os fatos é muito importante. As pessoas estão acostumadas com a tragédia e nem se importam mais, cristãs ou não. Jesus deixou uma mensagem que se todos seguissem o mundo seria muito diferente: “Façam aos outros o que gostariam que fizessem com vocês” Abços e até a próxima !
Por
Lilian Renna, Ã s 12:51 AM
Postar um comentário
<< Home