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13.5.09

A Carta da Terra, um novo recomeço.

Belo Horizonte, 13 de maio de 2009

[ontem, passei a
tarde ouvindo Led Zeppelin, minha banda preferida]


Namastê, meus irmãos!

Anuncio-vos, que a 13 de maio de 2009, às 01:31h da madrugada veio até mim uma energia tão forte que fez-me retornar ao antigo e gostoso lar aqui do Jornal O Rebate. Meu regresso é despretensioso e natural, já que estive ausente por quase dois anos e desde já agradeço a todos que pediram a minha volta e todos que manifestaram carinho por mim e interesse pelo meu trabalho.

Acho honesto eu lhes explicar as razões deste sumiço. Nestes últimos dois anos, vivi experiências extraordinariamente intensas, e me foquei tanto em tentar cuidar de mim mesmo, buscar me entender um pouco melhor, tentar crescer nas adversidades (que foram muitas, diga-se de passagem) que acabei mesmo centrando as atenções em mim e me fechando para os outros. Adquiri novos hábitos (dentre eles a evolução para uma dieta vegetariana), terminei um relacionamento amoroso (iniciei outro) e abandonei vários projetos (dentre eles O Rebate), pois achei que era hora de me calar. Para alguém com tanta vontade de ser ouvido, com tanto desejo em se manifestar, confesso que foi difícil, mas eu sentia que era mesmo a hora de escutar o que só podia ser ouvido naquele momento. Hoje vejo que isso acabou sendo determinante para que eu me afastasse de uma série de pessoas e coisas que
amo, mas também foi crucial pra que eu crescesse como ser humano, então, retorno com o coração leve, pois tenho certeza que passei de forma iluminada pelo momento existencial mais difícil da minha vida, mais um dos tantos ciclos nessa longa caminhada cósmica!

Retorno, sobretudo, pois acredito que eu posso transmitir algumas mensagens que eu sinto que precisam ser passadas. Nosso planeta está em dificuldades, e me enxergo como catalisador (mesmo que pequeno) de uma sociedade global mais justa, sustentável e pacífica. Crei
o estar vivendo um momento importante na história de nossa civilização e decidi me posicionar junto àqueles que se enxergam no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, e compreende que somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. E é assim, como um embaixador da paz, que anuncio a minha volta aos ofícios jornalísticos.



Por enquanto, não apresento nenhum texto, já que sinto se fazer necessária uma pequena reformulação neste espaço, mas gostaria, neste primeiro momento, de dividir com vocês um vídeo (de aproximadamente 21 minutos de duração) em que o teólogo brasileiro Leonardo Boff apresenta A Carta da Terra. A Carta da Terra, que tem sido uma espécie de bíblia pra mim, é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de um mundo que reconhece que os objetivos de proteção ecológica, erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico equitativo, respeito aos direitos humanos, democracia e paz são interdependentes e indivisíveis.

A Carta da Terra - Parte. I [7:08 minutos]

A Carta da Terra - Parte. II [6:26 minutos]

A Carta da Terra - Parte. III [7:16 minutos]

No dia 22 de abril deste ano A Carta da Terra lançou a sua primeira campanha de comunicação no Brasil. Ancorada numa animação de 60 segundos, produzida a partir de desenhos feitos por crianças da Casa do Zezinho, entidade social que visa promover a cultura e educação entre crianças carentes na cidade de São Paulo, a campanha tem como objetivo motivar as pessoas a conhecer a declaração de princípios éticos A Carta da Terra, compreender os seus conceitos e aplicá-los com uma orientação para as suas atividades diárias. Disponibilizo no link abaixo a animação.


A Carta da Terra - Animação [60 segundos]

Espero ter transmitido ao menos uma idéia de qual será a nova cara deste espaço e conclamo àqueles que ainda têm a esperança como sua concepção de futuro, que examinem sem preconceitos o conteúdo da A Carta da Terra. Convido vocês, pra que juntos, façamos deste canal um local de debates respeitosos e evolução coletiva.

- Considerações finais e agradecimentos – [abolição]

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Ontem passei a tarde ouvindo Led Zeppelin, minha banda preferida, e isso me fez um bem que só quem ama o rock and roll, saberia entender. Dedico então aos meus companheiros de banda Séphora. No começo de maio nós fizemos um belo show num grande festival [Camping & Rock] e isso foi meio que um rito de passagem pra nós e já fechamos um outro grande show em Viçosa, no dia 06 de Junho, e estamos pra confirmar outras datas, então a energia é ótima. A banda que de forma independente, se apresentou nas principais casas de Belo Horizonte, arrancando elogios e reconhecimento do público, produtores e músicos da cidade está prestes a gravar algumas de suas composições. Obrigado, meus caros! Séphora é rock and roll, uai!

Hoje comemoro um ano de namoro e gostaria de dedicar esta coluna à Tânia Valias. Só posso lhe agradecer por toda luz e paz, Tanica! Uma menina tão iluminada que posso carinhosamente chamar de meu pequeno raio de sol!

Hoje faz 121 anos que aquela tal princesa assinou a lei da abolição da escravatura no Brasil. Uma data que, em verdade, nada deve-se comemorar, tendo em vista a forma como aconteceu. Espremida por uma tremenda pressão interna, exercida pela sociedade brasileira que já clamava pela abolição, e sob uma pressão ainda maior, exercida pela Inglaterra, que visando aumentar seu mercado consumidor, ameaçava desembarcar seus navios e acabar na força, com a escravidão, ela assinou uma lei que condenou estes ex-escravos a um triste destino. Izabel deveria ter concedido a estes homens, junto com sua liberdade, terras para eles cultivarem e muito principalmente EDUCAÇÃO, pra que pudessem competir em situação de igualdade. Mas não, ela os atirou no último degrau da indigência social, de onde a maioria ainda não saiu. " (...) Repetidas avaliações dos indicadores sociais demonstram que pretos e pardos — as categorias que o censo identifica como afro-descendentes — estão defasados em relação aos brancos nos índices de distribuição de renda, emprego, educação e saúde.”.

Graças ao renascimento dos movimentos negros a partir da década de 70, o centenário da abolição em 1988 representou um momento de reflexão crítica, e não mais uma celebração ufanista. “Eles [os movimentos negros a partir da década de 70] conseguiram emplacar como a data maior da negritude brasileira, não a data da Lei Áurea, mas a da morte de Zumbi, o líder do quilombo dos Palmares. O 20 de Novembro ressignificou o calendário nacional, ganhando adeptos além das hostes negras. Por outro lado, no curso de uma geração, pode-se perceber um importante movimento de descolonização das mentes dos negros, que hoje assumem com mais orgulho sua cor e suas origens”.

* Estas citações foram extraídas do livro Brasil: 500 anos de povoamento / IBGE, 4º capítulo "A presença negra: encontros e conflitos" de João José Reis *

Hoje pra nós, afro-descendentes, é dia de tristeza e revolta. Não podemos apagar de nossa história esta mancha de sangue, suor e lágrimas de pessoas absolutamente inocentes, e não há nada a ser celebrado neste data fúnebre. Celebremos o 20 de Novembro, dia nacional da consciência negra.

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Desejo a todos vocês uma overdose de energias positivas, muita luz, paz e alegrias! Espero que gostem desta nova era, tanto ou mais do que a anterior. Sintam-se à vontade para registrar suas sinceras opiniões. Critiquem, congratulem, concordem ou não, o espaço também é de vocês.

Hasta...

Caso queiram receber um boletim anunciando a atualização da minha coluna no Jornal O Rebate, envie uma mensagem para o seguinte endereço eletrônico: bettofernandes@gmail.com, com o seguinte assunto: Boletim O Rebate.

26.9.07

Césio-137, 20 anos após o maior acidente radioativo do Brasil

Por Betto Fernandes

Caros leitores, depois de mais uma longa temporada ausente, retorno ao glorioso ofício jornalístico e espero poder manter uma regularidade. Mesmo sem escrever novos textos, vez ou outra chegavam até mim, mensagens sobre as colunas já publicadas, grande parte delas, elogiando os textos. Agradeço a todos que investiram seu precioso tempo em prestigiar meu singelo trabalho. Apesar da enorme autocrítica que tenho com minhas produções, me sinto feliz, de certa forma, com estas manifestações de carinho e admiração. Obrigado mais uma vez! Muita luz a todos vocês!

Para os que me questionaram o motivo do meu afastamento do jornal O Rebate, a razão é nobre. Como sabem, tenho apenas 20 anos de idade, e, como a maioria dos jovens da minha idade, estou me preparando para prestar vestibular. O curso escolhido é o de licenciatura em história, na Universidade Federal de Minas Gerais. Soma-se a isto, o meu trabalho, muitas vezes estafante, apesar de prazeroso e igualmente nobre. O pouco tempo que me resta uso para realizar as minhas funções vitais e fisiológicas. Contudo, esta semana tive uma folga no trabalho e estou usando este tempo para escrever para vocês.

Escrevo aqui, motivado pelo aniversário de 20 anos do acidente radioativo acontecido em Goiânia, no dia 13 de setembro de 1987, por uma cápsula do radioisótopo de cloreto de césio, de número atômico 137. Não poderia deixar este fato passar em branco, já que este é o maior acidente radioativo do Brasil e o maior radiológico do planeta. Soma-se a isto a discussão da implantação ou não da Usina Nuclear Angra 3.

Ofereço este ao meu grande amigo e Editor Geral do Jornal O Rebate, o senhor José Milbs, que sempre apoiou e prestigiou o meu trabalho e meu deu todo respaldo necessário. Obrigado, Milbs!

O acidente Césio-137

Pois bem, a cápsula de cloreto de Césio (CsCl), produzida nos Estados Unidos, era utilizada como fonte de radiação para a máquina de radioterapia da Santa Casa de Misericórdia. Durante anos, o equipamento hospitalar fora utilizado para irradiação de tumores ou materiais sanguíneos. Em 1985 o equipamento foi desativado e abandonado numa edificação do Instituto Goiano de Radioterapia.

Dois catadores de sucata invadiram o prédio abandonado e observaram um volume muito pesado, constatando ser chumbo. Venderam o material para o dono de um pequeno ferro-velho que, vendo a luminosidade estranha e bonita da pedra, fez um anel para a sua esposa. Devido à alta intensidade de raios gama, teve seu braço amputado no dia seguinte. Para o reaproveitamento do chumbo, o dono do ferro-velho rompeu a cápsula e expôs ao ambiente 19,26g de cloreto de césio, um sal muito parecido com sal de cozinha, mas que emite uma luminosidade azulada na ausência de luz. Admirado com a beleza do material, distribuiu para parentes amigos. Algumas horas depois da exposição ao material altamente radioativo, as pessoas começaram a apresentar sintomas como náuseas, seguidas de tonturas, com vômitos e diarréia.

Houve uma grande demora na detecção do problema. Os profissionais de saúde, vendo os sintomas, pensaram tratar-se de algum tipo de doença contagiosa desconhecida, medicando os doentes sintomaticamente. A esposa do dono do ferro-velho, desconfiada que o problema estava relacionado ao pó que emitia um brilho azulado, levou o material à vigilância sanitária. O material permaneceu jogado, por dois dias numa cadeira. Na entrevista com médicos, a esposa do dono do ferro-velho, relatou que os sintomas se iniciaram após seu marido desmontar aquele estranho aparelho. Só então, 16 dias depois do vazamento, foi dado o alerta de contaminação por material radioativo de milhares de pessoas. Menos de um mês depois do alerta, a esposa do dono do ferro-velho, morreu graças a complicações relativas à contaminação pelo Césio. Foi a primeira, de tantas outras vítimas fatais do Césio. A sobrinha do dono do ferro-velho, de apenas 6 anos de idade, maravilhada com o pó azul, ingeriu, involuntariamente, enquanto brincava com o material, pequenas quantidades de Césio e morreu. Foi a vítima com maior dose de radiação do acidente e constatada ser a maior fonte de radiação do mundo. Teve de ser enterrada em um caixão de chumbo, blindado, erguido por guindaste, devido as altas taxas de radiação. A menina passou a ser símbolo da tragédia.

O governo da época tentou minimizar o acidente, escondendo dados da população. Os governantes diziam que era apenas um vazamento de gás, mascarando a tragédia. Fato este que levou à contaminação muitos militares e membros dos bombeiros, que inocentemente, entraram em contato com o material radioativo.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), mandou examinar toda a população da região, e constatou-se que das 112.800 pessoas monitoradas, centenas haviam sido contaminadas pelo Césio. Muitas dessas pessoas já faleceram devido às complicações causadas pela radiação. Contudo, as que ainda sobrevivem, desenvolvem enfermidades relativas ao acidente e reclamam do descaso do estado. Muitas destas pessoas não recebem os medicamentos necessários, que de acordo com a legislação vigente é de responsabilidade do governo. Reclamam também da postura de grande parte da mídia brasileira que trata o caso como um verdadeiro espetáculo. Há algumas semanas atrás, a Rede Bobo de Televisão exibiu o programa Linha Direta, sobre o assunto. A ótica realmente foi, como de costume, escrota! Já é sabido pela grande maioria que esta emissora de televisão não faz jornalismo, faz é teatro!

Todo e qualquer tipo de material que entrou em contato com o Césio, ou sua radiação, foi considerado lixo atômico. A limpeza foi um serviço demasiadamente caro e complexo. Limpadores a vácuo recolheram tudo. Fotografias, cartas, dinheiro, utensílios domésticos, tudo foi considerado material de rejeito. As vítimas reclamam até hoje terem perdido objetos que tinham um alto valor afetivo e espiritual. Esta limpeza produziu 13,4 toneladas de lixo atômico, que foi acondicionado em 14 contêineres lacrados hermeticamente. Este material radioativo permanecerá nocivo ao meio ambiente durante 180 anos. O lixo foi armazenado num parque, dentro de uma montanha artificial, há 30 metros de profundidade, rigorosamente isolado por uma parede de chumbo e concreto.

Os imóveis localizados nas proximidades de onde ocorreu o acidente tiveram seus valores reduzidos a preços insignificantes. Grande parte das lojas que existiam na região foram abandonadas. A região era vista com pavor pela população. Além da assustadora desvalorização imobiliária, a população local sofreu grande descriminação, devido ao medo de transmitirem a radiação para outras pessoas. A descriminação foi tão grande que algumas pessoas foram privadas a terem acesso a serviços básicos, dificultando o acesso à educação, saúde, dentre tantos outros.

A lista de contaminados e mortos não pára de subir. E, provavelmente, nunca será concluída. Não existe um controle exato de pessoas expostas à radiação. No mais recente levantamento feito por autoridades estaduais e federais, 743 cidadãos são apontados, oficialmente, como vítimas diretas da tragédia. Dentre estes, 61 crianças nascidas após o acidente.

Hoje, o que notamos é uma situação ainda muito triste. O sofrimento das vítimas continua. Lutam contra doenças causadas pela contaminação, e pelejam para receber, em dia, os remédios necessários. Enquanto a Rede Bobo de Televisão se apropria da catástrofe para ganhar dinheiro, numa abordagem pra lá de sensacionalista e neoliberal, nota-se muito sofrimento e, infelizmente, 20 anos de descaso do Estado brasileiro.

Angra 3

Neste atual momento está em discussão em Brasília a criação ou não da Usina Nuclear Angra 3. O Governo Lula quer investir mais de R$ 7 bilhões de reais para a construção da usina. A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, produziu em 2006 um relatório intitulado “Fiscalização e Segurança Nuclear”, que detalha falhas estruturais na CNEN. Apoiados por grupos ativistas como o Greenpeace, acreditam que a expansão do Programa Nuclear Brasileiro só tende a agravar os problemas de insegurança nuclear do país. O fato é que, energeticamente, o nosso país ainda tem muito o que melhorar, seja através da energia nuclear, eólica, solar, hidroelétrica, ou qualquer outra. Este problema não é exclusivo do nosso país. Toda humanidade enfrenta um problema, que talvez seja o maior de sua curta história no planeta Terra. O meio ambiente pede socorro e as nações de primeiro mundo não têm como ignorar mais este problema. Ações positivas estão sendo tomadas todos os dias e pesquisas indo cada vez mais de encontro à idéia de desenvolvimento sustentável. Ainda sobre a energia nuclear, descartando a possibilidade de acidentes e repensando a questão do lixo nuclear, é sem dúvida a geração de energia com a melhor relação entre ‘custo x benefício’. Num país como o nosso onde não há incidência de terremotos, maremotos, furacões, tufões, tempestades tropicais, vulcões, e não somos alvo de atentados terroristas, no meu humilde ponto de vista, deve-se construir Angra 3.

[Novo] Vídeos Relacionados [Novo]

Aproveitando este magnífico recurso que um jornal on-line oferece, estou disponibilizando vídeos relacionados à retomada do Programa Nuclear Brasileiro. O assunto é demasiado polêmico e complexo e me senti no dever de instruí-los um pouco melhor. Modestamente, tomar algum partido na situação, informando-se pelo que escrevi na minha coluna não é o melhor a se fazer. Disponibilizo aqui 4 vídeos sobre o assunto que podem muito ajudar com que cada um tome uma posição sobre o assunto, ou pelo menos esteja por dentro, já que é um fator crucial para nós, brasileiros e terráqueos, se é que me entendem. Apesar de 3 dos 4 vídeos serem de autoria do maldito Grupo Globo, acho que é importante se informar e refletir sobre estes aspectos. Façam um esforço para assistir aos vídeos, mesmo a fonte não sendo das melhores, pois este assunto requer muita penitência. Comecemos desde já!

1. Globo News - Espaço Aberto - 11/5/2007 [22 min 48 sec]
Alexandre Garcia recebe Odair Dias Gonçalves (presidente da CNEN) e Frank Guggenheim (diretor do Greenpeace). Eles debatem a retomada de obras em Angra III e os acordos de cooperação na área.

2. TV Câmara - Expressão Nacional - 3/7/2007 [52 min 53 sec]
A retomada do programa nuclear brasileiro foi decidida no último dia 25 de junho [de 2007], durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Participaram da reunião representantes dos ministérios de Minas e Energia, Casa Civil, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento, Planejamento, Fazenda, Integração e Agricultura, além de representantes dos estados e distrito federal, das universidades e da sociedade civil. A Eletronuclear estima em R$ 7,2 bilhões o montante que falta para a usina nuclear Angra III ser concluída e prevê prazo de seis anos para terminar a obra. O Expressão Nacional debate a retomada da energia nuclear no Brasil. Confirmaram presença o ministro Nelson Hubner (Minas e Energia); os deputados Fernando Ferro (PT-PE), titular da Comissão de Minas e Energia, e Albano Franco (PSDB-SE); e Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace.

3. Globo News - Espaço Aberto - 5/7/2007 [21 min 32 sec]
O Conselho Nacional de Política Energética anunciou que o Brasil vai fazer a obra, tão adiada, da famosa usina nuclear de Angra III. Em tempos de aquecimento global, a energia nuclear é uma boa opção? Miriam Leitão recebe Sergio Rezende (ministro da Ciência e Tecnologia) e David Zylbersztajn (especialista em energia / PUC-RJ).

4. Globo News - Bioenergia - 20/03/2006 [24 min 29 sec]
O físico estadunidense Ashok Gupta mostra que empresas e laboratórios já estão pesquisando novas fontes de energia, visto que só há petróleo no mundo para mais três décadas. Uma esperança para o meio ambiente. Apesar da ótica ser bastante imperialista, já que o cientista entrevistado é americano, vale a pena assistir.

Espero que este assunto seja tratado com a seriedade e atenção que merece. Nós, cidadãos brasileiros, não podemos mais seguir os conselhos musicais de Zeca Pagodinho e simplesmente deixar a vida nos levar. Temos de ser senhores dos nosso futuro.


Belo Horizonte, 26 de setembro de 2007

16.5.07

Bento XVI, o Papa das polêmicas

Por Betto Fernandes

Caros leitores, retorno ao oficio jornalístico depois de expor-lhes um fragmento do meu livro, que foi muito bem aceito pela maioria dos leitores. Agradeço a todos que investiram seu tempo em prestigiar meu singelo trabalho. Inauguro hoje a minha lista de divulgação e agradeço a todos que forneceram-me seus endereços eletrônicos para que pudesse informa-los de novos textos. O tema a ser abordado é sem dúvida o mais polêmico que escrevi até hoje no jornal. Há muito gostaria de escrever sobre isso e já que me consolidei como um colunista respeitado, suponho que chegou a hora. Desta vez venho alfinetar algo que talvez seja uma das coisas que mais me indigna e enoja, o cristianismo. Ofereço à minha querida cunhada Larissa Vita, que hoje celebra mais um ano de nascimento. Por se tratar de um tema extremamente polêmico, quero esclarecer alguns aspectos antes de iniciar efetivamente a coluna.

- Não venho aqui questionar ou denegrir a imagem de Jesus Cristo.
- Não é meu intuito desmerecer nem desrespeitar a crença de ninguém.
- Tenho preocupação evidentes com a limpeza e beleza da linguagem, por amor à língua portuguesa, entretanto não pouparei palavras fortes. Sei que irá enfear um pouco a coluna, e poderá chocar alguns leitores, mas para determinadas coisas, como cristianismo, não existem meias palavras.
- Venho simplesmente expor fatos e trazer ao conhecimento de todos acontecimentos que na maioria das vezes não estão sendo noticiados para o grande público, pois não é do interesse da mídia nacional.

Pois bem, uma das motivações a escrever sobre o cristianismo foi a ilustre visita do atual Papa da igreja católica apostólica romana, Bento XVI e a canonização de Frei Galvão. Inicio a coluna explicando um pouco sobre a vida do atual Papa.

Bento XVI

O alemão Joseph Alois Ratzinger, nasceu numa pequena vila da Baviera aos 16 de abril de 1927. Filho de um oficial de polícia nazista, aos 14 anos entrou para a Juventude Hitlerista, que foi uma iniciativa nazista que treinava jovens alemães de idade escolar como se fossem escoteiros, fora das salas de aula se organizavam em grupos e milícias para-militares para espionar o povo em nome do regime. Os jovens recebiam disciplina semi militar, e dedicavam entre outras coisas à propaganda nazista. Com dezesseis anos foi incorporado ao Exército Nazista Alemão onde qualificou-se em infantaria e defesa anti-aérea, indo guerrear na Hungria, preparando armadilhas com minas de defesa anti-tanque.

A vida religiosa do atual Papa se inicia após muitos assassinatos na segunda guerra mundial. Juntamente com o irmão Georg Ratzinger, entrou num seminário católico, sagrando-se sacerdote em 1951, e em suas dissertações versou sobre Santo Agostinho e Santo Boaventura. Durante 9 anos lecionou na Universidade de Bonn, e pouco depois iniciou estudos em teologia dogmática onde cristalizou sua posição tradicionalista. No Concílio Vaticano II, sua participação ficou marcada, dentre outras coisas, pela proposta da realização das missas em língua local, invés do latim.

Em 1977 é ascendido aos postos de Arcebispo e Cardeal, respectivamente, pelo então Papa Paulo VI. Em 1982, pelo então Papa João Paulo II, foi apontado como prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, forma como o Tribunal da Santa Inquisição passou a ser chamado à partir de 1908. Em 1993 foi designado bispo-cardeal da Sé Episcopal de Velletri-Segni. Em 2002 tornou-se bispo titular da cidade de Ostia e decano, ou seja, a pessoa mais velha, do Colégio Cardinalício.

Durante toda a sua vida religiosa, Ratzinger foi e é um dos homens mais influentes no Vaticano, um dos mais poderosos na Cúria Romana, e um grande amigo, talvez tenha sido o religioso mais próximo do polonês Karol Józef Wojtyła, que foi durante 17 anos João Paulo II, o Sumo Pontífice da Igreja Católica. Um exemplo de sua tamanha influência pode ser notada quando o ex-frade brasileiro Leonardo Boff, um dos expoentes da Teologia da Libertação, teve voto de silêncio imposto por Ratzinger devido às suas posições políticas marxistas.

Contudo foi com a ascensão a Papa que Ratzinger provou ao mundo sua real influência dentro da igreja. Aos 19 de abril de 2005, enquanto saía fumo branco pela chaminé da Capela Sistina, do coração do Vaticano, frente a milhares de pessoas, surge na varanda da Basílica de São Pedro o novo representante de Deus na Terra para os católicos, Bento XVI.

A escolha do nome Bento, ou Benedictus em latim, ou ainda Benedetto em italiano, de acordo com o próprio Papa, é uma homenagem à São Bento de Núrsia, padroeiro da Europa. Após as invasões bárbaras, os mosteiros de São Bento foram responsáveis pela manutenção da cultura latina e grega e pela evangelização da Europa. A escolha do nome deste Santo representaria, portanto, que uma das prioridades do papado de Bento XVI será a "recristianização da Europa".

Mais uma vez os católicos da América Latina lamentaram a continuidade do papado Europeu, já que nunca tiveram um representante mesmo sendo a região com maior número de católicos.

Com ideais cristãos tradicionalistas e sendo um profundo conhecedor da doutrina nazista Bento XVI tem dado muito o que falar com suas declarações. Uma de suas posições mais polêmicas é a respeito do homossexualismo. Assim como Adolf Hitler perseguia os homossexuais, Bento XVI considera o homossexualismo uma prática anti-cristã, e aprovou um documento eclesiástico no qual a igreja "não poderá admitir no seminário e nas ordens sagradas aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais enraizadas ou apóiam o que se chama a 'cultura gay'". Tal proibição, contudo, não afeta os sacerdotes homossexuais já ordenados. Não quero entrar no mérito da questão, nem quero opinar sobre o homossexualismo, já que ao meu ver, discutir orientação sexual no século XXI é pura idiotice. Atenho-me a apenas um questionamento: qual é a real importância e relevância da orientação sexual de alguém que, supostamente, não pratica sexo?

Umas das tantas declarações infelizes do Papa foi sobre o islamismo. Bento XVI afirmou que o profeta Maomé só trouxe de coisa nova o mandamento de defender a fé pela espada, além de que o Islã só teria trazido "coisas más e desumanas". Disse ainda que o islamismo é uma religião que prega a violência e que é o alimento primordial do terrorismo. Tais declarações geraram a ira da comunidade islâmica contra o Papa e alguns grupos terroristas chegaram mesmo a ameaçá-lo de morte, exigindo retratação e pedido de desculpas formais.

Outra crítica que surge com ênfase, é a postura pouco clara da igreja em relação aos crimes de pedofilia que explodem na mídia de todo o mundo. Entraves em relação ao casamento civil de pessoas do mesmo sexo também é uma das fortes críticas pelo mundo. Bento XVI participou da elaboração dum documento que diz que, aos olhos de Deus, a concepção humana se dá quando há o encontro do óvulo com o espermatozóide, sendo então, terminantemente contra a pesquisa de células tronco e da prática do aborto, independente do motivo. Outra crítica foi que Bento XVI rejeita a política de esquerda no terceiro mundo e o uso de métodos contraceptivos artificiais, alegando que a sexualidade teve ser encarada como uma emanação do amor divino, e que a única forma clinicamente segura de prevenir contratempos como uma gravidez indesejada e doenças como a AIDS é se comportar de acordo com a lei de Deus. Perante tantas críticas e polêmicas, lanço-lhes outro questionamento: será que um assassino, ex-integrante do exército nazista, tem envergadura moral, científica e espiritual para se posicionar perante estes assuntos? Tem que ser muito cretino pra falar umas coisas desse naipe!

Criticas à parte, o Papa veio ao Brasil criticar posições do governo, sugerir planos religiosos ao governo, canonizar Frei Galvão e tentar resfolegar os católicos brasileiros, que andam meio jururus. Prometeu inclusive excomungar da Santa Igreja Católica os chefes de estado que não adotassem as medidas impostas pela igreja e que fossem adeptos da corrupção. Se o Papa expulsar da igreja todos os políticos brasileiros que roubam, a grande maioria dos nossos políticos além de ladrões serão pagãos.

Foi animador ver Lula recebendo-o no Brasil sem beijar aquele anel e não se curvando às exigências impostas pelo Vaticano, mostrando realmente que o Brasil é um país que não tem uma religião oficial e que caminha para ser um país laico. Uma das propostas do Papa foi incluir o ensino religioso (catolicismo) na educação formal das crianças brasileiras. Logicamente o governo descartou esta idéia, já que aprender obrigatoriamente uma religião falida como é o catolicismo seria um grande retrocesso aos tempos de colônia e império e uma verdadeira lástima nacional. Imposição religiosa nas escolas é o fim do mundo. Será que ele desejaria ver seus filhos sendo educados e recebendo obrigatoriamente a religião Islâmica? Ah, mas o Papa não tem filho, não é?! Pelo menos é o que dizem!

Sobre a canonização de Frei Antônio de Sant'Ana Galvão, milhões de pessoas se acotovelando para assistir à cerimônia de canonização do primeiro santo nascido no Brasil. Parecia final de copa mundo de futebol, todo mundo torcendo pro Brasil. Já que a Rede Bobo de televisão não tocou o tema da vitória do Ayrton Senna, nem a vinheta do "Brasilsilsilsil", não posso deixar de dizer: "vai que é tua, Frei Galvão!". A Igreja Católica e suas canonizações são coisas hilárias. Não questiono a santidade de Frei Galvão, pois não tenho conhecimento suficiente para argumentar, mas posso citar como exemplos vergonhosos as canonizações de São Lúcio e Santa Bona, marido e mulher em vida, foram canonizados por doarem grandes porções de terra para a igreja. Lembram-se de Joana D'arc a subversiva que foi morta queimada na fogueira como bruxa e depois virou santa católica? Quem não se lembra da ridícula canonização de Santa Maria Goreth? O pior é que tem gente devoto destes santos. Prefiro acreditar na santidade dos meus pais, dos meus irmãos, da minha namorada, dos irmãos Jewmni Arlog, ou até dos amigos da banda Cartoon, que me são mais santos que essa cambada aí! É tão ridículo esse assunto que prefiro jogar no lixo, onde é seu lugar!

Já que estamos falando de cristianismo, direciono a crítica para outro lado do cristianismo, os protestantes, já que não andam menos vergonhosos que os católicos. Todos sabem que esta vertente do cristianismo tem grande fama pela corrupção. Pastores que enchem o rabo com o dinheiro de otários. É sobre o dízimo que venho tratar. Aliás, eu não! Para os que ainda não fizeram sua doação mensal lhes apresento um material da Universal que informa como ser um dizimista fiel. Clique no link abaixo e observem a roubalheira. Quer usar seu dizimo para ajudar os pobres? Não pode! O dízimo é da igreja e só os sacerdotes de Deus sabem onde, quando e como utilizá-lo! O pior de tudo é que tem imbecil que financia essa droga!

www.arcauniversal.com.br/dizimista

Ainda tratando da Universal, apresento-lhes este vídeo onde o líder da Igreja, o ladrão Edir Macedo ensina aos seus bispos e pastores como roubar mais dos fiéis. O link é dum vídeo do You Tube e recomendo muito. Aqui ignorantes sofrem lavagem cerebral e todos os problemas socioeconômicos e de relacionamento humano caem sobre as costas do capeta. Você está doente? É o capeta! Está desempregado? É o capeta! Está com problemas conjugais? É o capeta! Seu time perdeu? É o capeta! O arroz queimou? É o capeta! Um pombo cagou em tua cabeça? É o capeta! Você foi assaltado de forma descarada? Aí já não sei se foram os bispos e pastores protestantes ou o capeta! Igreja de roubalheira e fiéis ignorantes. Li na Folha Universal que eles fizeram uma pesquisa e o fiel mais bem instruído da igreja cursou até a quarta série! Vejam o vídeo e tirem suas próprias conclusões.

www.youtube.com/watch?v=My6_faauym8

Finalizo esta coluna com uma poesia escrita há bastante tempo mas que ainda faz algum sentido. Descreve dois dias de minha vida, há anos atrás.

Dois Dias

Olá, Boa Noite, segunda-feira à noite, mais precisamente, 22:22h.
Os números iguais são meras coincidências de outono.
Outono porque está pré-estabelecido, pois todas as estações estão iguais.
Sol e chuva, no Brasil, sempre teve, mas tornado e neve era mais raro...
O pior é que todo mundo sabe, mas ninguém faz nada!
“Nem os governantes nem a massa dominada
O povo é ignorante e o governo é uma piada”
Estampam em suas camisetas heróis como Ernesto Che Guevara, Zumbi dos Palmares...
Mas não sabem sequer quais eram os seus ideais, ou o que defendiam.
Os mesmos dedos em forma de V que simbolizam a paz e o amor...
Puxam o gatilho de uma arma e ofendem nossos irmãos...
Ah! Bom dia, terça-feira pela manhã, mais precisamente, 11:19h.
Dormi bem, como é de costume, em minha cama macia, quente e aconchegante.
Sinto saudades da minha amada, ouço no rádio canções que falam de amor.
Mas isso é menos importante do que o cenário caótico político-social que vivemos!
Juntos poderíamos mudar este país, sair às ruas e gritar por revolução!
Engraçado que eles arrastam multidões para estádios de futebol, shows de axé, pagode...
Na última parada gay eles eram mais de dois milhões de pessoas... Inacreditável!
Não que eu tenha algum preconceito, cada um que seja feliz da forma que quiser.
Mas quanto se trata de revolução, consegue-se meia dúzia de anarquistas radicais.
O pior é que todo mundo sabe, mas ninguém faz nada!
“Nem os governantes nem a massa dominada
O povo é ignorante e o governo é uma piada”
Vou finalizar estes versos, pois nada mais tenho a tratar.Sinta-se à vontade para elogiar ou cuspir em cima das minhas idéias.
Dou-te um conselho, não seja mais um ignorante, seja mais humano.
Mas se preferir ouvi-los, faça o que eles dizem: “Pare de sofrer e venha para a igreja Universal. Seção do descarrego às terças-feiras”.
Tchau!

Depois de tudo isso, quero deixar claro que no meu humilde ponto de vista, o Papa teria uma índole cristã bastante duvidosa se concordasse com o homossexualismo, o aborto, o sexo antes do casamento, e tantas outras práticas e condutas que ele critica, já que os ensinamentos bíblicos, do qual ele é representante supremo na Terra, condenam tais atos. Do ponto de vista cristão, errado seria o Papa ir contra a bíblia, já que ele a defende. Não estou dizendo aqui que concordo com as idéias cristãs, o que eu quero deixar claro é que ele, como cristão, está mais do que correto em condenar tudo isso. Contudo, na bíblia não tinha uma estória de amar ao próximo como a si mesmo? Esse não era um dos mandamentos básicos? O problema está é no cristianismo que é uma religião extremamente contraditória e vergonhosa, e nos cristãos, já que a grande maioria é uma cambada de infiel que não está nem aí pra nada, e fica nessa hipocrisia!

Lembro-me de uma piada que trata de uma loira que vai até a Igreja Universal.

"Uma loira comenta sua situação aflitiva com um amigo, pastor de uma Igreja Universal:
- Eu estou numa maré brava. Estou sem crédito na praça, devendo para todo mundo. Não vejo solução. Já pensei até em me matar. Estou desempregada e sem dinheiro, cheio de contas e carnês atrasados. Não há nada que dê jeito nessa situação. Já perdi a esperança! Acho que já estou doente e vou morrer mesmo.
- Calma! Não é nada disso... diz o pastor. - Você precisa é de ajuda espiritual. Você está com um encosto na sua vida! Você conhece a minha igreja? Pois é, na terça-feira, tem uma sessão de descarrego onde todos são curados ou aliviados, com uns 20 pastores. Vai lá... Vamos te salvar!
Na terça-feira, a loira aparece na igreja. No meio do culto é chamada ao palco e, entre outros desesperados, um pastor a agarra e brada:
- Sai desse corpo, demônio! Disaloja! Esse corpo não te pertence! Em Nome de Jesus, te afasta desta alma! E colocando a mão em sua testa, continua gritando:
- Estou ordenando! Em Nome de Jesus, disaloja!... Disaloja!... Disaloja!.. Disaloja! E a loira:
- Casas Bahia! Lojas Americanas! Ponto Frio! C&A! Renner!"

É, moçada, Mestre Jesus deve estar envergonhado com tanta podridão, mas como minha mãe costuma dizer: "enquanto houver cavalo, São Jorge não andará a pé!". Enquanto isso, agilizo junto ao vaticano a minha excomunhão da igreja, já que me sinto enojado e envergonhado de estar listado e ser computado como mais um cristão. Agradeço a todos pela leitura e até a próxima.

11.4.07

Carta de Suicídio - Rafael Silveira Jandaia

Por Betto Fernandes

Olá, caros leitores! Sentiram saudade dos meus textos?

Pois bem, retorno ao O rebate, destruindo os valores da família brasileira e tratando de temas polêmicos e picantes, mais uma vez, vindos diretamente do meu livro, ‘Todo Mundo No Brasil Faz Caixa 2’. Desta vez, não venho tratar de política, abordo, basicamente, filosofia. Mas não é uma filosofia científica, profunda, é uma filosofia branda, rasa, vinda de um recém formado filósofo, uma filosofia que questiona aspectos comuns à maioria e com uma construção ideológica acessível a todos nós, meros mortais. Esta vai homenagenado meu grande amigo Rafael Piu, que me inspirou para tal feito, desde os tempos de escola, em que só de sacanagem e zombaria escrevia inúmeras cartas de suicídios de diversos pontos de vista diferentes. Vai também para um grandioso amigo que fiz nos tempos de colégio, o filósofo Douglas Bigorna. É sempre complicado contextualizar algo, este fragmento está no meio do livro e me vali de mais de 100 páginas antes de chegar a esta carta, contudo tentarei resumir em poucas palavras algo tão forte e complexo.


CONTEXTUALIZANDO:

Este fragmento é uma carta de suicídio escrita por Rafael Silveira Jandaia, um filósofo recém formado na Universidade Federal de Minas Gerais, que é ainda estudante de teatro, balé clássico e dança contemporânea, e é músico violonista. Rafael, ou Piu, como é chamado pelos amigos, viveu desde a primeira infância uma vida dura. Filho de psicólogos, sofreu desde pequeno uma enorme pressão vinda do Pai para enveredar nos caminhos da ciência, contudo foi forte e persistiu nos caminhos artísticos, onde rendia grandes frutos. Este mesmo pai duro tinha várias amantes, dentre as quais, uma das empregadas. Rafael, quando criança, presenciou umas destas cenas que o marcou para o resto de sua vida. O pai machista tinha vergonha do filho dançar e ser apaixonado por maquilagem e ter gostos femininos, e a convivência foi sempre tempestuosa. Ainda criança perdeu seu melhor amiguinho para o câncer. Na adolescência viu o seu grande amor e seu melhor amigo se unirem e se casarem. Crítico e sincero demais teve de carregar o peso da morte do pai quando entrou para o curso de filosofia. No dia que saiu o resultado o pai morreu vítima de um infarto, que de acordo com a mãe e alguns parentes foi por desgosto, já que Rafael há tempos não fazia os caprichos do pai. Neste mesmo ano, viu seu mestre de Kung Fu ir para China, para nunca mais voltar. No momento que escrevia esta carta, Rafael estava trancado em seu quarto, completamente nu e ouvia o disco ‘In the Court of the Crimson’s King’ da banda King Crimson. E assim inscreveu-se na história para todo sempre:



Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, ontem, domingo, 18 de março de 2007.

Pessoas, entes queridos, amigos e irmãos...

É com lágrimas nos olhos que venho através desta carta despedir-me dessa vida cruel. A vida já me cansou, as pessoas já me cansaram, a beleza já me cansou, Deus já me cansou, a esperança já me cansou, o amor já me cansou, a filosofia já me cansou, Platão já me cansou, Aristóteles já me cansou, Sartre já me cansou, Descartes já me cansou, a ciência já me cansou, Einstein já me cansou, Newton já me cansou, Kepler já me cansou, a religião já me cansou, Jesus já me cansou, os padres já me cansaram, os pastores já me cansaram, os Budas já me cansaram, Lao Tse já me cansou, Confúcio já me cansou, Alá já me cansou, a arte já me cansou, Bach já me cansou, Da Vinci já me cansou, Shakespeare já me cansou, Michelangelo já me cansou, portanto, busco o eterno descanso pois tudo que há de bom e de ruim neste mundo já me cansou e estou realmente cansado de viver e não há mais nada que me prenda aqui, não agüento mais nem um dia neste mundo podre, contaminado de egoísmo, cheio de dor e lamúrias marcado por guerras que nunca têm fim. A máxima deste mundo é a seguinte, cada um por si e Deus contra todos, e infelizmente eu não penso desta forma, e prefiro a morte que uma vida desta maneira. Vida não, sobrevivência! Há muito, a vida se foi e agora dá lugar ao ciclo cruel da sobrevivência.

A morte me chama e às vezes até grita! Grita com tanta fúria que me enlouquece, me faz sair de mim mesmo e vagar a mundos distantes, me faz ter pesadelos terríveis e , já bem cedo, acordar mal, chorando, e a cada dia me convenço que pior do que este mundo está não há nada igual em lugar algum, pior do que estou não ficarei. Sei que está na hora de partir, pois não tenho mais motivos para viver, e viver apenas para não os entristecer é muita desgraça pra uma pobre vida como a minha. Deixarei pra trás tudo aquilo que fiz e que não fiz, sei que nunca mais verei nenhum de vocês, e as pessoas que contariam comigo no futuro, mudem seus planos, a mulher que viveria feliz para sempre e envelheceria feliz com nossa prole ao meu lado, mude seus planos, os filhos que teriam-me como pai zeloso e dedicado, mudem seus planos, os colegas filósofos que pensariam comigo, mudem seus planos, os leitores que leriam meus livros e os achariam pura bobagem, mudem seus planos, os músicos que tocariam comigo, os bailarinos que dançariam comigo, os atores que encenariam comigo, mudem seus planos. Qualquer um que fosse precisar de mim de amanhã em diante, mude seus planos, pois mudei os meus planos graças a vocês, dou fim à minha vida hoje, por culpa de vocês. Quando os culpo, não falo de um círculo de amigos, não culpo apenas as pessoas que convivi, culpo todos os seres humanos que já pisaram neste globo, todos os que convivi e mesmo os que eu não convivi, todos os que ouvi ou não, todos os que li ou não, culpo todos, culpo os estadunidenses por seu regime vampiro, culpo os brasileiros por seu eterno conformismo, culpo os europeus por seu preconceito infantil.

Quero falar que fiz isso não por falta de força de vontade, mas sim por desespero. Procurei a ajuda de cada um de vocês, liguei pra cada um de vocês, mandei e-mail a cada um de vocês, chorei no ombro de cada um de vocês, confessei meus segredos pra cada um de vocês. E o que recebi? Meus amigos, uma boa parte deles não tiveram tempo pra mim, mas disseram que podia contar com cada um quando precisasse, outra parte me disse que eu precisava procurar uma companheira, que eu precisava era de uma mulher ao meu lado. Meus parentes , malditos, não me deram a menor atenção, simplesmente, ignoraram meu sofrimento e desprezaram todo este conflito que travo contra mim mesmo, nada fizeram, senão, chamar-me de louco, e dizer que eu estava exagerando. Meus familiares, coitados, sofreram junto comigo, e disseram-me que eu precisava da ajuda Deus.

À minha família quero dizer que procurei igrejas mil. Católicas, protestantes, ortodoxas, centros espíritas, centros de umbanda, templos budistas, refúgios taoístas. Escutei padres e pastores aos montes. Busquei o Deus todo poderoso de todas formas em quase todas as filosofias e crenças, com mais fé que qualquer outro homem jamais ousou. E é justamente com este Deus, que apesar de mudar o nome e o corte de cabelo, no final das contas é o mesmo em qualquer religião, é justamente com este Deus que estou mais decepcionado, pra ser mais sincero, furioso. Afinal se o senhor é realmente o super-herói todo poderoso, se o senhor pode fazer tudo e sabe de tudo que aconteceu e que ainda vai acontecer, porque me separou este trágico fim? Porque que me deixou neste sombrio estado? Porque me deixou suicidar e causar tanta dor às pessoas que estimam-me? Destino? Livre arbítrio? Muito cômodo! Deste jeito até eu quero ser Deus. Crio tudo, e então, chega de trabalho, sento no meu imponente trono, todo adornado em ouro, logo abro um bom vinho português e me delicio ao som de As quatro estações de Vivaldi, e comicamente assisto ao fim de tudo aquilo que criei, principalmente o maldito homem, que tanto já me enfureceu. Ah! Vale lembrar da expulsão de Lúcifer do paraíso, ele queria o poder, aquele mero bardo queria o poder, e o que fiz com ele e com seus partidários? Expulsei-os do paraíso e perpetuamente os joguei no último degrau da indulgência espiritual. Eu sou o cara! Senhor Deus dos Desgraçados, hoje depois de conhecer você por várias filosofias e crenças, imagino-o assim, um ditador incompetente. Deste jeito até eu quero ser Deus. Desisto da vida, afinal com um Deus incompetente e retardado como você é melhor que a terra nos engula. Mas finalmente nunca mais verei o senhor, nunca mais ouvirei falar sobre o senhor, nunca mais terei notícia do senhor. Pois acabarei agora com minha vida e irei direto para o inferno sem escalas, afinal se me mandasse para o paraíso lhe faria enlouquecer com menos de um dia.Chegando ao inferno terei reverência a Lúcifer e sua legião de anjos caídos, Deus você terá mais um forte inimigo.

Aos meus amigos que não tiveram tempo pra mim, que no momento tinham coisas mais importantes do que eu, mas disseram-me que poderia contar com vocês pro que precisasse, eu precisei de vocês sempre, ainda preciso. Alguém em especial me machucou muito, alguém que amei por toda vida, com toda força de meu ser, mas nunca me deu um beijo sequer, a este alguém digo, eu amo você e este amor foi um dos principais motivos do meu suicídio. Aos que me recomendaram uma companheira, quero lhes dizer que a minha namorada está grávida e o pai dela quer me matar. Não a amo, nunca a amei, um grande descuido causou isso tudo. Sempre amei a mesma garota, desde que me entendo por gente. Não estou tentando fugir dos meus problemas, mas se eu viver o pai dela morre. Não tenho nada a perder, perigoso é aquele que, como eu, não tem nada a perder. Poderia destruir muita coisa antes de dar fim à minha vida, poderia matar aquela maldita professora, aquele infiel amigo, aquele professor debochado, aquele falso budista, aquele visinho intrometido, aquele padre pedófilo, aquele pastor ladrão, aquele político corrupto, aquele sogro ditador, mas não, não quero ser um assassino cruel que mata e depois dorme tranqüilamente. Não suportaria ser tão cruel quanto o Senhor Deus dos Desgraçados consegue ser. Não quero causar mais dor a este tão doente mundo. Deixo a culpa de toda dor e lamúrias deste mundo nas mãos do Senhor Deus dos desgraçados.

Aos parentes e companheiros que solicitei ajuda e nada fizeram por meu bem, obrigado. Vocês nunca fizeram a menor diferença em minha vida, vocês são banais, e ridículos como galinhas doidas. Diria que vocês são como bosta n’água, que pra onde a onda empurra ela vai sem hesitar. Espero que mudem, se é que vocês ainda têm força para tal.

Não tenho como fugir de tudo isso mas... Acho que o suicídio é a melhor saída pra mim. Chega de pensar nos outros! Vocês ficarão tristes, é claro, mas o tempo levará para bem longe minha imagem e bem logo vocês já esquecerão deste louco, deste homem sem Deus no coração, deste homem carente de mulher, e não sofrerão mais.

Mamãe, fique com este Deus que a senhora tanto acredita, e não se preocupe comigo, eu vou ficar bem, sei me cuidar direitinho e por mais que as pessoas falem mal, talvez o inferno não seja tão ruim assim. Cuide do meu filho, sei que estou deixando-o em boas mãos. Papai, desculpe-me por eu não ter honrado-te. Desculpe-me por eu ter sido esse artista bichinha e maconheiro e não ter sido o filho que o senhor sempre quis ter. Aliás... Foda-se! O senhor nunca foi o pai que eu sempre quis ter. Foda-se! Aos meus irmãos Pedro e Ana Clara, pouco tenho a dizer, vocês foram um dos poucos que sempre me orgulhei. Um beijo na testa de cada um de vocês. Bruna, me desculpe por tudo e obrigado por tentar me amar, o problema está todo comigo, beijos carinhosos!

Não darei mais tempo a isso. Não há pouco tempo, nem muito pra mim, agora não há pressa, pois tenho muito tempo, tenho todo o tempo do mundo.

O conhecimento acabou com a minha vida, e se eu viver vai acabar com a de todos vocês. Os ignorantes são mais felizes, quanto mais procurava saber das coisas mais eu sofria, mais eu me angustiava com os erros dos filhos deste mundo. Não sou um gênio, não sou o senhor perfeitinho, não sou melhor que ninguém, mas este mundo não foi feito pra mim. Como eu seria feliz se eu fosse feliz, e essa segunda felicidade resume-se em ter uma bela, fiel e dedicada esposa, ter obedientes filhos, que nos orgulham, ter uma vida tranqüila financeiramente, com uma sobra de grana, ter fieis amigos, ver seu time campeão. Ah, como eu seria feliz se minha vida fosse como num comercial de margarina! Um mero burguês padrão. Se eu fosse mais um ignorante eu sofreria menos.

Nunca mais voltarei a este mundo. Não acredito em reencarnação, pois, se retornasse a este mundo, certamente não voltaria em paz. Ninguém volta de bom grado a um lugar onde foi maltratado, e os que foram maltratados e têm convicção de que foram maltratados, como eu, são terríveis, pois estão sempre em busca de sua oportunidade de vingança. Certamente nunca mais colocarei meus pés nesta bola de merda, acredito que não, mas caso isso aconteça... Aguardem-me! A vingança é um prato que se come frio! A morte zomba e blasfema de um ser, mas, sinceramente, morrer não é humilhante, humilhante é viver como todos nós vivemos. Oh, morte, tu que és tão forte, que matas o gato, o rato e homem, vista-se com a sua mais bela roupa e venha me buscar, e venha já, pois não esperarei por sua chegada nem por mais um minuto. Mamãe, não se preocupe comigo e tente me esquecer o mais breve possível, papai, acho que agora no inferno nos veremos depois de tanto tempo, Pedrão, Aninha, um beijo do Rafa. Vivam em paz, se é que neste mundo isso é possível, e que assim seja! O conhecimento acabou com a minha vida, e se eu viver vai acabar com a de vocês.

15 Então o SENHOR Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultiva-lo. 16 E o SENHOR Deus ordenou ao homem: coma livremente de qualquer árvore do jardim, 17 mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá” Gênesis, capítulo 2, versículos 15-16-17.


Não havendo mais nada a tratar, com muito carinho, pela última vez, Rafael Silveira Jandaia.


Espero que tenham gostado. Mais palavras vindas da minha esdrúxula pessoa tornam-se desnecessárias no meu ponto de vista, portando, deixo a palavra final ainda com Piu em seu último poema auto-intitulado.



Piu

Solidão... Não foi um dia... Melancolia.
Dia... O gato mia, o pinto pia.. Pia? Piu!
Dia? Que dia? Não foi um dia.
Nem parte da minha vida... Se é que posso chamar esta louca sobrevivência de vida!
Coloco em cheque toda minha existência por... Um dia.
Dia? Não foi um dia. Que dia?
Dia... O gato mia, o pinto pia.. Pia? Piu!
Névoas... Será? Fumaça, não era névoa nada, bagaça de fumaça, carcaça.
Melancólica melancolia, que pobreza repetir radicais numa poesia.
Azar... Uma sombra se abate sobre mim, sombra de nostalgia.
Nostalgia... Só pra rimar com melancolia, o pinto pia... Poesia.
Tristeza... Lembra da sombra? Toma conta de meus pensamentos...
Pensamentos? Que pensamentos? Ah... A poesia, mas poesia rima com nostalgia.
Com melancolia... E com o pinto pia! O pinto pia em cima da pia, o gato mia no ouvido da tia que sorria e lia filosofia!
A tia se chamava Sofia, o pinto não tinha nome e sofria e o gato era o tal do Lestat!
Dia? Não foi um dia. Que dia?
Dia... O gato mia, o pinto pia.. Pia? Piu!
Nem pensar sou capaz, mas falei que era! Escrevo poesia! Sou capaz de pensar!
Não foi um dia, que chatice essa rima de ia, ia, ia... Vai pro inferno, poesia.
Inferno, inverno... Primavera, e daí? Outono, hum... Eu adoro o outono!
Inverno, primavera, outono... Onde está o verão? Não importa, eu falava sobre o inferno.
Não, nunca, nem pensar, de forma alguma, sem possibilidade, fora de cogitação...
Não, isso não é o inferno. O inferno é bem melhor que este dia.
E este é só um dia... Só mais um dia!
Dia? Que dia?
Dia? Não foi um dia. Que dia?
Dia... O gato mia, o pinto pia.. Pia? Piu!


Após tanta depressão, em palavras e imagens tocantes, quero dar uma alegrada na coluna com uma charge muito interessante sobre o tema. Homenageando a Bahia, a minha terra natal, já que meus pais estão lá e acabaram de me ligar da Praça Castro Alves, vai a imagem, intitulada: Suicídio baianês.



Espero que tenham gostado. Até a próxima coluna e muita paz para vocês!


Belo Horizonte, quarta-feira, 11 de abril de 2007

7.3.07

Carnaval, do sagrado ao profano

Por Betto Fernandes

Como vão amigos, caros leitores? Como vocês têm estado?

Venho através desta coluna dar prosseguimento ao meu singelo trabalho aqui no jornal O Rebate. Fevereiro foi um mês cheio para mim, definitivamente. Não produzi nenhum texto, já que me ocupei com vários outros afazeres, dentre os quais, poderia citar o aniversário do meu irmão Horácio, o aniversário de meu irmão Arlog Renato Fernandes, o casamento do meu irmão Pablo, a apresentação musical minha e de minha querida amiga Barbarella Gonçalves, o meu próprio aniversário, os encontros musicais e filosóficos com o grandioso Fabrício Machado, a participação do sarau Saturnálias Poéticas no Agosto Butiquim, um excelente barzinho aqui de Belo Horizonte e, finalmente, as famigeradas festanças carnavalescas. E é justamente sobre este tradicional período que venho escrever. Apresento neste texto um ensaio sobre o carnaval. Ofereço este, a duas importantes pessoas. Uma delas é meu primo e amigo José Nascimento, que hoje completa mais um ano de vida! A outra, é Roana Vita, minha querida cunhada que a partir desta coluna será minha nova revisora. Abraços carinhosos a vocês.

Para começarmos de uma forma poeticamente nostálgica, gostaria de iniciar com uma de minhas poesias apresentadas no sarau de carnaval, citado acima. A poesia remonta a origem do carnaval, segundo alguns historiadores. Deleitem-se!


"Na Grécia antiga...

Barba com barba, seios com seios. Sexo!
Nádegas e coxas com quase tudo. Carne!
Mãos no falo e o falo em quase tudo. Vinho!
Boca nos seios, barba nas coxas e quase tudo pelo carnaval. Baco!"



A poesia remonta a origem do carnaval e a origem do carnaval remonta a história da humanidade, em longevas civilizações. Para alguns historiadores e pesquisadores, as raízes históricas do carnaval estão relacionadas aos bacanais gregos. Outros crêem que vem do Egito Antigo dos cultos à deusa Ísis e ao deus Osíris, em que homens e mulheres mascarados expulsavam os demônios da má colheita. Alguns, ainda, acreditam que o carnaval só se inicia efetivamente com a adoção do calendário cristão, contudo, esta ultima versão é pouco aceita entre os especialistas.

A origem da palavra carnaval também é um tanto quanto obscura. Alguns defendem que devido aos festejos das Saturnálias, homenagem ao deus Saturno, que alegravam a cidade de Roma, um carro no formato de um navio abria caminho em meio os foliões mascarados que brincavam e dançavam. Para estes, a etimologia vem daí, carrum navalis, que significa carro naval. A tese mais aceita para a origem da palavra carnaval tem origem religiosa. Vem da expressão carne levare, ou seja, afastar a carne, o que seria um período de despedida dos prazeres mundanos e carnais, já que o carnaval antecede o período triste e abstencionista da quaresma.
Divergências históricas à parte, a verdade é que o carnaval é um período importantíssimo dentro da cultura popular brasileira, que mexe com as emoções e alegra este tão sofrido povo. Este período de festejos, que foi recuperado pelo cristianismo, é regido pelo ano lunar e tem como marco oficial de início o dia de reis e como fim a quarta-feira de cinzas.

O Brasil tem forte tradição carnavalesca, mas em vários outros lugares do mundo o carnaval é também muito tradicional e animado. Poderia citar como exemplo as cidades de Nice, New Orleans, Torres Vedras, Toronto, Paris e Veneza. O modelo carioca de festejos foi importado dos carnavais parisienses e venezianos. Os olindenses e soteropolitanos criaram uma maneira bem particular de festejar.

O carnaval brasileiro é uma vasta mistura de sons. Temos no rio o samba e o choro. Em Salvador temos o axé, e a batucada. Em Olinda temos o frevo e o maracatu. No Brasil todo, principalmente nas cidades interioranas, temos as marchinhas. Existem ainda inúmeros outros espalhados de norte a sul. Por ser um período onde as pessoas extravasam suas vontades, seus mais íntimos desejos e seus medos, o carnaval é, por excelência, um período de sonhos. Sonhos por um mundo melhor, mais pacífico, mais justo, menos faminto, mais culto, mais livre, menos discriminatório, musicalmente falando um mundo mais uníssono. Dureza foi ver Fat Boy Slim, Daniel, Latino e tantas outras peças, que nada têm a ver com o carnaval de Salvador, em cima do trio elétrico. Dá para notar quanta grana rola. Por falar em dinheiro, para quem gosta do carnaval de Salvador este ano alguns blocos fizeram boas promoções de abadás. Os blocos mais tradicionais, num cartel, venderam os mais baratos a R$: 800,00 (oitocentos reais), o dia. Realmente de chorar. Absurdamente hilário. Inspirado nesta idéia toda, escrevi uma poesia, que foi apresentada no sarau e que tenho o prazer de apresentar a vocês.


"Sonhos e Sons

Paz, maracatu, samba, amor.
Frevo, saúde, prosperidade, axé.
Marchinhas, sorte, batucada, fé.
Força, quadrilhas, polca, honra.
Maxixe, ordem e progresso, choro.
Basicamente muito choro."



O carnaval, como já foi dito, precede a quaresma. O que poucos sabem é o que ela realmente é. A quaresma é o período litúrgico que o cristianismo (católicos, anglicanos e alguns protestantes), usam para se preparar para a grande festa da páscoa. Durante os 40 dias de duração, os fiéis são “convidados” a estabelecerem penitências, privações e meditações. Começando na quarta-feira de cinzas e findando-se no domingo de ramos os fiéis fazem um esforço para retomar o ritmo e o verdadeiro estilo de vida cristão. A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Nesta, fala-se dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egito.

Portanto, depois dos variados pecados, cometidos em excesso no carnaval, surge o penoso e triste período da quaresma. Isso é bem a cara de nossa sociedade atual. Essa antagonia barroca está inerente a quase todos nós. A quaresma também é a época florida das quaresmeiras, belíssima planta do cerrado, largamente encontrada nas Minas Gerais e muito utilizada em paisagismo urbano, devido suas belíssimas flores roxas.

Além de marcar o início da quaresma, para nós brasileiros, o carnaval é o marco real do início das atividades do ano. Até mesmo os alunos que já penam para se adaptar ao fim do maldito horário de verão e enfrentam suas escolas, só vão começar a pegar firme depois do carnaval. Os que já se punham de pé bem cedo para ir ao trabalho, com as caras de zumbi, graças ao horário de verão, só começam a produzir, efetivamente, depois do carnaval. Indubitavelmente o carnaval é o marco inicial do início das atividades normais no Brasil.

Por falar em horário de verão, baseado em dados fornecidos pelo Operador Nacional de Sistema Elétrico (ONS), órgão do governo, a economia que foi de cerca de 3.4%, ficou bem abaixo do previsto pelo Ministério de Minas e Energia que esperava algo em torno de 5%.

Mais um carnaval se passou. Algumas pessoas viajaram. Outros acamparam. Muitos ficaram em casa, curtindo pela televisão a lástima do carnaval carioca e vendo balançar a bunda e os seios nus da globeleza e mais milhares de outras mulheres. Outros, como eu, estudaram. Outros se reuniram em retiros espirituais. Houve muita droga, como sempre. Muito sexo, como sempre. Em novembro, daqui a nove meses, veremos o resultado. Mas, naturalmente, mais um carnaval se passou, para mim, foi meu vigésimo. Aos 25 de fevereiro completei duas décadas de vida.

Se pudesse exprimir de forma bem sucinta e ainda sim, clara e real, diria: “agora começa, efetivamente, aquele longo e produtivo período que separa o carnaval das festas de fim de ano”.

Prossigo com mais uma das minhas poesias apresentadas no sarau Saturnálias Poéticas, realizado no Agosto Butiquim. A poesia faz uma viagem rápida pelo carnaval desde os tempos remotos até os dias de hoje, citando nomes importantes na história do carnaval.


"Nome aos Bois – Homens e Deuses

Saturno, Baco, Dionísio, Isis, Osíris,
Pã, Herta, Pisistrato, Apís, Papa Inocêncio II,
Péricles, Sáceas, Sosígenes, Papa Paulo II,
Júlio César, Augustus, Ducler, Pedro II,
Gregório I - o grande, Carlos V, Gregório XIII,
Marisa Lyra, Chiquinha Gonzaga, Carmem Miranda,
Zé espinguela, Ataulfo Alves, Nair Pequena,
Dodô e Osmar, Olindenses e Capixabas,
João, Maria, Eu e Você..."



Já que estamos utilizando a poesia como recurso ilustrativo, finalizo este texto com mais uma poesia apresentada no sarau, contudo, da autoria de Mena Moreira.


"Sonho de carnaval

No carnaval,
Quero tirar a máscara
Me despir da fantasia de palhaço
Que exibo o ano inteiro!
Quero, de cara limpa,
Cair na folia
Viver a alegria
Dos três dias!
Quero esquecer que sou palhaço
De uma sociedade massificada
De valores deturpados
Verdades mascaradas
Sentimentos massacrados
Pessoas manuseadas...
No carnaval!?
...Quero esquecer tudo isso...
Me abrir em sorriso
Afinal, pelo menos três dias,
Ser feliz é preciso!..."


Revisão: Ana Mort

Belo Horizonte, 6 de março de 2007.

6.2.07

Corrupção e Inépcia, fenômenos naturais no Brasil

Por Betto Fernandes

Olá, meus compatriotas, caros leitores!

Venho através desta nova coluna expor um trecho do livro que estou escrevendo. O livro chama-se 'Todo Mundo no Brasil Faz Caixa 2' e esse trecho está bem no começo do livro traduzindo bem a idéia do livro. No romance, este é o discurso de um historiador num programa de televisão. Fiz alguns pequenos ajustes para esta nova estética. O texto trata da corrupção, em muitos níveis. Espero que gostem. Ofereço esta coluna a dois seres queridos, um deles é Ângelo Heleodoro, administrador do Parque Ecopedagógico Qinata dos Cristais, um grande patriota e exemplo a ser seguido, e ao meu querido primo Thiago Bituca que hoje completa 4 anos de idade e já convive com os fatos citados no texto abaixo. E pra começar eu gostaria de compartilhar uma frase de um ilustre brasileiro, Rui Barbosa.

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto” Rui Barbosa

Vamos lá.

Atualmente, escuta-se muito o povo brasileiro falando mal de seus governantes. É na fila do banco, no ponto de ônibus, na mesa do bar, na roda de amigos, enfim, em qualquer lugar onde haja um brasileiro, sempre irá surgir um comentário malicioso, falando mal dos governantes da nossa nação e culpando-os pelo estado que se encontra o Brasil. Errar é humano, já diz o velho ditado, mas, no Brasil, colocar a culpa em alguém, então, nem se fala, é mais do que humano. Culpar os outros pelos seus erros, falhas, e equívocos é muitíssimo comum, contudo, muitas vezes estes mesmos erros, falhas e equívocos, são cometidos, a torto e a direito, por nós, diariamente.

As pessoas sempre atribuíram seus males às gerações anteriores porque não lhes restava opção mais cômoda, senão, culpar os outros pela própria e confortável falta de atitude. Já dizia Gandhi, “nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”, contudo, continuamos sendo ridículos e pedimos a mudança do próximo, sem movermos uma palha para a mudança de nossos atos.

A política nada mais é do que o espelho de uma sociedade, e se um povo é corrupto, os políticos serão corruptos, e nós brasileiros, infelizmente, temos o governo que merecemos. Se vamos a uma padaria ou se pegamos um ônibus e recebemos o troco para menos, imediatamente, requeremos a quantia correta, entretanto, se recebemos para mais, não devolvemos, simplesmente, nos calamos e roubamos. Fazemos gato de luz, de água, de telefone, de tv a cabo, de internet, e com pequenas exceções somos tão desonestos quantos nossos representantes políticos. Nós sempre que precisamos de algo damos o nosso famoso jeitinho brasileiro, seja pra arrumar um emprego, seja pra tirar um documento, seja pro que for.
Há alguns dias atrás eu passei em uma lan house próxima à minha casa pra dar um recado pro meu irmão que lá estava jogando, eu estava com muita pressa e descuidadamente, esqueci a minha carteira e um importante estudo de história ao lado do computador que meu irmão estava. Saí apressado no meu carro e cinco minutos depois dei falta da carteira e do trabalho. Voltei à lan e minha carteira já havia sumido, mas felizmente minha pesquisa estava lá no mesmo lugar. O dinheiro foi o de menos, era algo em torno de trinta reais, o pior foi o transtorno pra cancelar talões de cheque, cancelar cartões de crédito, e tirar todos os documentos novamente.

Mas estes problemas de desonestidade não são exclusivos do século XXI, a corrupção do Brasil vem desde a formação desta nação, logo que os primeiros portugueses chegaram aqui, de forma avassaladora, com pura ganância, desrespeitando e ignorando a formidável cultura local, podemos dizer que não só os políticos, mas todo mundo no Brasil faz caixa 2. Claro que a responsabilidade de um político não é a mesma de um mero cidadão, mas índole não tem escalas. Quem mata um homem e quem mata mil homens, é assassino do mesmo jeito, mesmo que um cause males e danos maiores à sociedade. Quem rouba dois milhões, dos quarenta milhões que seriam pra construção de um hospital e quem faz gato de luz, é ladrão do mesmo jeito, mas é claro que os motivos pelos quais aquela atitude foi tomada são distintos e os males causados pelos políticos serão maiores e é evidente que a responsabilidade é muitíssimo maior.

Não há nada mais cômodo do que culpar nossos governantes, e nos isentar de toda esta sujeira que por não mais caber embaixo dos tapetes, nós, atualmente, a engolimos. Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, com certeza não foi o herói nacional que a historiografia tradicional nos ensina, mas ele disse uma das frases mais corretas sobre o futuro do Brasil, a frase era a seguinte, “se todos nós quiséssemos, nós poderíamos fazer do Brasil uma grande nação”, e é verdade. No Brasil não tem terremoto, vulcão, maremoto, furacão, neve, nós temos um solo produtivo, um clima agradável, temos a maior rede hidrográfica do planeta, temos a maior biodiversidade do planeta, temos uma rica e diversificada cultura, enfim, temos tudo nas mãos para mudarmos este país, mas parece que não queremos, e se queremos, é com uma alma pequena como um grão de areia.

Culpamos nossos governantes, isso é fato, e se você está se sentindo ofendido, lhe faço algumas perguntas. Pra que serve um deputado? E quais foram os deputados que você colocou no poder? Foram aqueles comediantes e ridículos do horário eleitoral ou aquele cara lá do seu bairro? Quem você colocou lá no senado? E pra que serve um senador? No dia da votação, você, obrigatoriamente, vota em qualquer um e vai pro churrasco, seu babaca? Votando em qualquer um, você ainda tem a cara de pau, de reclamar algum direito ou discrepar com as atitudes do governo? Ou você acredita que não tem nada a ver com esta história toda e fica de braços cruzados? O que você fez com seus deveres? O que você fez com a sua maior arma, o voto democrático? Se você joga o seu voto no lixo, pelo menos respeite a coleta seletiva.

Não sei se vocês já repararam, mas a cada escândalo de corrupção política que explode na mídia, o brasileiro fica mais desonesto e vem com aquele papinho manjado, “desde que Cabral chegou aqui, todo mundo rouba, deixa de bancar o honesto, deixa de ser bobo e aproveita também”. Perceberam que existem pessoas, e não são poucas, as que sentem necessidade em passar alguém pra trás? Observaram que existem pessoas que se não ganharem pelo menos um centavo que seja, ilicitamente, não dormem tranqüilas? Pelo amor de Deus, não me venham com esta conversa mole de que a culpa é apenas dos políticos. É necessário enxergar as verdades sobre o mundo e sobre nós mesmos, ainda que essas verdades nos incomodem absurdamente e nos sejam incrivelmente desagradáveis. Você está fazendo a sua parte? E este que está aí do seu lado, com a boca escancarada e cheia de dentes esperando a morte chegar, babando ovo dos Estados Unidos, ele está fazendo a parte dele? Então, auto lá, meu caro!

Se nós realmente queremos alguma mudança, devemos deixar de sermos tão hipócritas e devemos mudar os nossos atos. A política nada mais é do que o espelho de uma sociedade! Somos um povo corrupto, e com pouquíssimas exceções, em cada casa, se esconde mais um ladrão! E se tudo no Brasil acaba em pizza que pelo menos tragam a minha com bastante orégano.

Pra não findar esta coluna de uma forma tão agressiva, finalizo-o com uma piada que retrata muito bem este assunto tão sério que acabamos de tratar. Um tanto quanto paradoxal, não é?! Tratar com humor um tema de tamanha seriedade. Mas nós já estamos cansados de chorar, vamos rir um pouco, nem que seja das nossas próprias desgraças.

“Deus fez o mundo. Todo bonitão. Um lugar mais bonito que o outro. Não haviam fenômenos naturais agressivos de espécie alguma e não haviam lugares inóspitos. O mundo estava todo perfeitinho. Até que Deus chama São Pedro pra avaliar seu trabalho.
- Pedro, vem ver o novo planeta que eu fiz! Disse Deus todo animado.
Pedro vem, e logo se estranha com a nova criação de Deus.
- Putz, Deus. Este planeta está muito bonitinho. Você já fez planetas que queimam de tão perto do sol, outros que congelam de tão distante, você soltou seres esquisitos em outro, bem do lado deste. Esse aqui está muito bem feito. Olha essas praias, olha estas matas, olhas estes animais que lindos... Você tem que ser mais justo. Piora um pouquinho este planeta. Você está ficando bonzinho demais, cara!
Deus ficou decepcionado por São Pedro não aprovar a idéia de um planeta perfeito e começou a piorar o planeta.
- Hummm, deixe-me ver... Que tal uns furacões aqui, uma pitadinha de vulcões por ali, uns terremotos acolá, de vez em quando uns tsunamis por aqui, um calor infernal nesse canto, deixa-me colocar um pouquinho de intolerância religiosa por aqui, agora que tal um pouquinho de neve por aqui, um bocado de guerra por todo o planeta...
E assim, Deus foi compondo o planeta com novos atrativos. Quando terminou chamou novamente São Pedro.
- E então, Pedro? Gostou do novo planeta?
São Pedro notou que um grande pedaço do planeta, no hemisfério sul, estava intacto, sem problemas de espécie alguma, curioso perguntou a Deus o motivo disto.
- Pô, Deus, ficou quase bom, mas tem um pedaço ali bem bonitão, que você não colocou nada. Olha que pedaço lindo, quanto água, que beleza! Assim não dá, Deus!
Deus o tranqüilizando respondeu:
- Calma, Pedro. Ali eu não coloquei nada porque ali vai ter o brasileiro e isso já basta! Mais problema que isto é muito castigo!”



Finalizo este texto com uma frase dos grandes homens e bons amigos da banda mineira Cartoon, em uma de suas belíssimas canções eles dizem: "Loucos! Estão todos loucos, quer que eu prove pro'cê? Musicalmente todo mundo pirou, é dança da bundinha, tecno-pop-soul... Mulher relando a boca da garrafa e eu me perguntando: Onde é que o Rock errou? Na política o governo só rouba e o povo pega a sobra, veja o que sobrou... Miséria, fome, violência e o pobre do brasileiro só pensa em gritar gol! A religião já decaiu faz tempo, acho que um jumento está mais perto de Deus! As igrejas quase nada sabem sobre o universo e só querem saber da grana dos plebeus! Do amor ninguém mais tem notícia! Transformaram num prostíbulo a televisão! O ser humano hoje só pensa em sexo e está pouco se lixando pro seu próprio irmão... Irmão, abre a cabeça, vê se não anda pra trás..."

Belo Horizonte, terça-feira, 06 de fevereiro de 2007

23.1.07

Saddam Hussein, Tiradentes e Duque de Caxias

Por Betto Fernandes


Olá caros leitores!

Antes de qualquer outra coisa, gostaria de agradecer a todos que leram o texto anterior. Tive um retorno satisfatório não só nos comentários registrados, mas também no meu MSN e no meu perfil do Orkut.
Agradeço a todos que investiram seu valioso tempo lendo minha coluna. Sinceramente, muito obrigado!
Espero que o que escrevi tenha soado muito mais do que um texto bonitinho bem construído, espero que tenha tocado fundo o coração de cada um, para que reflexionasse sobre um tema, tão complexo e tão simples: “Estamos condicionados a amar a casca”, repensem.

Nesta nova coluna tratarei de um tema bem polêmico, entretanto, extremamente curioso. Deixando pra trás toda famigerada ilusão natalina e após passar com classe pelo amor, venho através deste texto debater a vida e a morte do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e fazer um paralelo com a vida e morte do Inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, lembrando também, rapidamente, a figura de Duque de Caxias. Por tratar de um tema bem polêmico e extremamente trabalhoso, informo-os que a coluna está um pouco maior do que o normal, mas essa extensão faz-se mais do que necessária para não haver mal entendidos. Compilei o máximo para deixa-la mais agradável e fluente. Esse é o motivo também da demora da publicação, somando-se a tudo isso, os problemas técnicos apresentados pelo meu computador. Mas enfim, aí está, podem se deleitar.

Antes de começar efetivamente, gostaria de deixar claro que a proposta deste texto não é julgar se foi certa ou errada a decisão de findar a vida de Saddam. Venho apenas expor um pouco da vida do estadista iraquiano, que é pouco conhecida, fazendo algumas plausíveis considerações e reflexões acerca do tema. Gostaria de informar também, que não sou partidário das idéias do iraquiano e de esclarecer que história é uma ciência humana e por isso é mutável.

O estudo da história depende do ponto de vista do autor. Recorri na minha biblioteca a vários autores; pesquisei em diversas fontes diferentes; “internetei” de montão. Portanto os fatos aqui descritos e expostos podem e devem ser questionados quanto à veracidade, afinal, isso é história. Essa é a mágica dessa magnífica ciência.

Após estes esclarecimentos iniciais, já que, ao meu ver são indispensáveis, deixemos de lero-lero e vamos logo com isso.


Saddam Hussein

Em 28 de abril de 1937, nascia Saddam Hussein Abd al-Majid al-Tikriti, numa paupérrima e violenta aldeia da cidade muçulmana sunita de Tikrit, situada a aproximadamente 150 quilômetros da capital, Bagdá.

Vindo de uma família de camponeses, o pequeno teve uma infância infernal, com o perdão da palavra. Desde pequeno, Saddam aprendeu como era eficaz a utilização da violência. O pai abandonou a família antes do seu nascimento e a mãe, que trabalhava como vidente, teve de arrumar outro companheiro para se sustentar.

O padrasto, que era vulgarmente conhecido como “Ibrahim o mentiroso”, não era o “substituto” ideal. Relatos documentados nos contam que Ibrahim chegava ao ponto de se divertir surrando o pequeno Saddam com um pedaço de madeira coberto com asfalto. O próprio Saddam já revelou que desde a primeira infância ele evitava o convívio social e para evitar “gozações” por não ter o pai biológico presente, sempre saía de casa armado com uma barra de ferro.

Um tio materno, militar, simpatizante de Adolf Hitler, foi a figura mais importante na formação da personalidade de Saddam, segundo o próprio. E foi graças a este tio, fervoroso nacionalista, que Saddam se mudou para Bagdá.

Aos 19 anos de idade, aderiu ao Partido Socialista Árabe Ba’ath, onde participou ativamente de vários golpes de Estado que fracassaram. Acusado de complô, aos 22 anos foi condenado à morte à revelia, sentença da qual conseguiu escapar fugindo vestido de mulher para o Egito, onde as autoridades locais o concederam asilo político. Já na cidade do Cairo, casou-se com sua prima de sangue, filha do tio que o adotou, terminou os estudos secundários e ingressou na Escola de Direito. Acabou sendo perdoado e voltando a Bagdá, assumindo em seguida, o comando da organização militar do Ba’ath.

Conhecido por admirar o ex-ditador soviético Josef Stalin, Saddam nunca foi um ideólogo, mas apelou muitas vezes ao nacionalismo árabe, ao Islã e ao patriotismo iraquiano para cimentar sua liderança. O ditador de Bagdá começou sua carreira como assassino profissional a soldo do Partido Ba'ath e chegou à chefia da polícia secreta iraquiana do serviço secreto: a terrível Mukhabarat.

No final de 1969, foi nomeado vice-presidente do Conselho do Comando Supremo da Revolução, tornando-se assim o "número dois" do regime, depois do presidente general Al-Bakr, que era seu parente. Em 1979, assumiu os títulos de chefe de Estado, presidente do Conselho do Comando Supremo da Revolução, primeiro-ministro, comandante das Forças Armadas e secretário-geral do partido Ba’ath. Quinze dias depois, uma conspiração surgida entre os membros do partido do recém-nomeado líder máximo do Iraque, terminou com a execução de 34 pessoas, entre elas, membros do Exército e alguns dos mais íntimos colaboradores de Saddam Hussein. Assim, podemos descrever a grosso modo, sua ascensão ao poder.

Há relatos de que o ditador tinha uma personalidade muito excêntrica, era um maníaco em higiene, apreciador de torneiras de ouro, tinha 23 palácios para uso pessoal, jamais dormia duas noites no mesmo local, jamais comia algo que não tivesse sido testado e provado por gente de sua confiança, era um grande colecionador de chapéus, especialista e exímio degustador de bebidas alcoólicas, amante da gastronomia e adorava lagostas e vinho português. Centenas de obras foram edificadas em sua homenagem e nas escolas as crianças entoavam músicas como: “Saddam, ó Saddam, você carrega a alvorada da nação em seus olhos”. E mesmo com toda essa excentricidade e com todo poder nas mãos, ele somente ganhou popularidade e os noticiários dos jornais de todo o mundo, quando alegou ser descendente direto dele mesmo. Parece estranho, mas ele se proclamou reencarnação literal de Nabucodonosor II, que foi um grande rei que viveu de 632 a.c. até 562 a.c. e governou durante 43 anos o império Neo-babilônico.

No poder, o ditador iraquiano que era fã de Stalin, adotou uma política de culto à personalidade, muito característica de países com políticas autoritaristas. Eram fotos e cartazes que estampavam seu rosto por todo o Iraque, elaborou a criação de uma imagem de islamita devoto e de bom pai, (embora fosse considerado cético do ponto de vista religioso e apreciasse bebidas alcoólicas, proibidas pelo Islã), eliminou todo tipo de oposição política e censurou a imprensa. Durante a primeira Guerra do Golfo, travou duras batalhas contra o Irã. Acredita-se que a luta era motivada pela expansão xiita que ocorria no Irã e ameaçava invadir o Iraque. A população xiita iraquiana, que era maioria, com seus ideais islâmicos ameaçava o poder e a disputa territorial serviu de pretexto para as hostilidades, que duraram oito anos. Mesmo tendo o apoio da extinta União Soviética, EUA, Kuwait, Arábia Saudita e outras nações árabes, a guerra chegou ao fim somando mais de um milhão de mortos e sem um vencedor declarado. Na segunda Guerra do Golfo, de 1990, as batalhas foram travadas contra um ex-aliado na primeira guerra, o Kuwait. Motivado por interesses políticos, que estavam relacionados à comercialização do petróleo e interessado no território do Kuwait, Saddam ordenou que as tropas iraquianas anexassem o país vizinho ao território iraquiano. Apenas um ano depois, uma coligação internacional liderada pelos EUA (então governados por George Bush, pai) obrigou o Iraque a retirar-se do Kuwait. Com o fim da guerra, Saddam “teve que engolir” o embargo econômico proposto pela ONU e além disso, reprimir revoltas por todo o Iraque. Entretanto, nem a debilitada situação econômica, nem o pós-guerra comprometeram a vitória da Saddam nas urnas. No primeiro plebiscito da história iraquiana, Saddam detinha 99,96% das opiniões de voto. Apesar dos pesares, apesar da suposta fraude no plebiscito, o apoio popular era surpreendente.

Na década de 90 a população iraquiana padeceu muito, sofrendo com as sanções econômicas impostas pela ONU. Mas somente em 2001, em resposta aos ataques de 11 de setembro, o Iraque sofreu retaliações mais eficazes e iniciou oficialmente a terceira Guerra do Golfo, a famosa Guerra do Iraque.

O presidente dos EUA, George Walter Bush, incluiu o Iraque no famoso “eixo do mal”, iniciando assim, a campanha militar contra o país. Bush acusou o Iraque de ter, ou desenvolver armas de destruição em massa e esse é o pretexto que ainda veicula.

Em 2003, Bush moveu contra Saddam uma guerra para tira-lo do poder. Saddam foi expulso do poder pelas tropas americanas e britânicas, numa guerra não autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU. Seu paradeiro era desconhecido até o final de 2003, quando Saddam foi encontrado dentro de um buraco armado com uma pistola e duas metralhadoras AK-47 e de porte de US$ 750,000,00. Entregou-se pacificamente após uma tentativa de suborno de seus captores: “sou Saddam Hussein, presidente do Iraque e quero negociar”, propôs em inglês.

Depois disso, foi julgado e condenado à pena de morte por enforcamento, acusado de cometer crimes contra a humanidade. O mais curioso, é que mesmo depois de os defensores de Saddam argumentarem que o julgamento carecia de neutralidade e propuserem um julgamento num tribunal internacional, com juizes de várias nacionalidades, quem interviu no julgamento de Saddam foi o povo ocidental, principalmente as altas forças dos EUA.

Mas a vida de Saddam não foi apenas feita de guerras. Ele também se dedicou à literatura, lançando alguns romances que viraram best-sellers. Podemos citar o primeiro romance, intitulado Zabibah e o Rei, que devido ao tamanho sucesso virou um musical no Iraque. Teve mais uma esposa além de sua prima e teve ainda dois filhos varões, Uday e Qusay, que eram considerados as forças mais influentes no regime de Saddam e foram assassinados em 2003 por disparos das forças americanas, após terem sido entregues em troca de uma quantia de US$ 15 milhões por cada um deles.

No dia 30 de dezembro, às 6 horas da manhã, horário do Iraque, aos 69 anos, Saddam Hussein foi enforcado. A televisão estatal iraquiana exibiu a sentença ao vivo e Saddam se recusou a usar capuz preto na hora da execução, preferindo morrer com o rosto à mostra. Com uma câmera de um celular, ilegalmente, uma das testemunhas filmou e divulgou na internet a execução do ex-ditador. O curioso é que a morte de Saddam ficou fora da famosa e sensacionalista retrospectiva que a Rede Bobo, quero dizer, Rede Globo de Televisão exibe todo ano, já que o programa foi ao ar antes do fato. Imprime-se uma pergunta, ano que vem eles exibirão a morte? Ou se perdeu para sempre este importante fato? Vamos esperar pra ver.

Resumidamente, posso expor desta forma a biografia do ex-ditador iraquiano. No entanto, como havia mencionado no início do texto, proporei algumas reflexões e farei um paralelo, mesmo que distante, com Tiradentes e com Duque de Caxias. Então, vamos lá!


Tiradentes

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, recebeu este apelido por ter aprendido o oficio com um tio que era cirurgião dentista. Além de dentista prático, foi tropeiro, mascate, herborista, minerador, comerciante, militar e ativista político.

Nascido na fazenda do Pombal, em Minas Gerais, ficou órfão de mãe aos nove anos e de pai aos onze. Não fez os estudos regulares. Atuou grande parte da vida como militar, alcançando o posto de alferes e fiscalizando a Estrada Real. Tiradentes se destaca por seu envolvimento com a Inconfidência Mineira. Um movimento que envolveu as altas camadas de influência da capitania, incluindo forças do clero e pessoas com grande projeção social e que dentre outras coisas, buscava a independência da capitania das Minas Gerais bem como a criação de uma república (nunca foi proposto pelos inconfidentes a independência do Brasil como um todo), a criação de uma universidade em Vila Rica, atual Ouro Preto, (na época, sede da capitania), criar indústrias e mudar a sede da capitania para São João Del-Rei. Além disso, a Inconfidência Mineira não visou a abolição da escravatura. Ligar os ideais franceses de liberdade, igualdade e fraternidade diretamente à Inconfidência Mineira pode ser fanatismo demais.

Tiradentes ajudava o movimento fazendo propaganda e pregando os ideais por onde passava.

Um dos inconfidentes, Joaquim Silvério dos Reis, delatou o movimento em troca do perdão de uma grande dívida que ele tinha com a Fazenda Real. Decretada a prisão dos participantes, Tiradentes fugiu para a casa de um amigo no Rio de Janeiro, entretanto, foi novamente delatado pelo mesmo Joaquim Silvério dos Reis, que pelas delações, dentre outras coisas, recebeu o título de fidalgo. Tiradentes foi condenado à forca por ter sido o único do movimento que assumiu responsabilidade pela Inconfidência, por ser o de menor posição social e por não ser casado. Aos demais a pena foi o degredo para a África. E assim, numa manhã de sábado de 21 de abril de 1792, no largo da Lampadossa no Rio de Janeiro, Tiradentes morreu de morte natural pela forca e para sempre. Seu corpo foi esquartejado, com seu sangue lavrou-se a certidão de que estava cumprida a sentença, seus bens foram confiscados, sua casa foi queimada e o terreno salgado, para que nada mais crescesse, seus descendentes e sua memória foram declarados infames, pedaços do seu corpo foram deixados pelo caminho onde ele pregava a Inconfidência e a cabeça foi espetada num pau na praça principal de Vila Rica.

Durante o império, a figura de Tiradentes ficou obscura, já que os imperadores eram descendentes diretos da Rainha Dona Maria I, que ordenou a sentença de Tiradentes. Anos mais tarde, com a proclamação da República, a biografia de Tiradentes foi mitificada. Era preciso criar heróis para a nação e ninguém melhor do que militares para ocupar estes cargos, já que quem proclamou a república foi o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca. Assim, a imagem de um Tiradentes cabeludo, barbudo, quase um cristo, que lutava pela libertação da pátria, foi cuidadosamente forjada.

Quando militar, o máximo que Tiradentes poderia usar era um tímido bigode, e os cabelos sempre curtos. Na prisão, para evitar problemas com piolho, os prisioneiros eram submetidos a terem as cabeças raspadas e as barbas feitas. Tiradentes morreu careca e com a barba feita. Tiradentes hoje é considerado Patrono Cívico do Brasil, sendo a data de sua morte, 21 de abril, feriado nacional.


Duque de Caxias

Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, nasceu em 1803 na fazendo São Paulo, no município fluminense de Porto da Estrela, hoje Duque de Caxias. Pouco se tem de registro documental da infância de Duque de Caxias, sabe-se que era filho de um marechal e que estudou no convento de São Joaquim. Com 15 anos matriculou-se na Academia Real Militar, com 18 anos foi promovido a Tenente e integrou a elite do Exército do Rei. Recebeu das mãos do próprio Dom Pedro I a bandeira recém criada do império. Com 21 anos, após sucesso numa represália contra um movimento de independência na Bahia, recebeu o título de Veterano da Independência. Aos 23 anos recebeu o título de Capitão e após sucesso na campanha Cisplatina, recebeu uma série de condecorações e o posto de Major. Com 30 anos de idade o Major Luis Alves de Lima e Silva se casa com uma senhorita de 16 anos de idade. Já com 34 anos foi promovido a Tenente-coronel e foi escolhido para “pacificar” o movimento da balaiada no Maranhão. Com 36 anos, por uma carta imperial, é nomeado Coronel e presidente da província do Maranhão e Comandante Geral das forças em operação. Aos 37 anos foi nomeado veador de suas altezas imperiais. Com 38 anos foi nomeado Barão de Caxias (Caxias, porque o município maranhense era a segunda maior importância na balaiada e ele conseguiu “pacificar” a região). Aos 39 anos, após reprimir com sucesso um levante em São Paulo, é nomeado Brigadeiro. Um mês depois é deslocado para Minas inibindo mais uma revolta. Pelos relevantes serviços prestados é promovido ao posto de Marechal-de-campo, com menos de 40 anos de idade.

No mesmo ano foi deslocado para “pacificar” a Guerra dos Farrapos que grassava no sul do império. Com o fim da Guerra dos Farrapos, é nomeado Marechal Barão de Caxias, Conselheiro da Paz e O pacificador do Brasil. Ainda recebeu os títulos de Marquês de Caxias e foi graduado a Marechal-do-exército. Caxias sempre foi um militar exemplar, muito considerado por seu alto amor à pátria Brasil e por conseguir “pacificar” regiões sem derramamento de sangue, era um verdadeiro gentleman. Muitas de suas investidas em território nacional merecem ser glorificadas, entretanto na Guerra do Paraguai, com a Tríplice Aliança entre Brasil, Uruguai e Argentina é que ele se mostrou um verdadeiro servo da xenofobia.

A citada guerra foi o maior e mais sangrento conflito armado internacional ocorrido no continente americano, somando mais de 60 mil mortos brasileiros, em que muitos homens foram obrigados a guerrear. Documentos nos indicam que cerca de 90% da população paraguaia do sexo masculino foi dizimada na guerra. Caxias não perdoou nem mulheres nem crianças.

O Paraguai atravessava uma fase fantástica na economia e a derrota marcou uma reviravolta na história do país. Se o Paraguai é hoje uma republiqueta miserável, muito deve-se à Guerra do Paraguai e ao Duque de Caxias. Caxias amava muito o nosso Brasil, isso é fato. Amava tanto, ao ponto de na Guerra do Paraguai não perdoar nem os civis paraguaios, nem mulheres e crianças.
Outro fator negativo, foram os empréstimos internacionais que o Brasil fez para guerrear, a famosa dívida externa. Depois da guerra, Caxias foi elevado a Duque, sendo o único Duque brasileiro. Duque de Caxias hoje é considerado o maior militar brasileiro, Patrono do Exército Brasileiro e herói nacional. Tem uma série de monumentos erguidos em seu nome e até na cédula brasileira seu rosto já foi estampado.


Reflexões

Ponho-me a refletir acerca de algumas questões. Saddam foi enforcado assim como Tiradentes. Será que um dia se tornará herói? Nós ainda temos a retrograda e preconceituosa cabeça do século XVIII? Quem pagará pelos crimes cometidos contra Saddam?

Não questiono a pena de morte, questiono o enforcamento. Será que uma injeção letal não seria mais adequada? Matando-o enforcado não estamos causando dor e sofrimento? Não foi por isso que Saddam foi condenado? Estamos nos divertindo com a desgraça alheia? A maioria que se diz cristão não se choca com a pena de morte? Foi isso que Jesus Cristo nos ensinou? É isso que ouvimos nas missas? Duque de Caxias não exterminou pessoas inocentes como Saddam?

Até que ponto temos o direito de exportar a nossa “democracia” para outras realidades como a do oriente médio, por exemplo? Alguém enviaria homens e colocaria tanques e aviões no meio da floresta amazônica se a tribo dos ianomâmis estivesse sob o domínio dum cacique ditador? Se não, seria porque a tribo ágrafa, perdida na floresta não interfere nos objetivos econômicos das potências capitalistas? São questões que me ponho a refletir e convido-os para pensar também.

Agradeço a todos a paciência ao ler esta longa coluna.

Sinceramente, obrigado a todos vocês que conseguiram finalizar esta leitura. Espero que tenham gostado e aproveitado. Fiquem à vontade para comentar o texto. Congratulem, reclamem, questionem, xinguem... O espaço é de vocês!

Obrigado e até a próxima. Força e honra a todos vocês!

Paz!




Revisão: Fabrício Machado / Bárbara Gonçalves